# Como a pele cicatriza: as quatro fases da reparação URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/como-a-pele-cicatriza-fases/ A pele cicatriza em quatro fases: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação, que precisam acontecer na ordem e no tempo certos. Conhecer esse roteiro ajuda você a cuidar melhor de um corte, de uma cirurgia ou de uma ferida que insiste em não fechar. ## Um processo em etapas, não um evento único Cicatrizar é uma sequência coordenada de eventos que começa no minuto da lesão e pode continuar por mais de um ano. Uma revisão clássica publicada no Journal of Dental Research descreve quatro fases que se sobrepõem: hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Para que a ferida feche bem, todas precisam ocorrer na sequência adequada e dentro de um intervalo de tempo esperado. Essa visão em etapas tem uma consequência prática importante. Quando uma ferida demora, quase sempre há uma fase travada, e não simplesmente uma pele "preguiçosa". Identificar onde o processo parou orienta o cuidado de forma muito mais precisa do que trocar de pomada por tentativa e erro. Também vale lembrar que nem toda ferida cicatriza do mesmo jeito. Um corte cirúrgico com bordas aproximadas por pontos fecha por primeira intenção, com pouco tecido novo e cicatriz fina. Uma ferida aberta, como uma úlcera ou uma queimadura mais extensa, fecha por segunda intenção: o organismo precisa preencher o espaço de baixo para cima antes de cobrir a superfície, o que leva mais tempo e exige mais do corpo. ## Hemostasia e inflamação: os primeiros dias A hemostasia é a resposta imediata: os vasos se contraem, as plaquetas se agregam e forma-se um coágulo de fibrina que fecha a lesão e serve de andaime para as células que virão. As próprias plaquetas liberam sinais químicos que convocam a etapa seguinte. Na inflamação, que costuma ocupar os primeiros dias, células de defesa chegam ao local para limpar bactérias e restos de tecido. Vermelhidão discreta, calor leve e algum inchaço nas bordas são esperados nesse momento. O problema aparece quando a inflamação se prolonga demais: em feridas crônicas, ela deixa de ser uma fase de passagem e vira um estado permanente que impede o avanço para a reconstrução. ## Proliferação: o tecido novo Na proliferação, o organismo reconstrói. Fibroblastos produzem colágeno, novos vasos se formam para levar oxigênio e nutrientes e surge o tecido de granulação, aquele fundo vermelho e úmido que indica uma ferida em atividade. Ao mesmo tempo, as células da superfície, os queratinócitos, migram das bordas para cobrir a área, processo chamado de epitelização. Essa fase é coordenada por uma rede de mensageiros químicos, os fatores de crescimento e as citocinas. Uma revisão de 2008 na Wound Repair and Regeneration descreve famílias como EGF, TGF-beta, FGF e VEGF atuando em conjunto. É também a etapa mais sensível a falta de proteína, a glicose alta, ao cigarro e a circulação ruim. ## Remodelação: a cicatriz amadurece Depois que a ferida fecha, o trabalho continua por baixo da superfície. Na remodelação, o colágeno produzido às pressas é reorganizado em fibras mais alinhadas, a cicatriz tende a ficar mais plana e mais clara, e a vermelhidão diminui aos poucos. Essa fase pode durar de meses a mais de um ano. Mesmo no melhor cenário, o tecido cicatricial não recupera exatamente a resistência da pele original, como lembra uma revisão de 2017 na Advances in Therapy. Por isso, proteger a cicatriz recente de tensão, atrito e sol nos primeiros meses é parte do tratamento, e não um detalhe estético. A cicatriz recente costuma passar por uma fase avermelhada e mais elevada antes de clarear. Na maioria das pessoas isso se resolve aos poucos. Quando a cicatriz cresce além dos limites da ferida, endurece, coça muito ou dói, pode se tratar de cicatriz hipertrófica ou queloide, condições que pedem avaliação específica. ## O que pode atrapalhar cada fase Uma revisão abrangente de 2021 na Seminars in Plastic Surgery resume que a cicatrização é influenciada por fatores modificáveis e não modificáveis, e que a alteração de qualquer fase pode levar à ferida crônica. Entre os mais estudados estão oxigenação, infecção, idade e hormônios sexuais, estresse, diabetes, obesidade, medicamentos, álcool, tabagismo