# Pé diabético: prevenção e cuidado das feridas URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/pe-diabetico-prevencao-e-cuidado/ Pé diabético é o conjunto de alterações nos pés de quem tem diabetes que favorece feridas, infecções e amputações. A prevenção diária e o cuidado rápido de qualquer lesão são as medidas que mais protegem os seus pés. ## Por que o diabetes ameaça os pés O diabetes afeta os pés por três caminhos que se somam. A neuropatia reduz a sensibilidade, e a pessoa deixa de perceber uma pedra no sapato, uma bolha ou uma queimadura. A doença arterial diminui o fluxo de sangue, o que dificulta a reparação. E a glicose alta prejudica a defesa contra infecções e o funcionamento das células que reconstroem o tecido. Um comentário publicado em 2007 no Journal of Clinical Investigation resume o impacto: úlceras nos pés acometem cerca de 15% das pessoas com diabetes e precedem 84% das amputações de membros inferiores relacionadas à doença. No Brasil, o Vigitel 2023 registrou diagnóstico médico de diabetes em 10,2% dos adultos das capitais. ## Um problema que tende a voltar A ferida no pé diabético não é só difícil de fechar; ela também tende a reaparecer. Uma metanálise de 2019 no International Wound Journal, citando dados de revisão do New England Journal of Medicine, estima que cerca de 40% das pessoas têm recorrência em até um ano após a cicatrização, quase 60% em três anos e 65% em cinco anos. Por isso especialistas falam em "remissão" em vez de alta definitiva. Depois que a ferida fecha, o trabalho muda de foco: calçado adequado, inspeção diária, cuidado da pele e das unhas, controle da glicose e reavaliações periódicas passam a ser parte da rotina. ## A rotina que protege os pés O NIDDK, instituto de diabetes dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, orienta examinar os pés todos os dias, de preferência à noite ao tirar os sapatos, incluindo entre os dedos; usar espelho ou pedir ajuda se for difícil enxergar; nunca andar descalço, nem dentro de casa; conferir o interior do sapato antes de calçar; e usar meias limpas, bem ajustadas e de preferência sem costura. As unhas devem ser cortadas retas, sem aprofundar nos cantos, e quem não alcança os pés ou tem unhas grossas deve recorrer a um profissional. Calos, rachaduras e bolhas são lesões pré-ulcerativas e merecem tratamento, e não remédios caseiros ou lâminas. A pele também precisa de atenção. Hidrate pernas e pés diariamente, mas não entre os dedos, onde a umidade favorece fungos e rachaduras. Seque bem os pés depois do banho e teste a temperatura da água com o cotovelo, nunca com o pé, para evitar queimaduras que passariam despercebidas. ## O que as diretrizes internacionais recomendam As diretrizes de 2023 do International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF) recomendam rastrear anualmente a perda de sensibilidade protetora e a doença arterial periférica em quem tem risco muito baixo, e com maior frequência em quem tem risco mais alto. Para prevenir úlceras, orientam educar sobre autocuidado, não andar sem proteção nos pés e tratar qualquer lesão pré-ulcerativa. Para pessoas com risco moderado a alto, o documento recomenda calçado terapêutico adequado e, em alguns casos, o monitoramento da temperatura da pele do pé. São medidas simples, mas que dependem de acompanhamento regular para funcionar. Na prática, isso significa que a frequência das consultas acompanha o risco: quem tem sensibilidade preservada e boa circulação pode ser examinado uma vez por ano, enquanto quem já teve úlcera precisa de reavaliações muito mais próximas. ## Quando já existe uma ferida Qualquer ferida no pé de quem tem diabetes deve ser vista rapidamente, mesmo que não doa. O tratamento envolve alívio da pressão sobre a área, limpeza e remoção de tecido inviável, controle de infecção, avaliação da circulação e controle rigoroso da glicose. Uma revisão de 2024 na Lancet Diabetes & Endocrinology reforça que o resultado depende do acesso a cuidado multidisciplinar. Sinais de urgência incluem vermelhidão que se espalha, inchaço, calor, secreção, cheiro forte, pele escura e febre. Nesses casos, a avaliação deve ser imediata, em pronto atendimento se necessário. Enquanto aguarda a avaliação, evite pisar sobre a ferida, mantenha-a