# Ultraprocessados: o que são, quanto o brasileiro consome e como reduzir URL: https://sanareclinic.com.br/nutrologia/ultraprocessados/ Ultraprocessados já respondem por quase 20% das calorias consumidas no Brasil, e estudos associam seu consumo a dezenas de problemas de saúde. Reduzir não exige perfeição, e sim trocas consistentes. ## O que é um alimento ultraprocessado A classificação NOVA, criada por pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo e adotada pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, divide os alimentos em quatro grupos conforme o grau de processamento. Os alimentos in natura ou minimamente processados são frutas, verduras, legumes, grãos, carnes, ovos e leite. Os ingredientes culinários são óleos, sal e açúcar. Os processados são alimentos simples modificados com sal, açúcar ou óleo, como queijos, pães artesanais e conservas. Os ultraprocessados são formulações industriais feitas principalmente de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas em laboratório, com aditivos como corantes, aromatizantes, emulsificantes e realçadores de sabor. Exemplos são refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos, nuggets, cereais matinais açucarados, barras de cereal e muitos pães e bolos industrializados. ## Quanto o brasileiro consome Um estudo publicado na Revista de Saúde Pública em 2023, com dados das Pesquisas de Orçamentos Familiares do IBGE, mostrou que os ultraprocessados responderam por 19,7% das calorias consumidas por brasileiros com 10 anos ou mais em 2017 e 2018, um aumento de 1,02 ponto percentual em relação a 2008 e 2009. O consumo foi maior entre mulheres, nas regiões Sul e Sudeste, em áreas urbanas e entre pessoas com mais renda e escolaridade, e menor entre os mais velhos. O aumento recente foi mais intenso em grupos que antes consumiam menos, o que indica uma tendência de expansão. O Brasil ainda consome menos ultraprocessados do que países como Estados Unidos e Reino Unido, onde eles passam de metade das calorias, mas a direção preocupa. ## O que os estudos mostram sobre a saúde Uma revisão guarda-chuva publicada no BMJ em 2024 reuniu 45 análises combinadas, com quase 10 milhões de participantes, e encontrou associação direta entre maior consumo de ultraprocessados e 32 desfechos de saúde, cerca de 71% dos analisados, incluindo mortalidade, câncer e problemas cardiovasculares, metabólicos, gastrointestinais, respiratórios e de saúde mental. Um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine em 2025 estimou que cada aumento de 10% na participação dos ultraprocessados na dieta se associa a aumento de 3% no risco de morte por todas as causas, e que a proporção de mortes prematuras atribuíveis a esse consumo varia de 4% a 14% entre oito países analisados, incluindo o Brasil, entre os de consumo mais baixo. São estudos observacionais, mas o conjunto é consistente. ## Por que eles fazem comer mais A evidência mais direta vem de um ensaio clínico controlado do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, publicado na Cell Metabolism em 2019. Vinte adultos ficaram internados e receberam, por duas semanas, uma dieta ultraprocessada e, por outras duas, uma dieta não processada, com calorias, açúcar, gordura, sódio e fibras oferecidos de forma equivalente. Eles podiam comer quanto quisessem. Na dieta ultraprocessada, os participantes consumiram em média 508 calorias a mais por dia e ganharam 0,9 quilo; na não processada, perderam 0,9 quilo. Os ultraprocessados costumam ser macios, rápidos de comer, muito saborosos e pouco saciantes, o que facilita comer além da necessidade. Dados brasileiros também mostram que o consumo de ultraprocessados se associa a mais lanches ao longo do dia. ## Como reduzir na rotina de São Paulo O Guia Alimentar resume a orientação numa regra de ouro: preferir sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Na prática, algumas trocas têm grande impacto: refrigerante por água ou água com gás, biscoito recheado por fruta com castanhas, cereal açucarado por aveia com iogurte natural, embutidos por ovos, frango ou atum, macarrão instantâneo por uma refeição simples com arroz, feijão e ovo. Planejar faz diferença numa cidade corrida. Cozinhar