# Diabetes e cicatrização: por que a glicose alta atrasa a reparação URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/diabetes-glicemia-e-cicatrizacao/ No diabetes, a glicose alta prejudica a circulação, a defesa contra infecções e o trabalho das células que reconstroem a pele. Por isso feridas e cirurgias exigem mais cuidado, e o controle da glicemia faz parte do tratamento. ## O que acontece na ferida de quem tem diabetes O diabetes interfere em praticamente todas as fases da cicatrização. Um comentário publicado em 2007 no Journal of Clinical Investigation resume os mecanismos: menor produção de fatores de crescimento e resposta mais fraca na formação de novos vasos, o que reduz o fluxo de sangue local; queratinócitos e fibroblastos nas bordas da ferida que migram pouco e se diferenciam de forma incompleta; e desequilíbrio entre a produção e a degradação da matriz que sustenta o tecido novo. Soma-se a isso a dificuldade de combater infecções. A ferida passa a ser uma porta de entrada para bactérias, e, em casos graves, a infecção pode se espalhar pelo organismo. ## O diabetes no Brasil O diabetes é cada vez mais comum. No Vigitel 2023, inquérito telefônico do Ministério da Saúde nas 27 capitais, a frequência de diagnóstico médico de diabetes foi de 10,2% entre os adultos, maior entre as mulheres (11,1%) do que entre os homens (9,1%), e aumentando com a idade. Muitas pessoas, além disso, têm pré-diabetes ou diabetes ainda não diagnosticado. Uma ferida que demora a cicatrizar, infecções de pele frequentes ou cortes que inflamam com facilidade podem ser o primeiro sinal que leva à investigação da glicose. Saber que se tem diabetes é o primeiro passo para proteger a pele e os pés. ## Glicose e cirurgia O controle da glicose em torno de uma cirurgia tem impacto direto nas complicações da ferida operatória. Uma metanálise de 2017 no British Journal of Surgery, com 15 ensaios randomizados, encontrou que protocolos mais rigorosos de controle glicêmico no período perioperatório, com metas abaixo de 150 mg/dl, reduziram a infecção do sítio cirúrgico (razão de chances 0,43), com efeito semelhante em pessoas com e sem diabetes, mas com mais episódios de hipoglicemia. Isso mostra duas coisas: que a glicose importa muito para a ferida e que o controle precisa ser feito com segurança, por profissionais, para evitar quedas perigosas do açúcar. ## Sinais que pedem atenção Quem tem diabetes deve observar a pele com cuidado. Feridas que não mostram melhora em poucos dias, vermelhidão, calor, inchaço, secreção ou cheiro, bolhas sem causa aparente e áreas de pele escurecida, principalmente nos pés, pedem avaliação. A neuropatia pode reduzir a dor, e a infecção às vezes se manifesta primeiro como glicose que sobe sem explicação. Feridas nos pés, em especial, devem ser vistas rapidamente, porque concentram o maior risco de complicações. Na dúvida, procure avaliação no mesmo dia. ## O cuidado que vai além da ferida Tratar a ferida de quem tem diabetes é cuidar ao mesmo tempo do local e do metabolismo. O plano inclui o curativo adequado, a retirada de pressão quando a ferida está em área de apoio, a avaliação da circulação, o controle de infecção e, de forma central, a melhora do controle glicêmico, junto com nutrição adequada e cessação do tabagismo. A hemoglobina glicada, que reflete a média da glicose nos últimos meses, ajuda a acompanhar esse controle. Ajustes de medicamentos são feitos em conjunto com o endocrinologista ou clínico que acompanha a pessoa. Algumas dicas práticas ajudam no dia a dia: examinar a pele e os pés diariamente, medir a glicose com mais frequência quando há uma ferida ou infecção, já que ela tende a subir nesses períodos, manter a hidratação da pele sem deixar umidade entre os dedos e não adiar a avaliação de lesões aparentemente pequenas. Pessoas que usam insulina ou medicamentos que causam hipoglicemia devem ajustar o tratamento apenas com orientação médica, porque mudanças bruscas na alimentação durante a recuperação podem exigir adaptações. Também vale lembrar que o pré-diabetes, fase em que a glicose já está acima do ideal mas ainda não atingiu os valores de diabetes, pode influenciar a cicatrização. Identificar e tratar essa fase é uma oportunidade de prevenção. ## Programa Compasso e cuidado de feridas na Sanare Na Sanare Clinic, em São Paulo, a avaliação de uma ferida em quem tem diabetes inclui revisão dos exames, da medicação, da alimentação e da composição corporal. Para quem deseja acompanhamento próximo do controle metabólico, o Programa Compasso oferece 12 semanas com visita semanal, três consultas, duas interconsultas e bioimpedância mensal com relatório de evolução. A Dra. Vânia Declair Cohen tem experiência com feridas desde a enfermagem e é coautora de uma revisão sobre o cuidado aos pés de pessoas com diabetes. O cuidado é integrado aos médicos que já acompanham você, com encaminhamento imediato em caso de infecção grave ou problema circulatório. ## Perguntas frequentes - Por que o diabético demora mais para cicatrizar? Porque a glicose alta prejudica a circulação, a formação de novos vasos, a ação das células que reconstroem o tecido e a defesa contra infecções. A neuropatia ainda faz pequenas feridas passarem despercebidas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-diabetico-demora-cicatrizar/) - Qual glicemia é ideal para cicatrizar bem? Não há um número único para todos. Em cirurgias, estudos apontam benefício em manter a glicose abaixo de cerca de 150 mg/dl no período perioperatório, com cuidado para evitar hipoglicemia. A meta individual deve ser definida com o médico. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-glicemia-ideal-cicatrizar/) - Ferida que demora a cicatrizar pode ser sinal de diabetes? Pode. Feridas que demoram, infecções de pele repetidas, sede excessiva, urina frequente e cansaço são sinais que justificam medir a glicose. O diagnóstico é feito com exames simples de sangue. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-demora-sinal-diabetes/) - Quem tem diabetes pode fazer cirurgia plástica ou procedimento estético? Pode, em muitos casos, desde que o diabetes esteja bem controlado e a avaliação pré-operatória considere circulação, nutrição e tabagismo. O controle da glicose antes e depois reduz o risco de complicações na ferida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-diabetes-cirurgia-plastica/) ## Dados e evidências - No diabetes, a cicatrização é prejudicada por menor produção de fatores de crescimento, resposta angiogênica reduzida, alterações de queratinócitos e fibroblastos e desequilíbrio da matriz extracelular. Fonte: Brem e Tomic-Canic, Journal of Clinical Investigation, 2007 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1857239) - Metanálise de 15 ensaios: controle glicêmico perioperatório intensivo, com meta abaixo de 150 mg/dl, reduziu a infecção do sítio cirúrgico (razão de chances 0,43), em pessoas com e sem diabetes, com mais hipoglicemias. Fonte: de Vries et al., British Journal of Surgery, 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27901264/) - Em 2023, 10,2% dos adultos das capitais brasileiras referiram diagnóstico médico de diabetes (11,1% das mulheres e 9,1% dos homens). Fonte: Ministério da Saúde, Vigitel Brasil 2023 (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico) ## Fontes - Brem H, Tomic-Canic M. Cellular and molecular basis of wound healing in diabetes. J Clin Invest. 2007: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1857239 - de Vries FE et al. Meta-analysis of lower perioperative blood glucose target levels for reduction of surgical-site infection. Br J Surg. 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27901264/ - Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.