# Fitoterapia baseada em evidência: quando as plantas ajudam URL: https://sanareclinic.com.br/medicina-integrativa/fitoterapia-baseada-em-evidencia/ Fitoterapia é o uso de plantas medicinais e seus derivados como tratamento, e alguns fitoterápicos têm boa evidência para usos específicos. Como qualquer medicamento, eles exigem indicação, dose, padronização e atenção a interações. ## Planta medicinal não é o mesmo que fitoterápico Planta medicinal é a espécie vegetal usada com finalidade terapêutica, como folhas, flores ou raízes em chás e preparações caseiras. Fitoterápico é o produto obtido dessa planta com composição padronizada, dose definida e controle de qualidade, registrado ou notificado na Anvisa. A Portaria nº 971/2006, que criou a política de práticas integrativas no SUS, define a fitoterapia como uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas. A diferença tem consequência prática. A concentração dos princípios ativos de uma planta varia conforme espécie, cultivo, época de colheita, parte usada e forma de preparo. Um chá pode ter muito ou quase nada da substância que interessa. O fitoterápico padronizado permite saber o que se está tomando e repetir o efeito. Também há o problema da identificação: plantas com nomes populares iguais podem ser espécies diferentes, com efeitos e riscos distintos. ## A fitoterapia no Brasil e no SUS O Brasil tem uma das maiores biodiversidades do mundo e uma longa tradição no uso de plantas medicinais, e isso se reflete na política pública. Em 2009, o Ministério da Saúde criou a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, a ReniSUS, com 71 espécies vegetais com potencial terapêutico, usada como referência para pesquisa e desenvolvimento. Segundo o Ministério, o SUS oferece hoje doze medicamentos fitoterápicos que constam no Anexo I da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, a Rename. Isso significa que esses produtos passaram por avaliação e estão disponíveis como medicamentos na rede pública. Estar na ReniSUS, porém, não significa ter eficácia comprovada para todas as indicações populares. A lista reúne espécies com potencial, e muitas ainda aguardam estudos clínicos robustos. A tradição de uso é um ponto de partida para a pesquisa, não a prova final. ## Onde há evidência de benefício Alguns fitoterápicos têm evidência razoável para usos específicos. O óleo de hortelã-pimenta em cápsulas foi superior ao placebo para sintomas globais e dor na síndrome do intestino irritável em uma meta-análise com 10 ensaios e 1.030 pacientes, publicada na Alimentary Pharmacology and Therapeutics, embora com mais azia e evidência de qualidade muito baixa. Na enxaqueca, a diretriz da Academia Americana de Neurologia e da Sociedade Americana de Cefaleia classificou o extrato de tanaceto como provavelmente eficaz na prevenção, com nível B de evidência. O gengibre tem estudos para náuseas em situações específicas. O padrão desses exemplos é claro: a evidência é para uma planta, em uma forma e dose específicas, para uma condição específica. Ela não se estende automaticamente para outras formas de uso, outras doses ou outras queixas. É assim que a fitoterapia baseada em evidência se diferencia da indicação genérica de plantas para tudo. ## Riscos que costumam ser esquecidos O maior mito da fitoterapia é que, por ser natural, não faz mal. Fitoterápicos contêm substâncias ativas e, justamente por isso, podem causar efeitos adversos e interações. Na rede americana de vigilância de lesão hepática, o DILIN, a proporção de lesões do fígado causadas por suplementos e fitoterápicos subiu de 7% para 20% dos casos ao longo do período estudado, com evolução mais grave em mulheres de meia-idade. Alguns exemplos conhecidos: a erva-de-são-joão reduz o efeito de anticoncepcionais, anticoagulantes e outros medicamentos; plantas com efeito sobre a coagulação, como ginkgo, podem aumentar sangramentos; a kava foi associada a lesão hepática; e extratos de alguns produtos, como o petasites usado para enxaqueca, levantaram preocupações de segurança conforme a forma de preparo. Gravidez, amamentação, doenças do fígado e dos rins, uso de anticoagulantes e cirurgias próximas exigem cuidado