# Nutrição e queda de cabelo: quais deficiências investigar URL: https://sanareclinic.com.br/nutrologia/nutricao-e-queda-de-cabelo/ O cabelo é um dos primeiros tecidos a sentir falta de nutrientes, mas nem toda queda é nutricional. A investigação certa separa deficiências tratáveis de outras causas e evita suplementos que podem piorar o quadro. ## Por que o cabelo sente a falta de nutrientes As células da raiz do cabelo estão entre as que se dividem mais rapidamente no corpo. Esse trabalho intenso depende de energia, proteína, ferro, zinco, vitaminas e oxigênio. Quando algum desses recursos falta, o organismo prioriza órgãos vitais, e o cabelo pode entrar antes do tempo na fase de queda. Uma revisão publicada na Dermatology and Therapy em 2019 analisou o papel das vitaminas A, do complexo B, C, D e E e dos minerais ferro, selênio e zinco na queda de cabelo sem cicatriz. A conclusão é que esses micronutrientes têm papel importante, embora ainda não totalmente esclarecido, no ciclo do folículo, e que a deficiência pode ser um fator de risco modificável. ## As deficiências mais investigadas A deficiência de ferro é a mais discutida, especialmente em mulheres que menstruam, e pode afetar o cabelo mesmo sem anemia, com ferritina baixa. A ingestão insuficiente de proteína, comum em dietas restritivas e em pessoas que comem pouco, prejudica a produção da queratina, a proteína do fio. Zinco baixo, vitamina D baixa e deficiência de vitamina B12 também aparecem com frequência na investigação. Perdas rápidas de peso são um gatilho clássico. Seja por dieta muito restritiva, seja por cirurgia bariátrica ou por tratamento com medicamentos que reduzem muito o apetite, é comum que a queda aumente alguns meses depois do início do emagrecimento. Esse tipo de queda, chamado eflúvio telógeno, costuma ser temporário quando a nutrição é corrigida. ## Quando investigar e quando não A revisão sobre dieta e queda de cabelo publicada na Dermatology Practical and Conceptual em 2017 propõe um caminho sensato: toda pessoa com queda de cabelo deve ser avaliada pela história clínica, pela história alimentar e pelo exame físico em busca de fatores de risco para deficiência. Se houver motivo, pedem-se exames. Se não houver fatores de risco, a busca extensa por deficiências não se justifica. Os fatores de risco incluem alimentação vegetariana ou restritiva, menstruação intensa, emagrecimento recente, cirurgias do aparelho digestivo, doenças intestinais e uso de medicamentos que afetam a absorção. A investigação também precisa considerar causas não nutricionais, que são muito frequentes. ## Outras causas que não podem ficar de fora Alterações da tireoide, tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo, causam queda de cabelo. A transição da menopausa e o pós-parto mudam o ciclo do fio. A calvície de padrão genético, que em mulheres costuma afinar o topo da cabeça, é muito comum e progressiva. Estresse intenso, doenças com febre, cirurgias, alguns medicamentos e doenças autoimunes do couro cabeludo também entram na lista. Muitas vezes há mais de uma causa ao mesmo tempo: uma mulher na perimenopausa, com ferritina baixa e em emagrecimento, por exemplo. Por isso, a avaliação precisa ser ampla, e o tratamento costuma combinar correção nutricional com cuidado capilar específico, quando indicado. A paciência faz parte do tratamento. O cabelo cresce, em média, cerca de um centímetro por mês, e os fios que caem hoje refletem processos de meses atrás. Mesmo depois de corrigida uma deficiência, a melhora visível costuma levar de três a seis meses. Fotos padronizadas do couro cabeludo, feitas no início e ao longo do acompanhamento, ajudam a avaliar a evolução com mais objetividade do que a impressão diária no espelho ou no ralo. ## O risco dos suplementos para cabelo A mesma revisão de 2017 alerta que faltam estudos mostrando benefício de suplementar nutrientes quando não há deficiência, e que alguns suplementos podem até piorar a queda ou causar toxicidade. O excesso de selênio e de vitamina A, por exemplo, pode provocar queda de cabelo. O excesso de zinco reduz a absorção de cobre. A biotina, presente em quase todos os produtos para cabelo e unhas, raramente está em falta e, em doses altas, interfere em exames de laboratório, como os de tireoide, podendo levar a diagnósticos errados. Combinar vários produtos para cabelo, um polivitamínico e outros suplementos pode somar doses acima dos limites seguros sem que a pessoa perceba. ## Como a Sanare investiga a queda Na Sanare, a Dra. Vânia Declair Cohen investiga a queda de cabelo dentro da avaliação de nutrologia: história alimentar, emagrecimento recente, menstruação, tireoide, hormônios, medicamentos e suplementos em uso. Os exames são escolhidos a partir desses fatores, e a ferritina é interpretada considerando inflamação. Quando há deficiência, a reposição tem dose e prazo definidos, com controle. Quando a queda tem componente capilar específico, a avaliação se integra ao cuidado de saúde capilar e tricologia da clínica. O cabelo responde devagar, e a evolução é acompanhada ao longo de meses, dentro do Programa Sanare de 12 semanas e depois dele. ## Perguntas frequentes - Emagrecer rápido faz cair cabelo? Pode. Perdas rápidas de peso, com pouca proteína e calorias, são um gatilho conhecido de queda temporária, que costuma aparecer alguns meses depois e melhora com nutrição adequada. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-emagrecer-rapido-cair-cabelo/) - Biotina ajuda o cabelo a crescer? Só em quem tem deficiência, que é rara. Em pessoas sem falta, não há boa evidência de benefício, e doses altas interferem em exames de sangue. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-biotina-cabelo/) - Quais exames pedir para queda de cabelo? Depende da história. Os mais comuns são hemograma, ferritina, TSH, vitamina D, vitamina B12 e zinco em casos selecionados, além de hormônios quando há suspeita. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-exames-queda-de-cabelo/) - Proteína ajuda na queda de cabelo? Ajuda quando a ingestão está baixa. O fio é feito de queratina, uma proteína, e dietas pobres em proteína favorecem a queda. Em quem já come o suficiente, aumentar mais não acelera o crescimento. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-proteina-queda-de-cabelo/) ## Dados e evidências - Pessoas com queda de cabelo devem ser triadas por história clínica, alimentar e exame físico; sem fatores de risco, a busca laboratorial extensa por deficiências não se justifica. Fonte: Guo e Katta, Dermatol Pract Concept 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28243487/) - Vitaminas A, B, C, D, E, ferro, selênio e zinco têm papel no ciclo do folículo, e a deficiência pode ser fator de risco modificável na queda sem cicatriz. Fonte: Almohanna et al., Dermatol Ther 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30547302/) - A biotina está entre as principais interferências em exames de tireoide, e 50% ou mais das interferências documentadas levaram a erro de diagnóstico ou conduta. Fonte: Favresse et al., Endocr Rev 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29982406/) ## Fontes - Guo e Katta, Dermatol Pract Concept 2017 — dieta e queda de cabelo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28243487/ - Almohanna et al., Dermatol Ther 2019 — vitaminas, minerais e queda de cabelo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30547302/ - Favresse et al., Endocr Rev 2018 — interferências em exames de tireoide: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29982406/ - Pasricha et al., Lancet 2021 — deficiência de ferro: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33285139/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.