# Envelhecimento, menopausa e cicatrização: por que a pele demora mais URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/envelhecimento-menopausa-e-cicatrizacao/ Com o envelhecimento, a pele cicatriza mais devagar, mas o resultado final pode ser semelhante ao de pessoas jovens. Estudos sugerem que a queda do estrogênio tem papel importante nesse atraso, o que torna a menopausa um momento de atenção. ## Mais lento, não necessariamente pior Durante muito tempo se considerou que a cicatrização nos idosos era defeituosa. Uma revisão de 2004 na World Journal of Surgery mostra que o consenso mudou: a cicatrização no idoso é atrasada, mas o resultado final é qualitativamente semelhante ao de pessoas jovens. O processo leva mais tempo em cada etapa, com resposta inflamatória, migração de células e formação de vasos mais lentas. Isso é uma boa notícia, porque significa que a pele madura continua capaz de se reparar bem, desde que receba as condições necessárias. Também significa que, com a idade, os fatores que atrapalham a cicatrização, como diabetes, má circulação, desnutrição e medicamentos, pesam mais, porque se somam a um processo que já é mais lento. Na prática, isso reforça a importância de não esperar demais para avaliar uma ferida que demora. ## O papel do estrogênio Um estudo publicado em 2008 na Genome Biology investigou por que as feridas de pessoas idosas demoram mais. Analisando a expressão de genes em feridas de homens jovens e idosos, os pesquisadores encontraram que as diferenças eram quase exclusivamente reguladas pelo estrogênio: 83% dos genes com expressão reduzida e 80% dos com expressão aumentada nas feridas dos idosos eram regulados por esse hormônio. Os autores concluíram que o estrogênio, e não o envelhecimento intrínseco, é o principal regulador do atraso de cicatrização no idoso, e que o hormônio tem influência no envelhecimento maior do que se pensava. A revisão de Guo e DiPietro, de 2010, também inclui idade e hormônios sexuais entre os fatores que interferem na cicatrização. ## Menopausa e pele Na menopausa, a queda do estrogênio se reflete na pele de várias formas: redução do colágeno, pele mais fina e seca, menor elasticidade e cicatrização mais lenta. Muitas mulheres percebem que machucados demoram mais para fechar, que a pele das pernas e dos braços fica mais frágil e que as mucosas, como a vaginal, ficam mais ressecadas e sensíveis. Essas mudanças fazem da menopausa um momento importante para cuidar da pele de forma ativa: hidratação diária, proteção solar, alimentação com proteína suficiente, preservação da massa muscular e avaliação dos fatores metabólicos que aparecem com mais frequência nessa fase, como alterações da glicose e do colesterol. O ressecamento das mucosas também merece atenção. A pele da região íntima e da uretra fica mais fina e sensível, o que pode favorecer fissuras, ardor e infecções urinárias de repetição, condições que têm tratamento e não devem ser vistas como parte inevitável da idade. ## Reposição hormonal e cicatrização A relação entre estrogênio e cicatrização levanta uma pergunta natural: a reposição hormonal ajuda a pele a se reparar? Os estudos laboratoriais e em animais sugerem efeitos favoráveis do estrogênio sobre a cicatrização, e a pesquisa em humanos segue em construção. Hoje, a reposição hormonal não é indicada com o objetivo único de cicatrizar feridas. A terapia hormonal tem indicações próprias, principalmente o controle dos sintomas da menopausa, como ondas de calor, alterações do sono e ressecamento vaginal, e sua prescrição depende de avaliação individual de benefícios e riscos. Quando indicada, seus efeitos sobre a pele podem ser um benefício adicional para a qualidade da pele. ## Uma pele que precisa de mais cuidado O envelhecimento da população torna esse tema cada vez mais relevante. Uma revisão de 2018 no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology lembra que a proporção de adultos com mais de 60 anos deve chegar a cerca de um sexto da população mundial em 2030, e que as mudanças na integridade e na barreira da pele tornam essa população mais suscetível a dermatites, infecções e lesões. Cuidar da pele madura envolve hidratar, proteger contra traumas e sol, tratar o ressecamento, garantir nutrição adequada e controlar doenças que interferem na circulação e na cicatrização. Quando surge uma ferida, vale avaliar cedo, sem esperar que ela se torne crônica. ## Longevidade e pele na Sanare Na Sanare Clinic, em São Paulo, a medicina de longevidade olha para a pele como parte do organismo. A avaliação de uma mulher na menopausa com pele frágil ou cicatrização lenta inclui hormônios, metabolismo, composição corporal, nutrição e hábitos, e o plano é individual. O Programa Essência, voltado à menopausa, e o Programa Equilíbrio Feminino, para quem considera iniciar ou ajustar a terapia hormonal, oferecem 12 semanas de acompanhamento com visita semanal e bioimpedância mensal. A indicação de reposição hormonal, quando existe, é feita após avaliação clínica e exames, considerando os riscos e benefícios para cada mulher. ## Perguntas frequentes - Por que a cicatrização fica mais lenta com a idade? Porque as etapas da reparação ficam mais lentas: a inflamação, a migração das células e a formação de vasos e colágeno. Estudos sugerem que a queda do estrogênio tem papel importante, e doenças comuns na idade somam-se a esse atraso. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-lenta-com-idade/) - A menopausa afeta a cicatrização da pele? Sim. A queda do estrogênio reduz o colágeno e a espessura da pele e está associada a cicatrização mais lenta. Muitas mulheres percebem a pele mais frágil e machucados que demoram mais a fechar. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-menopausa-afeta-pele/) - Reposição hormonal melhora a cicatrização? Estudos de laboratório sugerem efeitos favoráveis do estrogênio na cicatrização, e a pesquisa em humanos segue em construção. A reposição não é indicada só para cicatrizar feridas; quando indicada para a menopausa, pode beneficiar a pele. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-reposicao-hormonal-melhora/) - Como cuidar da pele para cicatrizar melhor depois dos 50? Hidrate diariamente, proteja do sol e de traumas, mantenha proteína suficiente na alimentação, preserve a massa muscular com exercícios, controle glicose e pressão, não fume e procure avaliação cedo quando uma ferida não melhora. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-pele-depois-dos-50/) ## Dados e evidências - Há consenso de que a cicatrização no idoso é atrasada, mas o resultado final é qualitativamente semelhante ao de pessoas jovens. Fonte: Gosain A, World Journal of Surgery, 2004 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14961191/) - Em feridas de homens idosos comparadas às de jovens, 83% dos genes com expressão reduzida e 80% dos com expressão aumentada eram regulados por estrogênio; os autores concluem que o estrogênio é o principal regulador do atraso da cicatrização no idoso. Fonte: Hardman et al., Genome Biology, 2008 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18477406/) - A proporção de adultos com mais de 60 anos deve chegar a cerca de um sexto da população mundial em 2030, e mudanças na barreira da pele tornam essa população mais suscetível a dermatites e infecções. Fonte: Katoh et al., Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30365203/) - Idade e hormônios sexuais estão entre os fatores que interferem nas fases da cicatrização. Fonte: Guo e DiPietro, Journal of Dental Research, 2010 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/) ## Fala da médica "Como você vai chegar em 90 anos? Você pode chegar, mas como?" — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Gosain A. Aging and wound healing. World J Surg. 2004: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14961191/ - Hardman MJ et al. Estrogen, not intrinsic aging, is the major regulator of delayed human wound healing in the elderly. Genome Biol. 2008: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18477406/ - Katoh N et al. Gerontodermatology: the fragility of the epidermis in older adults. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30365203/ - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.