# Úlcera arterial: a ferida causada pela falta de circulação URL: https://sanareclinic.com.br/lesoes-complexas-cicatrizacao/ulcera-arterial-falta-de-circulacao/ Úlcera arterial é a ferida que surge quando as artérias estreitadas não levam sangue suficiente para pés e pernas. Ela exige avaliação vascular rápida, porque sem fluxo de sangue a pele não tem como cicatrizar. ## Quando falta sangue, falta cicatrização Toda cicatrização depende de oxigênio e nutrientes levados pelo sangue. Na doença arterial periférica, as artérias das pernas ficam estreitadas por placas de gordura e cálcio, e o fluxo diminui. Em situações de esforço, os músculos sentem a falta de oxigênio; em casos avançados, a pele dos pés deixa de receber o mínimo necessário e qualquer ferida pode virar uma úlcera que não fecha. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) estima que mais de 8 milhões de pessoas com 40 anos ou mais tenham doença arterial periférica naquele país, e que só cerca de uma em cada quatro tenha o sintoma clássico de dor muscular ao caminhar. Ou seja, muitas pessoas convivem com a doença sem saber. Sem tratamento, a doença arterial avançada pode levar a dor em repouso, feridas e, nos casos mais graves, risco ao membro. ## Como reconhecer a úlcera arterial A úlcera arterial costuma surgir nos dedos, no dorso do pé, no calcanhar ou na região da canela, muitas vezes depois de um pequeno trauma, como um sapato apertado. Tem bordas bem delimitadas, aspecto de "recortada", fundo pálido e pouca secreção. A pele do pé tende a ficar fria, brilhante, sem pelos, com unhas espessas e coloração pálida ou arroxeada. A dor é característica: piora à noite e quando a perna é elevada, e alivia quando a pessoa deixa o pé pendente para fora da cama. Dor na panturrilha ao caminhar, que melhora com o repouso, chamada claudicação, é outro sinal frequente. Em pessoas com diabetes, os sinais podem ser menos típicos. A neuropatia pode mascarar a dor, e as artérias calcificadas às vezes alteram a medida do índice tornozelo-braquial, o que exige exames complementares. Por isso, no diabetes, qualquer ferida no pé deve incluir avaliação cuidadosa da circulação. ## Fatores de risco que se repetem Os principais fatores de risco da doença arterial periférica são tabagismo, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, idade e histórico de doença cardiovascular. O NHLBI destaca o cigarro e a pressão alta entre eles. No Brasil, o Vigitel 2023 registrou 9,3% de adultos fumantes nas capitais, e o diabetes é diagnosticado em cerca de um em cada dez adultos. Como as artérias das pernas costumam adoecer junto com as do coração e do cérebro, uma úlcera arterial é também um alerta sobre a saúde cardiovascular como um todo. O cuidado da ferida precisa vir acompanhado do controle desses fatores. ## Por que a avaliação vascular é prioridade A revisão de 2020 da American Family Physician sobre feridas crônicas é direta: pessoas com úlcera arterial devem ser encaminhadas imediatamente ao cirurgião vascular. Sem restabelecer o fluxo de sangue, por angioplastia, cirurgia ou outro procedimento, o curativo sozinho dificilmente leva à cicatrização. A avaliação inclui palpação dos pulsos do pé e medida do índice tornozelo-braquial, um exame simples que compara a pressão no tornozelo com a do braço. Esse cuidado também é essencial antes de qualquer compressão, que pode ser prejudicial em pernas com artérias obstruídas. Em pessoas com diabetes, exames complementares, como o ultrassom com Doppler, ajudam a esclarecer os casos em que a medida do índice não é confiável. ## Cuidados enquanto a circulação é tratada Enquanto o fluxo é avaliado e tratado, alguns cuidados protegem a ferida e o pé: manter a área limpa e protegida com curativo adequado, evitar umidade excessiva, não usar bolsas de água quente ou aquecedores, já que a sensibilidade pode estar reduzida, usar calçados largos e macios e não andar descalço. Parar de fumar é a medida individual de maior impacto. Controlar glicose, pressão e colesterol, e caminhar dentro do que for orientado, também fazem parte do tratamento. Quando a circulação melhora após o tratamento vascular, o cuidado da ferida ganha outra dinâmica: a lesão passa a ter condições de produzir tecido novo, e o curativo pode ser ajustado para estimular essa fase. Esse é um momento de acompanhamento próximo, com reavaliações frequentes. ## O papel da Sanare Na Sanare Clinic, em São Paulo, toda ferida de perna e pé passa por exame da circulação antes da definição do tratamento. Quando há sinais de doença arterial, o encaminhamento ao cirurgião vascular é feito com prioridade, e a clínica segue acompanhando o cuidado local da ferida, a pele e os fatores metabólicos de forma integrada. Para quem convive com hipertensão, diabetes ou colesterol alto, o Programa Compasso oferece 12 semanas de acompanhamento semanal, com consultas, interconsultas e bioimpedância mensal, sempre em conjunto com os especialistas que já cuidam de você. ## Perguntas frequentes - Como saber se a ferida na perna é por falta de circulação? Pistas incluem ferida nos dedos ou no pé, bordas bem definidas, pé frio e pálido, ausência de pulsos e dor que piora à noite com a perna elevada. A confirmação vem do exame dos pulsos e do índice tornozelo-braquial. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ferida-falta-circulacao-como-saber/) - Úlcera arterial cicatriza só com curativo? Geralmente não. Sem restabelecer o fluxo de sangue, a pele não recebe oxigênio suficiente para se reconstruir. O curativo protege a ferida, mas a avaliação e o tratamento vascular são prioridade. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-ulcera-arterial-so-curativo/) - Dor na perna ao caminhar tem relação com feridas? Pode ter. Dor na panturrilha que surge ao caminhar e alivia com o repouso, chamada claudicação, é um sinal de doença arterial periférica, que aumenta o risco de feridas de difícil cicatrização nos pés. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-dor-perna-caminhar-feridas/) - Posso usar bolsa de água quente no pé com má circulação? Não é recomendado. Com circulação ruim e, muitas vezes, sensibilidade reduzida, o calor direto pode causar queimaduras que não são percebidas e cicatrizam com dificuldade. Prefira meias e cobertores. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cicatrizacao-bolsa-agua-quente-ma-circulacao/) ## Dados e evidências - Pessoas com úlcera arterial devem ser encaminhadas imediatamente a um cirurgião vascular; toda úlcera de membro inferior que não cicatriza deve ter avaliação vascular com índice tornozelo-braquial. Fonte: Bowers e Franco, American Family Physician, 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/) - Mais de 8 milhões de pessoas com 40 anos ou mais têm doença arterial periférica nos Estados Unidos, e cerca de 1 em cada 4 apresenta dor muscular ao caminhar. Fonte: NHLBI, National Institutes of Health (https://www.nhlbi.nih.gov/health/peripheral-artery-disease) - No conjunto das 27 capitais brasileiras, 9,3% dos adultos eram fumantes em 2023 (11,7% dos homens e 7,2% das mulheres). Fonte: Ministério da Saúde, Vigitel Brasil 2023 (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico) ## Fala da médica "Eu peco pelo excesso sempre." — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Bowers S, Franco E. Chronic Wounds: Evaluation and Management. Am Fam Physician. 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32003952/ - NHLBI. Peripheral Artery Disease: https://www.nhlbi.nih.gov/health/peripheral-artery-disease - Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2023: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2023-vigilancia-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas-por-inquerito-telefonico - Guo S, DiPietro LA. Factors affecting wound healing. J Dent Res. 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20139336/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.