# Alergia, intolerância alimentar e teste de IgG: como diferenciar URL: https://sanareclinic.com.br/medicina-integrativa/alergia-intolerancia-e-teste-igg/ Alergia alimentar é uma reação do sistema imune que pode ser grave; intolerância é uma dificuldade de digerir um alimento. O teste de IgG para alimentos não diagnostica nenhuma das duas e pode levar a restrições desnecessárias. ## Três coisas diferentes com nomes parecidos Alergia alimentar é uma reação do sistema imune a uma proteína do alimento, geralmente mediada por anticorpos do tipo IgE. Os sintomas aparecem minutos a poucas horas após a ingestão: coceira, urticária, inchaço de lábios e olhos, vômitos, chiado no peito e, nos casos graves, anafilaxia, que é uma emergência. Intolerância alimentar não envolve o sistema imune dessa forma. O exemplo clássico é a intolerância à lactose, em que falta a enzima que digere o açúcar do leite, levando a gases, inchaço e diarreia. Os sintomas dependem da quantidade ingerida e não são perigosos. Há ainda outras situações: a doença celíaca, uma doença autoimune desencadeada pelo glúten; a sensibilidade aos FODMAPs na síndrome do intestino irritável; e reações a aditivos. Cada uma tem diagnóstico e manejo próprios, e misturá-las leva a erros. ## Muita gente acha que tem alergia sem ter A percepção de alergia alimentar é muito maior do que a alergia real. Um estudo nacional publicado no JAMA Network Open, com mais de 40 mil adultos americanos, estimou que 10,8% tinham alergia alimentar convincente, com sintomas compatíveis com reação mediada por IgE, enquanto 19% acreditavam ter alergia alimentar. O mesmo estudo trouxe um dado que muitos desconhecem: 48% dos adultos com alergia alimentar desenvolveram a alergia já na vida adulta, e frutos do mar foram o alérgeno mais comum. Ou seja, alergias novas podem surgir depois dos 30, 40 ou 50 anos e precisam ser levadas a sério. Os autores concluem que é crucial que adultos com suspeita de alergia façam testes confirmatórios adequados e recebam orientação, para que alimentos não sejam retirados sem necessidade. Restrições desnecessárias empobrecem a dieta, dificultam a vida social e podem levar a deficiências nutricionais. ## Por que o teste de IgG não serve para diagnóstico O teste de IgG ou IgG4 para alimentos, muito vendido como exame de intolerância ou sensibilidade alimentar, não tem valor diagnóstico. A Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, a EAACI, publicou um relatório de força-tarefa afirmando que o teste não é recomendado como ferramenta diagnóstica. O motivo é simples: a presença de IgG4 contra um alimento indica que o organismo foi exposto repetidamente a ele e o reconheceu, o que é um sinal de tolerância imunológica, e não de reação. Por isso, os alimentos que você mais consome tendem a aparecer como positivos. Muitas amostras dão resultado positivo sem nenhum sintoma correspondente. Na prática, o teste costuma gerar listas longas de alimentos a evitar, sem relação com os sintomas reais. Isso pode levar a dietas muito restritivas, ansiedade em relação à comida, perda de massa muscular e deficiências, além de atrasar o diagnóstico verdadeiro. ## Como se faz o diagnóstico correto O diagnóstico começa pela história clínica detalhada: que alimento, quanto, em quanto tempo os sintomas aparecem, quais sintomas, se se repetem sempre e o que melhora. Essa conversa já separa a maior parte dos casos. Para suspeita de alergia mediada por IgE, os exames validados são a dosagem de IgE específica no sangue e os testes cutâneos, interpretados por quem conhece suas limitações. Em casos duvidosos, o teste de provocação oral supervisionado por alergista é o padrão de referência. Para doença celíaca, a sorologia deve ser feita enquanto a pessoa ainda consome glúten, como recomenda a diretriz do American College of Gastroenterology para quem tem sintomas intestinais com diarreia. Para intolerância à lactose, a história e o teste de retirada e reintrodução costumam ser suficientes, e há testes respiratórios. Para sintomas intestinais funcionais, uma estratégia estruturada