# Cigarro e cicatrização: o impacto do tabagismo nas feridas e cirurgias URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/tabagismo-e-cicatrizacao/ Fumar prejudica a cicatrização porque reduz o oxigênio que chega à pele e enfraquece a defesa contra infecções. Parar de fumar, idealmente semanas antes de uma cirurgia, diminui o risco de complicações na ferida. ## O que o cigarro faz com a ferida A cicatrização depende de oxigênio, e o cigarro reduz a oferta dele de várias formas. A nicotina contrai os pequenos vasos da pele, diminuindo o fluxo de sangue. O monóxido de carbono ocupa o lugar do oxigênio na hemoglobina, de modo que o sangue que chega carrega menos oxigênio. Outras substâncias da fumaça prejudicam as células de defesa, os fibroblastos que produzem colágeno e a formação de novos vasos. O resultado é um tecido que se reconstrói mais devagar, se defende pior de bactérias e, em casos mais graves, pode morrer por falta de oxigenação. Por isso o tabagismo aparece em todas as grandes revisões entre os fatores que mais atrapalham a cicatrização, ao lado de diabetes, infecção e desnutrição. Esses efeitos se somam aos de outras condições comuns em fumantes, como doença arterial periférica e doença pulmonar, que também reduzem a oxigenação dos tecidos. ## Os números da maior revisão sobre o tema Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2012 na Archives of Surgery comparou fumantes e não fumantes em 140 estudos de coorte, com 479.150 pacientes de diversas especialidades cirúrgicas. Nos fumantes, a chance ajustada de necrose foi 3,6 vezes maior; de atraso de cicatrização e abertura da ferida, 2,07 vezes; de infecção do sítio cirúrgico, 1,79 vez; e de complicações da ferida em geral, 2,27 vezes. O estudo também mostrou que ex-fumantes ainda tinham mais complicações do que quem nunca fumou, embora menos do que os fumantes atuais. Ou seja, o efeito do cigarro sobre os tecidos é grande e não desaparece imediatamente ao parar, o que reforça a importância de parar com antecedência. ## Parar antes da cirurgia faz diferença Na mesma revisão de 2012, quatro ensaios randomizados mostraram que intervenções para parar de fumar no período em torno da cirurgia reduziram as infecções do sítio cirúrgico (razão de chances 0,43), embora não tenham reduzido de forma significativa as outras complicações de cicatrização. Uma metanálise de 2021 publicada na eClinicalMedicine, com seis estudos e 914 pacientes, encontrou que parar de fumar pelo menos quatro semanas antes da cirurgia se associou a menos infecção da ferida operatória em comparação a continuar fumando (razão de chances 0,37), e a estimativa foi ainda mais favorável com seis semanas ou mais. Quem parou com pelo menos quatro semanas de antecedência teve taxas semelhantes às de não fumantes. O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos também inclui parar de fumar entre as medidas que o próprio paciente pode tomar antes de operar. ## O tabagismo no Brasil O Brasil reduziu bastante o tabagismo nas últimas décadas, mas ele continua relevante. No Vigitel 2023, inquérito do Ministério da Saúde nas 27 capitais, 9,3% dos adultos eram fumantes, 11,7% dos homens e 7,2% das mulheres. Somam-se a esse grupo os ex-fumantes, que, como mostram os estudos, ainda carregam algum risco aumentado. Para quem tem uma ferida crônica, uma úlcera nas pernas ou nos pés, ou vai passar por uma cirurgia, inclusive estética, o tabagismo é um dos fatores modificáveis com maior impacto. Diferente da idade ou da genética, é algo que pode mudar. ## E o cigarro eletrônico, o narguilé e a nicotina? Muitas pessoas trocam o cigarro tradicional pelo eletrônico ou pelo narguilé acreditando que o risco desaparece. Esses produtos também entregam nicotina, que contrai os vasos da pele, e no caso do narguilé há exposição importante a monóxido de carbono. Os estudos sobre cicatrização com esses produtos ainda são mais limitados do que com o cigarro comum, mas a recomendação prudente antes de cirurgias e durante o tratamento de feridas é evitar qualquer forma de fumo e de nicotina sem