# Saúde do fígado e longevidade: a gordura que ninguém sente URL: https://sanareclinic.com.br/longevidade/saude-do-figado-gordura-no-figado/ A gordura no fígado atinge cerca de um em cada três adultos no mundo e costuma não dar sintomas. Ela é um sinal de alerta do metabolismo, e a redução de peso e de gordura visceral, bem acompanhada, pode fazer o quadro regredir. ## Um órgão central para a longevidade O fígado participa de quase tudo o que o metabolismo faz. Ele armazena e libera glicose, produz colesterol e proteínas, processa gorduras, metaboliza medicamentos e hormônios e neutraliza substâncias tóxicas. Quando ele está sobrecarregado, o corpo inteiro sente. Por isso, o fígado é um dos eixos que a Dra. Vânia Declair Cohen avalia em todo paciente de longevidade, ao lado de mitocôndria, intestino e suprarrenal. Um fígado saudável é parte da base para um metabolismo equilibrado ao longo das décadas. O problema é que o fígado quase não dói. Ele pode acumular gordura e inflamação por anos sem causar sintomas, e muitas vezes a primeira pista aparece num ultrassom pedido por outro motivo ou em exames de rotina com enzimas levemente alteradas. ## Uma condição muito comum, especialmente na América Latina A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, que muitos ainda chamam de esteatose ou gordura no fígado, é a doença hepática mais comum do mundo. Uma revisão sistemática publicada na Hepatology estimou prevalência global de cerca de 30% em adultos. Na América Latina, a estimativa foi de 44%, a mais alta entre as regiões analisadas. Em 2023, sociedades internacionais de hepatologia adotaram um novo nome para a condição: MASLD, sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. A mudança reforça a ligação com o metabolismo: para o diagnóstico, além da gordura no fígado, é preciso haver pelo menos um de cinco fatores de risco cardiometabólico, como excesso de peso, glicose alterada, pressão alta ou alterações de colesterol e triglicerídeos. ## Quando a gordura vira problema Nem toda gordura no fígado evolui mal. Em muitas pessoas, ela permanece estável por anos. Em outras, surge inflamação, chamada esteato-hepatite, que pode levar a cicatrizes no órgão, a fibrose. A fibrose é o fator que mais pesa no futuro. Um estudo que acompanhou pacientes com biópsia por longos anos mostrou que o estágio de fibrose, e não outros achados, se associou de forma independente a mortalidade, transplante e complicações do fígado. Quanto mais avançada a fibrose, maior o risco. Além disso, a gordura no fígado acompanha frequentemente a resistência à insulina, o diabetes tipo 2 e as doenças cardiovasculares, que são, na prática, as principais causas de complicação em quem tem esse diagnóstico. Cuidar do fígado é também cuidar do coração. ## Como o fígado é avaliado A investigação combina história clínica, exame físico e exames. Na conversa, entram consumo de álcool, uso de medicamentos e suplementos, histórico de diabetes, colesterol e peso. No exame físico, a circunferência abdominal é especialmente informativa. Os exames de sangue incluem enzimas hepáticas, como TGO, TGP e GGT, além de glicose, insulina em contextos selecionados, perfil lipídico e plaquetas. Enzimas normais não excluem gordura no fígado. O ultrassom é o exame de imagem mais usado para identificar a esteatose. Para estimar o risco de fibrose, há escores calculados a partir de exames de rotina e métodos como a elastografia, que mede a rigidez do fígado sem biópsia. A escolha depende do caso, e a interpretação conjunta orienta se é necessário encaminhar ao hepatologista. ## O que faz o fígado melhorar A intervenção com melhor evidência é a perda de peso com mudança de estilo de vida. Um estudo publicado na Gastroenterology acompanhou pacientes com esteato-hepatite por um ano. Entre os que perderam 10% ou mais do peso, 90% tiveram resolução da esteato-hepatite e 45% tiveram regressão da fibrose. Mesmo perdas de 5% já se associaram a melhora importante. O exercício físico ajuda mesmo quando a perda de peso é pequena, porque reduz a gordura visceral e melhora a sensibilidade à insulina. Na alimentação, reduzir açúcar, bebidas