# Ferida que não cicatriza: quando se preocupar URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/ferida-que-nao-cicatriza-quando-se-preocupar/ Uma ferida que não mostra melhora em duas a quatro semanas merece avaliação médica para descobrir a causa. Quase sempre há um motivo por trás, como circulação, glicose, pressão local, infecção ou nutrição, e tratá-lo muda o rumo da cicatrização. ## O que é uma ferida crônica Ferida crônica é aquela que não avança pela sequência normal, ordenada e no tempo esperado de reparação, segundo a definição usada em uma revisão de 2020 da American Family Physician. Em vez de seguir de uma fase para a outra, ela permanece estacionada, com frequência presa a uma inflamação que não se resolve. O problema é comum e subestimado. Nos Estados Unidos, estima-se que feridas crônicas afetem a qualidade de vida de quase 2,5% da população, de acordo com o compêndio de 2021 publicado na Advances in Wound Care. Com o envelhecimento e o avanço do diabetes e da obesidade, a tendência é que o número cresça também no Brasil. ## Sinais de que é hora de procurar avaliação Alguns sinais indicam que a ferida precisa ser vista por um médico, sem esperar mais. Ausência de redução no tamanho após duas a quatro semanas de cuidados adequados; aumento da área ou da profundidade; dor que cresce; secreção abundante, turva ou com cheiro forte; vermelhidão que se espalha; e bordas que escurecem ou ficam endurecidas. Em pessoas com diabetes, qualquer ferida no pé deve ser avaliada logo, mesmo sem dor, porque a perda de sensibilidade esconde a gravidade. Febre, calafrios, vermelhidão que avança rapidamente ou pele que fica escura e fria são sinais de urgência e pedem pronto atendimento. Também merece atenção a ferida que já fechou e reabriu mais de uma vez no mesmo lugar. Esse padrão costuma indicar que a causa de fundo, seja pressão, circulação ou atrito, continua presente, e que o problema não foi resolvido apenas porque a pele se fechou temporariamente. ## As causas mais comuns por trás da demora As úlceras crônicas de membros inferiores costumam ter quatro origens principais: arterial, diabética, por pressão e venosa. Cada uma tem mecanismo, aparência e tratamento diferentes. A úlcera venosa pede compressão; a arterial, avaliação vascular imediata; a do pé diabético, alívio de carga; a por pressão, retirada da pressão sobre a área. A revisão da American Family Physician recomenda que toda pessoa com úlcera de perna que não cicatriza passe por avaliação vascular, incluindo palpação dos pulsos do pé e medida do índice tornozelo-braquial, e que feridas de aspecto atípico sejam biopsiadas. Esse cuidado evita tratar como simples uma lesão que tem outra natureza. ## O que você pode fazer enquanto aguarda a avaliação Algumas medidas simples protegem a ferida até a consulta. Lave as mãos antes de qualquer cuidado, limpe a ferida com soro fisiológico ou água corrente limpa e mantenha-a coberta com um curativo limpo, trocado sempre que estiver molhado ou sujo. Evite produtos caseiros, pós, pomadas sem orientação e antissépticos agressivos usados repetidamente, que podem irritar o tecido novo. Se a ferida está na perna, eleve-a ao descansar, a menos que a dor piore com a elevação, o que sugere problema arterial. Se está no pé, evite apoiar o peso sobre ela. Se está em área de apoio de quem passa muito tempo deitado ou sentado, alivie a pressão mudando a posição com frequência. Anote há quanto tempo a ferida existe, o que já foi usado e como ela mudou, e leve fotos e exames recentes. Essas informações aceleram o diagnóstico. ## O que acontece no organismo Uma ferida crônica raramente é um problema só da pele. Ela costuma estar associada a doenças como diabetes, alterações vasculares, hipertensão e doença renal crônica, como aponta o compêndio da Advances in Wound Care. Desnutrição, tabagismo, alguns medicamentos e imobilidade também pesam. Por isso, o cuidado local, embora essencial, é só metade do caminho. O princípio TIME, usado mundialmente, organiza essa parte: tratar o tecido inviável (desbridamento), controlar infecção, equilibrar a umidade e cuidar das bordas. A outra metade é corrigir o que o organismo está fazendo para atrasar a reparação. ## Como a Sanare conduz a investigação Na Sanare Clinic, em São Paulo, a avaliação de uma ferida que não cicatriza começa por uma conversa longa e um exame detalhado da lesão, da pele ao redor e da circulação. Revisamos exames, glicose, estado nutricional, medicamentos em uso e hábitos, e definimos quais investigações complementares fazem sentido para o seu caso. A condução fica com a Dra. Vânia Declair Cohen, que construiu sua trajetória no cuidado de feridas e publica sobre cicatrização desde 1994. Quando a avaliação indica necessidade de cirurgia vascular, internação ou outro especialista, o encaminhamento é feito sem demora, e o acompanhamento segue integrado. Não há promessa de prazo: o objetivo é remover os obstáculos e acompanhar a resposta de perto. ## Perguntas frequentes - Com quantas semanas uma ferida é considerada crônica? Não há um corte universal, mas muitas referências consideram crônica a ferida que não avança de forma ordenada ou não mostra redução clara em cerca de quatro semanas de cuidado adequado. O mais importante é a evolução, e não só o calendário. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-cronica-quantas-semanas/) - Ferida que não fecha pode ser câncer de pele? Raramente, mas pode. Lesões de aspecto atípico, que sangram com facilidade, têm bordas elevadas ou não respondem ao tratamento habitual devem ser avaliadas e, quando indicado, biopsiadas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-nao-fecha-cancer/) - Trocar de pomada resolve uma ferida que não cicatriza? Raramente sozinho. A ferida que não fecha costuma ter uma causa de fundo, como circulação, glicose, pressão ou infecção, que precisa ser identificada e tratada junto com o cuidado local. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-trocar-pomada-resolve/) - Quem devo procurar para tratar uma ferida crônica? Um médico com experiência em feridas, que avalie a causa e coordene o cuidado com outros especialistas quando necessário, como cirurgião vascular ou endocrinologista. O acompanhamento frequente faz diferença. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-quem-procurar-ferida-cronica/) ## Dados e evidências - Feridas crônicas afetam a qualidade de vida de quase 2,5% da população dos Estados Unidos e costumam estar associadas a diabetes, déficits vasculares, hipertensão e doença renal crônica. Fonte: Sen CK, Advances in Wound Care, 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33733885/) - Toda pessoa com úlcera de membro inferior que não cicatriza deve ter avaliação vascular com palpação dos pulsos do pé e medida do índice tornozelo-braquial; feridas atípicas devem ser biopsiadas. Fonte: Bowers e Franco, American Family Physician, 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/) - O tratamento base de feridas crônicas segue o princípio TIME: desbridamento do tecido, controle de infecção, equilíbrio da umidade e cuidado das bordas. Fonte: Bowers e Franco, American Family Physician, 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/) - Falhas em qualquer fase da cicatrização podem promover o desenvolvimento de feridas crônicas. Fonte: Almadani et al., Seminars in Plastic Surgery, 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34526860/) ## Fontes - Sen CK. Human Wound and Its Burden: Updated 2020 Compendium of Estimates. Adv Wound Care. 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33733885/ - Bowers S, Franco E. Chronic Wounds: Evaluation and Management. Am Fam Physician. 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/ - Almadani YH et al. Wound Healing: A Comprehensive Review. Semin Plast Surg. 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34526860/ - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.