# Intolerância à lactose, doença celíaca e sensibilidade ao glúten: como diferenciar URL: https://sanareclinic.com.br/nutrologia/intolerancia-a-lactose-e-gluten/ Gases, estufamento e diarreia depois de comer podem ter várias causas, e lactose e glúten são só duas delas. Investigar antes de cortar alimentos evita diagnósticos errados e restrições desnecessárias. ## Três condições diferentes Intolerância à lactose, doença celíaca e sensibilidade ao glúten são frequentemente confundidas, mas têm mecanismos, riscos e tratamentos diferentes. A intolerância à lactose é uma dificuldade de digerir o açúcar do leite. A doença celíaca é uma doença autoimune desencadeada pelo glúten, que lesa o intestino delgado. A sensibilidade ao glúten não celíaca é um quadro de sintomas ligados ao consumo de trigo e cereais semelhantes, sem as alterações autoimunes da doença celíaca nem a reação da alergia. Há ainda a alergia ao leite e a alergia ao trigo, reações do sistema imune que podem ser graves, e a síndrome do intestino irritável, muito comum, em que vários alimentos podem piorar os sintomas. Por isso, o primeiro passo é entender qual dessas situações está acontecendo. ## Intolerância à lactose A lactose é o açúcar do leite. Para ser absorvida, precisa ser quebrada pela enzima lactase, produzida no intestino delgado. Em muitos adultos, a produção de lactase diminui com o tempo, uma característica genética comum em várias populações. A lactose não digerida chega ao intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, causando gases, estufamento, cólica e diarreia. Uma revisão publicada na revista Gut em 2019 explica que a intolerância depende da dose de lactose, da quantidade de lactase e da microbiota intestinal, e que pessoas com intestino mais sensível, como na síndrome do intestino irritável, têm mais sintomas. A mesma revisão observa que a associação entre a intolerância relatada pela pessoa, os testes objetivos e a resposta à dieta é variável. Muitas pessoas toleram pequenas quantidades, como iogurte e queijos curados, que têm pouca lactose. ## Doença celíaca Na doença celíaca, o glúten desencadeia uma reação autoimune que achata as vilosidades do intestino delgado, reduzindo a absorção de nutrientes. Os sintomas podem ser digestivos, como diarreia, estufamento e dor, ou extraintestinais, como anemia por falta de ferro, osteoporose precoce, cansaço, aftas e alterações de pele. Algumas pessoas quase não têm sintomas. Uma metanálise publicada em 2018 na Clinical Gastroenterology and Hepatology estimou a prevalência mundial em 1,4% pelos exames de anticorpos e 0,7% confirmada por biópsia, maior em mulheres. No Brasil, um estudo com 2.045 doadores de sangue em Brasília, publicado em 2000, identificou casos confirmados por biópsia em pessoas que se consideravam saudáveis. O diagnóstico usa exames de sangue e, em geral, biópsia por endoscopia, e o tratamento é a retirada completa e permanente do glúten. ## Sensibilidade ao glúten não celíaca Algumas pessoas têm sintomas digestivos ou gerais ao consumir trigo, sem doença celíaca nem alergia. Uma revisão publicada em 2021 na revista Medicina descreve esse quadro como uma entidade clínica reconhecida, mas sem marcadores laboratoriais confiáveis; o diagnóstico depende de testes controlados de reintrodução do glúten. A mesma revisão lembra que o glúten pode não ser o único culpado. Carboidratos fermentáveis presentes no trigo e em muitos outros alimentos, conhecidos pela sigla FODMAP, e outras proteínas do trigo podem estar envolvidos. Por isso, algumas pessoas melhoram com dietas com menos FODMAP, e não necessariamente com a retirada total do glúten. Alguns sinais de alerta exigem investigação rápida, independentemente da suspeita de intolerância: perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, anemia, diarreia que acorda à noite, febre e início dos sintomas após os 50 anos. Nesses casos, a avaliação inclui exames e, muitas vezes, encaminhamento ao gastroenterologista. ## O erro mais comum: cortar antes de investigar Retirar o glúten por conta própria antes de fazer os exames dificulta o diagnóstico da doença celíaca. Os anticorpos e as alterações do intestino podem melhorar com a dieta, e os exames ficam