limpa e coberta e não use produtos caseiros. ## O cuidado do pé diabético na Sanare Na Sanare Clinic, em São Paulo, a avaliação do pé inclui pele, unhas, sensibilidade, pulsos e circulação, além da revisão do controle glicêmico, dos medicamentos e do estado nutricional. A Dra. Vânia Declair Cohen tem experiência com feridas desde a enfermagem e é coautora de uma revisão de 2022 sobre a podiatria clínica no planejamento do cuidado a pessoas com diabetes. Para quem deseja acompanhamento semanal do metabolismo, o Programa Compasso, de 12 semanas, reúne consultas, interconsultas e bioimpedância mensal, sempre integrado ao endocrinologista ou clínico que já acompanha você. Casos com infecção profunda ou isquemia grave são encaminhados sem demora. ## Perguntas frequentes - Quais são os primeiros sinais de pé diabético? Formigamento, dormência, queimação ou perda de sensibilidade nos pés, pele muito seca e rachada, calos, alteração da cor, pés frios e feridas que demoram a fechar. Muitas vezes os sinais são silenciosos, por isso o exame regular é essencial. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-pe-diabetico-primeiros-sinais/) - Quem tem diabetes pode cortar a unha do pé em casa? Pode, se enxerga e alcança bem os pés e tem unhas normais: corte reto, sem aprofundar nos cantos. Se as unhas são grossas, encravadas ou se há dificuldade de visão ou de alcance, o corte deve ser feito por um profissional. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-diabetes-cortar-unha-pe/) - Ferida no pé de diabético é urgência? Toda ferida no pé de quem tem diabetes deve ser avaliada rapidamente, em poucos dias. Se houver vermelhidão que se espalha, inchaço, secreção, cheiro forte, pele escura ou febre, é urgência e pede atendimento imediato. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-pe-diabetico-urgencia/) - Qual o melhor calçado para quem tem diabetes? Um calçado fechado, confortável, com espaço para os dedos, sem costuras internas e com sola que proteja contra objetos. Para quem tem risco moderado a alto, pode ser indicado calçado terapêutico ou palmilha sob medida após avaliação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-calcado-diabetes/) ## Dados e evidências - Úlceras nos pés ocorrem em cerca de 15% das pessoas com diabetes e precedem 84% das amputações de membros inferiores relacionadas ao diabetes. Fonte: Brem e Tomic-Canic, Journal of Clinical Investigation, 2007 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1857239) - Cerca de 40% das pessoas com úlcera de pé diabético têm recorrência em até 1 ano após a cicatrização, quase 60% em 3 anos e 65% em 5 anos. Fonte: Huang et al., International Wound Journal, 2019 (metanálise) (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7949075) - No conjunto das 27 capitais brasileiras, a frequência de diagnóstico médico de diabetes foi de 10,2% dos adultos em 2023. Fonte: Ministério da Saúde, Vigitel Brasil 2023 (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico) - As diretrizes IWGDF 2023 recomendam rastrear ao menos uma vez por ano perda de sensibilidade protetora e doença arterial periférica, educar para o autocuidado e tratar lesões pré-ulcerativas. Fonte: Bus et al., Diabetes/Metabolism Research and Reviews, 2024 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37302121/) ## Fontes - Brem H, Tomic-Canic M. Cellular and molecular basis of wound healing in diabetes. J Clin Invest. 2007: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1857239 - Huang ZH et al. Risk factors for the recurrence of diabetic foot ulcers among diabetic patients: a meta-analysis. Int Wound J. 2019: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7949075 - Bus SA et al. Guidelines on the prevention of foot ulcers in persons with diabetes (IWGDF 2023 update): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37302121/ - NIDDK. Diabetes and foot problems: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/preventing-problems/foot-problems - Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico - Jeffcoate WR et al. Causes, prevention, and management of diabetes-related foot ulcers. Lancet Diabetes Endocrinol. 2024: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38824929/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.