em maior quantidade no fim de semana, levar marmita, ter frutas e castanhas na bolsa e escolher restaurantes de comida caseira e por quilo reduzem a dependência dos ultraprocessados. Ler a lista de ingredientes ajuda: muitos nomes que não se usam na cozinha de casa indicam um ultraprocessado. Não é preciso perfeição; reduzir já traz benefício. ## Como a Sanare trabalha o padrão alimentar Na Sanare, a avaliação de nutrologia olha o padrão alimentar real, e não apenas calorias. A Dra. Vânia Declair Cohen identifica quais ultraprocessados estão presentes na sua rotina, por que eles estão lá, seja por praticidade, hábito ou fome mal resolvida, e propõe trocas possíveis, com apoio de nutricionista quando o caso pede. Os efeitos aparecem nos exames, na composição corporal e na disposição, acompanhados no Programa Sanare de 12 semanas, com visita semanal e bioimpedância mensal. A clínica fica no Itaim Bibi e atende pacientes de toda São Paulo. ## Perguntas frequentes - Como saber se um alimento é ultraprocessado? Leia a lista de ingredientes. Se ela é longa e traz substâncias que você não usaria na cozinha, como xarope de glicose, gordura hidrogenada, aromatizantes, corantes e emulsificantes, provavelmente é ultraprocessado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-identificar-ultraprocessado/) - Ultraprocessado engorda mesmo com as mesmas calorias? Um ensaio clínico mostrou que, podendo comer à vontade, as pessoas consomem cerca de 500 calorias a mais por dia com dieta ultraprocessada. O problema principal é comer mais, e não só a caloria do rótulo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-ultraprocessado-engorda/) - Pão de forma e iogurte de frutas são ultraprocessados? Muitas versões industrializadas são, por conterem aditivos e açúcares. Pães simples, feitos com farinha, água, sal e fermento, e iogurte natural são alternativas menos processadas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-pao-iogurte-ultraprocessado/) - Dá para comer bem com a rotina corrida de São Paulo? Dá, com planejamento simples: cozinhar em quantidade no fim de semana, levar marmita, escolher comida caseira nos restaurantes e ter lanches práticos como frutas, castanhas e iogurte natural. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-comer-bem-rotina-sao-paulo/) ## Dados e evidências - Os ultraprocessados responderam por 19,7% das calorias consumidas no Brasil em 2017–2018, alta de 1,02 ponto percentual desde 2008–2009. Fonte: Louzada et al., Rev Saúde Pública 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37075395/) - Maior consumo de ultraprocessados se associou diretamente a 32 de 45 desfechos de saúde (71%), em revisão com quase 10 milhões de participantes. Fonte: Lane et al., BMJ 2024 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38418082/) - Dieta ultraprocessada levou a 508 kcal/dia a mais e ganho de 0,9 kg em 2 semanas, contra perda de 0,9 kg com dieta não processada. Fonte: Hall et al., Cell Metab 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31105044/) - Cada 10% a mais de ultraprocessados na dieta se associa a 3% mais risco de morte; de 4% a 14% das mortes prematuras em 8 países, incluindo o Brasil, são atribuíveis a esse consumo. Fonte: Nilson et al., Am J Prev Med 2025 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40293384/) ## Fontes - Louzada et al., Rev Saúde Pública 2023 — consumo de ultraprocessados no Brasil 2008–2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37075395/ - Lane et al., BMJ 2024 — ultraprocessados e desfechos de saúde, revisão guarda-chuva: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38418082/ - Hall et al., Cell Metab 2019 — dietas ultraprocessadas e consumo de calorias: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31105044/ - Nilson et al., Am J Prev Med 2025 — mortalidade prematura atribuível a ultraprocessados: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40293384/ - Ministério da Saúde — Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf - Gombi-Vaca et al., Eur J Nutr 2024 — ultraprocessados e lanches no Brasil: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38360983/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.