e nutrição. Muitos desses fatores podem ser trabalhados. Ajustar a glicose, corrigir deficiências nutricionais, parar de fumar e tratar a circulação mudam o ambiente em que a ferida tenta se fechar. É essa lógica que orienta o cuidado na Sanare Clinic, em São Paulo: olhar a ferida e, ao mesmo tempo, o organismo que a sustenta. ## A cicatrização como origem de uma trajetória A Dra. Vânia Declair Cohen, médica responsável pela Sanare, pesquisa ácidos graxos essenciais no cuidado da pele desde o início dos anos 1990, com estudos publicados na Revista Brasileira de Enfermagem (1994) e na revista americana Ostomy/Wound Management (1997 e 1999), indexada no PubMed. Em 1999, assinou uma revisão sobre o papel dos fatores de crescimento na cicatrização. Essa formação se traduz em uma avaliação que observa a fase em que a ferida está, o leito, as bordas, a umidade e a pele ao redor, e também exames, alimentação e doenças associadas. O plano é sempre individual, definido após avaliação médica, sem promessa de prazo. ## Perguntas frequentes - Quanto tempo uma ferida leva para cicatrizar? Um corte pequeno e limpo costuma fechar em uma a duas semanas, mas a remodelação da cicatriz continua por meses. Feridas maiores, profundas ou em pessoas com diabetes, má circulação ou desnutrição podem levar muito mais tempo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-quanto-tempo-ferida-leva/) - É normal a ferida ficar vermelha e inchada nos primeiros dias? Um pouco de vermelhidão, calor e inchaço nas bordas é esperado na fase inflamatória dos primeiros dias. Se esses sinais aumentarem, se espalharem ou vierem com dor crescente, secreção turva ou febre, procure avaliação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-vermelha-inchada-normal/) - A cicatriz fica tão forte quanto a pele original? Não exatamente. Mesmo em condições ideais, o tecido cicatricial não recupera toda a resistência da pele antes da lesão, o que torna importante proteger a cicatriz recente de tensão e atrito. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-cicatriz-forte-como-pele/) - Por que a ferida coça quando está cicatrizando? A coceira é comum nas fases de proliferação e remodelação, ligada à formação de tecido novo, à pele mais seca e a mediadores liberados no processo. Evite coçar e mantenha a área hidratada conforme orientação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-coca-cicatrizando/) ## Dados e evidências - A cicatrização ocorre em quatro fases (hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação), que precisam acontecer na sequência e no tempo adequados; fatores como oxigenação, infecção, diabetes, obesidade, tabagismo e nutrição podem interferir. Fonte: Guo e DiPietro, Journal of Dental Research, 2010 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/) - Alterações em qualquer uma das fases da cicatrização podem favorecer o desenvolvimento de feridas crônicas. Fonte: Almadani et al., Seminars in Plastic Surgery, 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34526860/) - Mesmo em condições ideais, o tecido da ferida cicatrizada não atinge a resistência que tinha antes da lesão. Fonte: Han e Ceilley, Advances in Therapy, 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28108895/) - A cicatrização é regulada por uma rede de fatores de crescimento, citocinas e quimiocinas, com destaque para as famílias EGF, TGF-beta, FGF e VEGF. Fonte: Barrientos et al., Wound Repair and Regeneration, 2008 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19128254/) ## Fontes - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ - Almadani YH et al. Wound Healing: A Comprehensive Review. Semin Plast Surg. 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34526860/ - Han G, Ceilley R. Chronic Wound Healing: A Review of Current Management and Treatments. Adv Ther. 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28108895/ - Barrientos S et al. Growth factors and cytokines in wound healing. Wound Repair Regen. 2008: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19128254/ - Declair V. The importance of growth factors in wound healing. Ostomy Wound Manage. 1999: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10347511/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.