como a dieta pobre em FODMAPs com reintrodução identifica os gatilhos reais. ## Como a Sanare investiga reações a alimentos Na Sanare Clinic, a investigação de reações a alimentos parte da história, não de painéis. A Dra. Vânia Declair Cohen dedica parte da consulta inicial, de cerca de duas horas, a entender o que acontece depois de comer, os sintomas digestivos e de pele, o padrão alimentar e as restrições que você já fez. Exames validados são solicitados quando há indicação, como sorologia para doença celíaca. Quando há suspeita de alergia com risco de reação grave, a paciente é encaminhada ao alergista. Testes de IgG para alimentos não fazem parte da investigação. Quando a avaliação aponta para uma intolerância ou sensibilidade, o plano usa estratégias de retirada e reintrodução com prazo definido, para chegar à dieta mais ampla possível. Nos Programas Sanare de 12 semanas, a visita semanal acompanha esse processo, e a bioimpedância mensal ajuda a verificar se as mudanças alimentares estão preservando a massa muscular. ## Perguntas frequentes - Teste de intolerância alimentar IgG funciona? Não. A academia europeia de alergia não recomenda o teste de IgG4 para diagnóstico, porque ele reflete exposição e tolerância ao alimento, e não reação. Ele costuma gerar restrições desnecessárias. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-teste-igg-alimentos/) - Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar? Alergia é uma reação do sistema imune, rápida e potencialmente grave, mesmo com pequenas quantidades. Intolerância é dificuldade de digerir o alimento, depende da quantidade e causa sintomas digestivos, sem risco de vida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-alergia-x-intolerancia/) - É possível desenvolver alergia alimentar depois de adulto? Sim. Um estudo com mais de 40 mil adultos mostrou que quase metade dos adultos com alergia alimentar a desenvolveu já na vida adulta, com frutos do mar como alérgeno mais comum. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-alergia-alimentar-adulto/) - Como descobrir quais alimentos me fazem mal? O caminho é a história clínica detalhada, um diário alimentar e de sintomas e exames validados quando indicados. Estratégias de retirada e reintrodução, com prazo definido, identificam os gatilhos reais. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-como-diagnosticar-intolerancia/) ## Dados e evidências - Em mais de 40 mil adultos dos EUA, 10,8% tinham alergia alimentar convincente, mas 19,0% acreditavam ter; 48% dos alérgicos desenvolveram a alergia na vida adulta. Fonte: Gupta et al., JAMA Netw Open, 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30646188/) - A força-tarefa da EAACI concluiu que IgG4 contra alimentos não indica alergia ou intolerância, mas exposição e tolerância, e não recomenda o teste como ferramenta diagnóstica. Fonte: Stapel et al., Allergy, 2008 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18489614/) - A diretriz do ACG recomenda sorologia para doença celíaca em pessoas com sintomas de intestino irritável e diarreia. Fonte: ACG Clinical Guideline, 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33315591/) - No Reino Unido, a incidência de doença celíaca aumentou 2,19 vezes entre 2000–2002 e 2017–2019. Fonte: Conrad et al., Lancet, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37156255/) ## Fontes - Gupta RS et al. Prevalence and Severity of Food Allergies Among US Adults. JAMA Netw Open. 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30646188/ - Stapel SO et al. Testing for IgG4 against foods is not recommended as a diagnostic tool: EAACI Task Force Report. Allergy. 2008: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18489614/ - Lacy BE et al. ACG Clinical Guideline: Management of IBS. Am J Gastroenterol. 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33315591/ - Conrad N et al. Incidence, prevalence, and co-occurrence of autoimmune disorders. Lancet. 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37156255/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.