falsamente normais. Para confirmar o diagnóstico, seria necessário voltar a comer glúten por semanas, o que muitas pessoas não querem fazer. Cortar laticínios sem necessidade reduz cálcio, proteína e vitamina B12 da alimentação. E muitos produtos sem glúten ou sem lactose industrializados têm mais açúcar, gordura e aditivos. Restrições desnecessárias também tornam a vida social mais difícil e podem alimentar uma relação ansiosa com a comida. ## Como a Sanare investiga sintomas intestinais Na Sanare, a Dra. Vânia Declair Cohen investiga sintomas digestivos a partir da história: o que você come, quando os sintomas aparecem, sinais de alerta, perda de peso, anemia e histórico familiar. Quando há suspeita de doença celíaca, os exames são pedidos antes de qualquer restrição, e a confirmação é feita com o gastroenterologista quando necessário. Na intolerância à lactose e na sensibilidade ao glúten, o plano define quanto de cada alimento você tolera, com estratégias para manter cálcio, proteína e fibras. O acompanhamento integra o cuidado com o intestino aos programas de 12 semanas da clínica, para pacientes de toda São Paulo. ## Perguntas frequentes - Como saber se tenho intolerância à lactose? Observe se os sintomas aparecem depois de leite e derivados frescos, e confirme com o médico. Existem testes, como o teste respiratório e o genético, mas a avaliação clínica e um teste de retirada orientado costumam ser o ponto de partida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-como-saber-intolerancia-lactose/) - Quem tem intolerância à lactose pode comer queijo? Muitas pessoas podem. Queijos curados e iogurtes têm pouca lactose e costumam ser bem tolerados. A quantidade tolerada é individual e pode ser testada com orientação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-intolerancia-lactose-queijo/) - Devo fazer exame de doença celíaca antes de tirar o glúten? Sim. Os exames precisam ser feitos enquanto você ainda come glúten. Retirá-lo antes pode deixar os resultados falsamente normais e atrasar o diagnóstico. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-exame-celiaca-antes-tirar-gluten/) - Dieta sem glúten emagrece? Não por si só. Quem emagrece costuma ter reduzido pães, massas e doces. Produtos sem glúten industrializados podem ter mais açúcar e gordura, e a dieta pode ficar pobre em fibras. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-dieta-sem-gluten-emagrece/) ## Dados e evidências - A prevalência mundial da doença celíaca é de 1,4% por sorologia e 0,7% confirmada por biópsia, maior em mulheres (0,6% x 0,4%). Fonte: Singh et al., Clin Gastroenterol Hepatol 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29551598/) - A intolerância à lactose depende da dose ingerida, da expressão de lactase e da microbiota, e é mais frequente em pessoas com síndrome do intestino irritável. Fonte: Misselwitz et al., Gut 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31427404/) - A sensibilidade ao glúten não celíaca não tem biomarcador confiável; o diagnóstico depende de testes de reintrodução controlados por placebo. Fonte: Cárdenas-Torres et al., Medicina 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34073654/) - Estudo com 2.045 doadores de sangue em Brasília identificou doença celíaca confirmada por biópsia em pessoas saudáveis, no primeiro estudo de prevalência do país. Fonte: Gandolfi et al., Am J Gastroenterol 2000 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10710058/) ## Fontes - Singh et al., Clin Gastroenterol Hepatol 2018 — prevalência global da doença celíaca: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29551598/ - Misselwitz et al., Gut 2019 — má absorção e intolerância à lactose: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31427404/ - Cárdenas-Torres et al., Medicina 2021 — sensibilidade ao glúten não celíaca: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34073654/ - Gandolfi et al., Am J Gastroenterol 2000 — doença celíaca em doadores de sangue no Brasil: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10710058/ - Pasricha et al., Lancet 2021 — deficiência de ferro: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33285139/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.