# Curativos modernos: tipos e quando cada um é usado URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/curativos-modernos-tipos/ Curativos modernos são coberturas que mantêm a ferida no nível de umidade ideal, controlam a secreção e protegem o tecido novo. Não existe um curativo melhor para todos os casos: a escolha depende do tipo e da fase da ferida. ## Da casca seca ao ambiente úmido Durante muito tempo, acreditou-se que a ferida precisava secar e formar casca para cicatrizar. Essa ideia mudou a partir de 1962, quando George Winter publicou na revista Nature um experimento mostrando que, em feridas superficiais, evitar a formação da crosta seca aumentava de forma marcante a velocidade de epitelização, isto é, de cobertura da ferida por pele nova. Desde então, o princípio da cicatrização em meio úmido orienta o desenvolvimento de coberturas. O objetivo não é deixar a ferida encharcada, e sim manter um ambiente úmido e controlado, que favorece a migração das células, preserva os fatores de crescimento da própria ferida e reduz a dor nas trocas. ## O princípio TIME Antes de escolher o curativo, avalia-se a ferida. O princípio TIME, adotado internacionalmente e descrito em revisão de 2020 da American Family Physician, organiza essa avaliação em quatro pontos: tecido (há tecido morto ou inviável a remover?), infecção ou inflamação (há sinais de infecção a controlar?), umidade (a ferida está seca demais ou com secreção em excesso?) e bordas (as bordas estão avançando ou estão paradas, enroladas ou maceradas?). Cada resposta aponta para um tipo de cobertura. Ao longo do tratamento, as respostas mudam, e o curativo muda junto. Por isso o mesmo produto raramente serve do começo ao fim. ## Os principais tipos de cobertura Hidrocoloides formam um gel em contato com a secreção e são usados em feridas rasas com pouca a moderada secreção. Hidrogéis fornecem umidade e ajudam a amolecer tecido desvitalizado em feridas secas. Alginatos e fibras gelificantes absorvem bastante secreção e são úteis em feridas exsudativas e com pequenos sangramentos. Espumas absorvem e protegem, com várias espessuras e formatos. Filmes transparentes protegem áreas de atrito e cobrem feridas superficiais. Coberturas com prata ou outros antimicrobianos podem ser usadas por períodos definidos quando há carga bacteriana aumentada. Malhas não aderentes e produtos com ácidos graxos essenciais têm seus próprios usos. E existem ainda terapias especializadas, como a pressão negativa, indicadas em situações específicas. ## Mais tecnologia não é sinônimo de melhor resultado Um curativo sofisticado aplicado na ferida errada pode atrapalhar. Uma cobertura oclusiva sobre ferida infectada, um absorvente forte em ferida seca ou um produto que gruda no leito e arranca tecido novo a cada troca são exemplos comuns. Em queimaduras superficiais, uma revisão Cochrane de 2013 concluiu que havia pouca evidência de alta qualidade para afirmar a superioridade de curativos específicos. Além disso, o curativo não corrige a causa. Uma úlcera venosa sem compressão, uma arterial sem fluxo, um pé diabético sem alívio de carga ou uma lesão por pressão ainda apoiada não fecham apenas porque a cobertura é moderna. O tecido de reparação, como lembra revisão de 2017 na Advances in Therapy, depende de muitos fatores trabalhando em conjunto. Outro ponto frequentemente esquecido é a pele ao redor da ferida. Uma cobertura que não absorve a secreção na medida certa deixa as bordas maceradas, esbranquiçadas e frágeis, e um adesivo forte demais pode arrancar a camada superficial da pele a cada troca, principalmente em idosos. Protetores cutâneos, fixações sem adesivo e coberturas com borda de silicone ajudam nesses casos. Alergias de contato também acontecem, sobretudo em quem convive com uma ferida há muito tempo e já usou muitos produtos, e devem ser lembradas quando a pele ao redor piora sem explicação. ## Frequência de troca e cuidados em casa Cada tipo de cobertura tem um tempo de permanência. Alguns ficam vários dias, outros precisam ser trocados diariamente ou quando saturam. Trocar mais do que o necessário esfria a ferida e pode lesar o tecido novo; trocar menos pode deixar a secreção macerar a pele. Em casa, os cuidados básicos incluem lavar as mãos, limpar a ferida conforme orientado, observar cor, cheiro e quantidade de secreção, proteger a pele ao redor e anotar as mudanças. Sinais de infecção ou piora pedem contato com a equipe antes da próxima troca programada. ## Como a Sanare escolhe o curativo Na Sanare Clinic, em São Paulo, o curativo é escolhido depois da avaliação da ferida pelo princípio TIME e da investigação das causas. A Dra. Vânia Declair Cohen, que trabalha com feridas desde a enfermagem e pesquisa produtos à base de ácidos graxos essenciais, acompanha a evolução e ajusta a cobertura a cada fase. Você sai da consulta sabendo qual produto usar, como aplicar, com que frequência trocar e quais sinais observar, com reavaliações programadas para revisar o plano. ## Perguntas frequentes - Ferida precisa respirar ou ficar coberta? Na maioria dos casos, coberta. O ambiente úmido e protegido favorece a formação de pele nova, enquanto a crosta seca atrasa a epitelização. O curativo também protege contra sujeira e atrito. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-respirar-ou-coberta/) - Qual a diferença entre hidrocoloide, alginato e espuma? O hidrocoloide forma um gel e serve para feridas rasas com pouca secreção; o alginato absorve muita secreção e ajuda em pequenos sangramentos; a espuma absorve e protege, em várias espessuras. Cada um tem indicação própria. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-hidrocoloide-alginato-espuma/) - Curativo com prata é sempre melhor? Não. Coberturas com prata são úteis por períodos definidos quando há carga bacteriana aumentada ou sinais de infecção local, mas não substituem o tratamento da causa nem são necessárias em toda ferida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-curativo-prata/) - Com que frequência devo trocar o curativo? Depende do tipo de cobertura e da quantidade de secreção. Alguns curativos ficam vários dias; outros são trocados diariamente. Troque antes se estiver molhado, sujo, descolando ou saturado, e siga a orientação recebida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-frequencia-trocar-curativo/) ## Dados e evidências - Experimento publicado na Nature em 1962 mostrou que impedir a formação de crosta seca em feridas superficiais aumentava de forma marcante a velocidade de epitelização, base da cicatrização em meio úmido. Fonte: Winter GD, Nature, 1962 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14007593/) - O tratamento base de feridas crônicas segue o princípio TIME: desbridamento do tecido, controle de infecção, equilíbrio da umidade e cuidado das bordas. Fonte: Bowers e Franco, American Family Physician, 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/) - Revisão Cochrane sobre curativos para queimaduras superficiais e de espessura parcial concluiu que há pouca evidência de alta qualidade e que não é possível afirmar com segurança a superioridade de curativos específicos. Fonte: Wasiak et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23543513/) ## Fontes - Winter GD. Formation of the scab and the rate of epithelization of superficial wounds in the skin of the young domestic pig. Nature. 1962: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14007593/ - Bowers S, Franco E. Chronic Wounds: Evaluation and Management. Am Fam Physician. 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/ - Wasiak J et al. Dressings for superficial and partial thickness burns. Cochrane. 2013: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23543513/ - Han G, Ceilley R. Chronic Wound Healing: A Review of Current Management and Treatments. Adv Ther. 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28108895/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.