redobrado com qualquer fitoterápico. ## Como a Sanare usa a fitoterapia Na Sanare Clinic, fitoterápicos são tratados como medicamentos: entram com indicação, dose, forma padronizada e tempo de uso definidos. A Dra. Vânia Declair Cohen pergunta, em toda consulta inicial, sobre chás, plantas e fórmulas que você usa, porque eles fazem parte do quadro e podem interagir com outros tratamentos. Quando um fitoterápico faz sentido, a escolha considera a evidência para a sua condição, as interações com os remédios que você já usa, a função do fígado e dos rins e as suas preferências. Fórmulas com muitos ingredientes misturados são evitadas, porque dificultam saber o que está funcionando e o que pode estar causando efeito adverso. Nos Programas Sanare de 12 semanas, o efeito é acompanhado nas consultas e interconsultas, com exames de controle quando indicado. Se não houver benefício no prazo combinado, o fitoterápico sai do plano. ## Perguntas frequentes - Qual a diferença entre planta medicinal e fitoterápico? Planta medicinal é a espécie usada em chás e preparos caseiros, com concentração variável. Fitoterápico é o produto padronizado, com dose definida e controle de qualidade, registrado ou notificado na Anvisa. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-fitoterapico-x-planta-medicinal/) - Fitoterapia tem comprovação científica? Alguns fitoterápicos têm evidência para usos específicos, como hortelã-pimenta no intestino irritável e tanaceto na prevenção da enxaqueca. Muitos outros têm estudos fracos ou ausentes, e a tradição de uso não basta como prova. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-fitoterapia-tem-evidencia/) - Fitoterápico é seguro por ser natural? Não necessariamente. Fitoterápicos contêm substâncias ativas, podem causar efeitos adversos, interagir com remédios e, em alguns casos, lesar o fígado. Devem ser usados com orientação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-fitoterapico-e-seguro/) - Fitoterápico manipulado ou industrializado: qual escolher? Os dois podem ser adequados. O importante é a padronização do extrato, a dose baseada em evidência e a procedência. Fórmulas com muitas plantas misturadas dificultam avaliar efeito e segurança. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/integrativa-fitoterapico-manipulado-ou-industrializado/) ## Dados e evidências - A ReniSUS, criada em 2009, reúne 71 espécies vegetais com potencial terapêutico, e o SUS oferece doze fitoterápicos que constam na Rename. Fonte: Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus) - Em 10 ensaios com 1.030 pacientes com intestino irritável, o óleo de hortelã-pimenta foi superior ao placebo (NNT 4), com mais efeitos adversos e evidência de qualidade muito baixa. Fonte: Ingrosso et al., Aliment Pharmacol Ther, 2022 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35942669/) - A diretriz da AAN/AHS classificou o extrato de tanaceto (MIG-99) como provavelmente eficaz na prevenção da enxaqueca (nível B). Fonte: Holland et al., Neurology, 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22529203/) - Na rede DILIN, a proporção de lesões hepáticas causadas por suplementos e fitoterápicos subiu de 7% para 20% dos casos. Fonte: Navarro et al., Hepatology, 2014 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25043597/) ## Fontes - Ministério da Saúde — Plantas medicinais e fitoterápicos no SUS: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus - Ministério da Saúde — Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006 (PNPIC): https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html - Systematic review and meta-analysis: efficacy of peppermint oil in irritable bowel syndrome. Aliment Pharmacol Ther. 2022: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35942669/ - Holland S et al. Evidence-based guideline update: complementary treatments for episodic migraine prevention. Neurology. 2012: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22529203/ - Navarro VJ et al. Liver injury from herbals and dietary supplements in the U.S. DILIN. Hepatology. 2014: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25043597/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.