orientação. Quando a reposição de nicotina é usada como ferramenta para parar de fumar, a decisão sobre seu uso no período cirúrgico deve ser discutida com o médico, considerando os riscos e benefícios de cada caso. ## Como a Sanare apoia quem quer parar Na Sanare Clinic, em São Paulo, o tabagismo é abordado como parte do cuidado com feridas e do preparo para procedimentos. Conversamos sobre o padrão de consumo, a motivação e as tentativas anteriores, e definimos um plano que pode incluir apoio comportamental, tratamento medicamentoso quando indicado e encaminhamento a programas especializados. O acompanhamento semanal dos Programas Sanare de 12 semanas cria uma rotina de contato que ajuda a sustentar a mudança. Para quem tem uma ferida que não cicatriza, parar de fumar é uma das medidas que mais mudam o ambiente em que a ferida tenta se fechar. ## Perguntas frequentes - Quanto tempo antes da cirurgia devo parar de fumar? Quanto antes, melhor. Estudos mostram menos infecção da ferida quando a pessoa para pelo menos quatro semanas antes, e resultados ainda melhores com seis semanas ou mais. Parar mesmo mais perto da cirurgia ainda traz algum benefício. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-parar-fumar-antes-cirurgia/) - Cigarro eletrônico também atrapalha a cicatrização? Provavelmente sim. Ele entrega nicotina, que contrai os vasos da pele e reduz a oxigenação do tecido. Os estudos ainda são menos numerosos do que com o cigarro comum, por isso a orientação prudente é evitá-lo antes e depois de cirurgias e durante o tratamento de feridas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-cigarro-eletronico/) - Ex-fumante ainda tem mais risco de complicações na cicatrização? Um pouco, sim. Estudos mostram que ex-fumantes têm menos complicações do que fumantes, mas ainda mais do que quem nunca fumou. Cuidar de outros fatores, como glicose e nutrição, ajuda a reduzir esse risco. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ex-fumante-risco/) - Fumar atrapalha o resultado de procedimentos estéticos? Pode atrapalhar. O cigarro reduz a oxigenação da pele, aumenta o risco de complicações em cirurgias e prejudica a qualidade da cicatrização. Parar antes e durante a recuperação melhora as condições para um bom resultado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-fumar-procedimentos-esteticos/) ## Dados e evidências - Em 140 estudos com 479.150 pacientes, fumantes tiveram chance 3,6 vezes maior de necrose, 2,07 vezes maior de atraso de cicatrização e abertura da ferida e 1,79 vez maior de infecção do sítio cirúrgico do que não fumantes. Fonte: Sørensen LT, Archives of Surgery, 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22508785/) - Intervenções para parar de fumar no período cirúrgico reduziram infecções do sítio cirúrgico em ensaios randomizados (razão de chances 0,43). Fonte: Sørensen LT, Archives of Surgery, 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22508785/) - Parar de fumar pelo menos 4 semanas antes da cirurgia associou-se a menos infecção da ferida operatória do que continuar fumando (razão de chances 0,37; 6 estudos, 914 pacientes). Fonte: eClinicalMedicine, 2021 (revisão sistemática e metanálise) (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8571530/) - Em 2023, 9,3% dos adultos das 27 capitais brasileiras eram fumantes: 11,7% dos homens e 7,2% das mulheres. Fonte: Ministério da Saúde, Vigitel Brasil 2023 (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico) ## Fontes - Sørensen LT. Wound healing and infection in surgery: the clinical impact of smoking and smoking cessation. Arch Surg. 2012: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22508785/ - eClinicalMedicine 2021. Systematic review and meta-analysis on smoking and alcohol in fracture healing and postoperative infection: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8571530/ - Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico - CDC. About Surgical Site Infections: https://www.cdc.gov/surgical-site-infections/about/index.html - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.