adoçadas, ultraprocessados e álcool tem grande impacto. Quando indicado pela médica, o tratamento da obesidade com medicamentos modernos e o controle de diabetes, pressão e colesterol completam o cuidado. A preservação de massa muscular durante o emagrecimento é fundamental para que o metabolismo não piore. ## O fígado no Programa Sanare Na Sanare Clinic, em São Paulo, a avaliação do fígado faz parte da consulta inicial de longevidade, de cerca de duas horas. A Dra. Vânia Declair Cohen investiga hábitos, medicamentos, metabolismo e composição corporal, e escolhe os exames adequados para entender o seu caso. Quando há gordura no fígado, o plano foca nas causas: excesso de gordura visceral, resistência à insulina, sedentarismo, alimentação e consumo de álcool. O Programa Sanare de 12 semanas oferece visita semanal, três consultas, duas interconsultas e bioimpedância mensal para acompanhar a redução de gordura com preservação de massa muscular. Os exames são repetidos no tempo adequado para mostrar a evolução. E, quando a investigação aponta fibrose mais avançada, o encaminhamento ao especialista faz parte do cuidado. ## Perguntas frequentes - Gordura no fígado pode regredir? Em muitos casos, a gordura no fígado regride com perda de peso, exercício e mudança alimentar. Estudos mostram que perdas de 5% a 10% do peso melhoram inflamação e, em parte dos pacientes, até a fibrose. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/longevidade-figado-gordura-regride/) - Quais exames mostram gordura no fígado? O ultrassom de abdômen é o exame mais usado para identificar a gordura no fígado. Exames de sangue, escores de risco e a elastografia ajudam a avaliar inflamação e fibrose, que definem a gravidade. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/longevidade-figado-exames-gordura/) - Quem tem gordura no fígado pode beber álcool? O álcool é processado pelo fígado e soma agressão a um órgão já sobrecarregado. Para quem tem gordura no fígado, a recomendação geral é reduzir ao máximo, e em casos com inflamação ou fibrose, evitar. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/longevidade-figado-alcool/) - Gordura no fígado tem relação com diabetes? Sim. A gordura no fígado está fortemente ligada à resistência à insulina e ao diabetes tipo 2, e uma condição costuma agravar a outra. Por isso, quem tem uma deve ser avaliado para a outra. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/longevidade-figado-relacao-diabetes/) ## Dados e evidências - A prevalência global da doença gordurosa do fígado foi estimada em 30,05% dos adultos; na América Latina, em 44,37%. Fonte: Younossi et al., Hepatology 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36626630/) - Entre pacientes com esteato-hepatite que perderam 10% ou mais do peso, 90% tiveram resolução da inflamação e 45% regressão da fibrose em 52 semanas. Fonte: Vilar-Gomez et al., Gastroenterology 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25865049/) - Na doença gordurosa do fígado, o estágio de fibrose foi o único achado da biópsia associado de forma independente a mortalidade e eventos hepáticos; no estágio 4, o risco de morte ou transplante foi 10,9 vezes maior. Fonte: Angulo et al., Gastroenterology 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25935633/) - A nova definição de 2023 (MASLD) exige gordura no fígado e pelo menos 1 de 5 fatores de risco cardiometabólico. Fonte: Rinella et al., Hepatology 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37363821/) ## Fontes - The global epidemiology of NAFLD and NASH: a systematic review (Hepatology, 2023): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36626630/ - A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature (Hepatology, 2023): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37363821/ - Weight loss through lifestyle modification reduces features of NASH (Gastroenterology, 2015): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25865049/ - Liver fibrosis is associated with long-term outcomes in NAFLD (Gastroenterology, 2015): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25935633/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.