# Ômega-3: quando vale a pena e quando o suplemento não faz diferença URL: https://sanareclinic.com.br/nutrologia/omega-3-quando-vale-a-pena/ O ômega-3 é uma gordura essencial, importante para coração, cérebro e inflamação, mas nem todo mundo se beneficia de cápsulas. Os grandes estudos ajudam a separar quem precisa de suplemento de quem ganha mais comendo peixe. ## O que é o ômega-3 Ômega-3 é uma família de gorduras poli-insaturadas que o corpo não fabrica em quantidade suficiente. As mais importantes para a saúde são o EPA e o DHA, presentes em peixes de água fria e gordurosos, como sardinha, salmão, cavalinha, atum e arenque. Há também o ALA, de origem vegetal, encontrado em linhaça, chia e nozes, que o corpo converte em EPA e DHA em proporção pequena. O EPA e o DHA fazem parte das membranas das células, especialmente no cérebro e na retina, e dão origem a substâncias que ajudam a resolver processos inflamatórios. Também reduzem a produção de triglicérides pelo fígado. Por isso, o ômega-3 se tornou um dos suplementos mais vendidos do mundo. ## O que o estudo VITAL mostrou Para saber se suplementar ômega-3 previne doenças em pessoas comuns, o estudo VITAL, publicado no New England Journal of Medicine em 2019, acompanhou 25.871 homens acima de 50 e mulheres acima de 55 anos nos Estados Unidos por cerca de cinco anos. Metade tomou 1 grama de ômega-3 marinho por dia, metade tomou placebo. O resultado principal foi neutro: não houve redução significativa de eventos cardiovasculares maiores, como infarto, derrame ou morte cardiovascular, nem de câncer. Houve uma redução de infarto total, com razão de risco de 0,72, um achado secundário que precisa de confirmação. Em resumo, para quem não tem doença cardiovascular nem triglicérides alto, tomar cápsula de ômega-3 por conta própria tem benefício incerto. ## Quando o ômega-3 pode ter papel Há situações em que o ômega-3 tem uso mais estabelecido. A principal é o triglicéride muito elevado, em que doses altas, prescritas por médico, reduzem os níveis no sangue. Em algumas pessoas com doença cardiovascular estabelecida e triglicérides altos, formulações específicas e doses altas foram estudadas com resultados positivos, sempre como parte do tratamento cardiológico. Também faz sentido olhar para o ômega-3 em quem come pouco peixe, como vegetarianos, e em fases de maior demanda, como gestação. Nesses casos, a primeira opção é ajustar a alimentação. A recomendação mais simples e com melhor relação entre benefício e risco continua sendo incluir peixes gordurosos duas vezes por semana, uma prática que traz junto proteína, vitamina D, selênio e outros nutrientes. ## A dose importa, inclusive para o risco Ômega-3 não é inofensivo em qualquer dose. Uma metanálise publicada na revista Circulation em 2021 reuniu sete grandes ensaios com 81.210 pessoas e encontrou aumento de 25% no risco de fibrilação atrial, uma arritmia que eleva o risco de derrame, entre quem usou suplemento de ômega-3 marinho. O risco foi maior nas doses acima de 1 grama por dia, com aumento de 49%, do que nas doses até 1 grama, com aumento de 12%. A cada grama a mais, o risco subia cerca de 11%. Isso não significa que ninguém deva tomar, mas reforça que doses altas devem ter indicação médica e acompanhamento, especialmente em pessoas mais velhas, com doença cardíaca ou com histórico de palpitações. O ômega-3 também pode somar efeito a anticoagulantes. Para quem quer comer mais peixe sem complicar a rotina, a sardinha em lata é uma solução prática: pode ir para saladas, torradas, omeletes e molhos, e conserva boa parte do ômega-3. Salmão e outros peixes de água fria podem ser congelados em porções. Duas refeições com peixe por semana já fazem diferença no padrão alimentar. ## Qualidade do suplemento e alimentação Quando há indicação de suplemento, a qualidade conta. O rótulo deve informar a quantidade de EPA e DHA por cápsula, e não apenas o total de óleo de peixe; muitas cápsulas de 1 grama trazem bem menos de ômega-3 de fato. Produtos oxidados têm cheiro forte e podem causar mais refluxo. Selos de controle de contaminantes, como metais pesados, ajudam na escolha. Na alimentação, sardinha é uma excelente opção brasileira: acessível, rica em ômega-3 e com baixo risco de mercúrio. Salmão, cavalinha e truta também são boas fontes. Para quem não come peixe, linhaça, chia e nozes contribuem com ALA, mas não substituem totalmente o EPA e o DHA. ## Como a Sanare decide sobre ômega-3 Na Sanare, a Dra. Vânia Declair Cohen avalia o ômega-3 a partir do seu perfil: triglicérides, risco cardiovascular, alimentação, uso de anticoagulantes, histórico de arritmias e objetivos. Para muitas pacientes, a orientação é alimentar. Para outras, há indicação de suplemento, com dose de EPA e DHA definida e reavaliação dos exames. Esse cuidado faz parte da medicina de longevidade e do Programa Compasso, voltado a hipertensão, diabetes e colesterol, dentro do método de 12 semanas com visita semanal e bioimpedância mensal. A clínica fica no Itaim Bibi e atende pacientes de toda São Paulo. ## Perguntas frequentes - Devo tomar ômega-3 todos os dias? Nem todo mundo precisa. Para quem come peixe gorduroso duas vezes por semana e não tem triglicérides alto, o benefício do suplemento é incerto. A indicação deve ser individual. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-omega-3-todo-dia/) - Ômega-3 baixa triglicérides? Sim, em doses adequadas ele reduz a produção de triglicérides pelo fígado. Em triglicérides muito altos, a dose costuma ser alta e deve ser prescrita e acompanhada por médico. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-omega-3-triglicerides/) - Linhaça e chia substituem o ômega-3 do peixe? Não totalmente. Elas fornecem ALA, que o corpo converte em pequena proporção em EPA e DHA. São boas fontes complementares, mas quem não come peixe pode precisar de outra fonte. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-linhaca-chia-omega-3/) - Ômega-3 tem efeito colateral? Em doses comuns, costuma causar no máximo refluxo, gosto de peixe e desconforto intestinal. Em doses altas, aumenta o risco de fibrilação atrial e pode somar efeito a anticoagulantes. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-omega-3-efeito-colateral/) ## Dados e evidências - No VITAL, 1 g/dia de ômega-3 marinho por 5,3 anos não reduziu eventos cardiovasculares maiores (HR 0,92) nem câncer (HR 1,03) em 25.871 adultos. Fonte: Manson et al., NEJM 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30415637/) - Em 81.210 pessoas, suplementos de ômega-3 marinho aumentaram em 25% o risco de fibrilação atrial; acima de 1 g/dia, o aumento foi de 49%. Fonte: Gencer et al., Circulation 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34612056/) - A dieta mediterrânea com azeite extravirgem ou oleaginosas reduziu em cerca de 30% os eventos cardiovasculares maiores em 7.447 pessoas de alto risco. Fonte: Estruch et al., NEJM 2018 (PREDIMED) (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29897866/) ## Fontes - Manson et al., NEJM 2019 — VITAL: ômega-3, doença cardiovascular e câncer: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30415637/ - Gencer et al., Circulation 2021 — ômega-3 e fibrilação atrial: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34612056/ - Estruch et al., NEJM 2018 — PREDIMED, dieta mediterrânea: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29897866/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.