# Zinco e selênio: funções, fontes e o risco de exagerar URL: https://sanareclinic.com.br/nutrologia/zinco-e-selenio/ Zinco e selênio são minerais essenciais em pequenas quantidades, importantes para imunidade, tireoide, pele e cabelo. Os dois têm algo em comum: a falta prejudica, mas o excesso também. ## Para que serve o zinco O zinco participa do funcionamento de centenas de enzimas, da divisão das células, da cicatrização, do paladar e do olfato, da imunidade e da produção de hormônios. Tecidos que se renovam rápido, como pele, mucosas e a raiz do cabelo, dependem bastante dele. As melhores fontes são carnes vermelhas, frutos do mar, especialmente ostras, aves, ovos, laticínios, feijões, castanhas e sementes, como a de abóbora. O zinco de origem animal é mais bem absorvido. Nos alimentos vegetais, substâncias chamadas fitatos, presentes em grãos integrais e leguminosas, reduzem a absorção, o que explica por que vegetarianos e veganos podem precisar de mais atenção. Deixar feijões de molho antes do cozimento ajuda a reduzir esses fitatos. ## Quem pode ter falta de zinco A deficiência importante é incomum em quem tem alimentação variada, mas algumas situações aumentam o risco: alimentação vegetariana mal planejada, idade avançada com apetite reduzido, consumo frequente de álcool, diarreia crônica, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, cirurgia bariátrica, diabetes descontrolado e uso de alguns diuréticos. Os sinais podem incluir queda de cabelo, alteração do paladar, lesões de pele, cicatrização lenta e infecções frequentes. Uma revisão publicada na Dermatology and Therapy em 2019 discute o zinco entre os micronutrientes com papel na queda de cabelo sem cicatriz e lembra que a deficiência é um fator de risco modificável. O diagnóstico, porém, não é simples: o zinco no sangue varia com inflamação, horário e alimentação, e precisa ser interpretado no contexto. ## Para que serve o selênio O selênio é incorporado em proteínas chamadas selenoproteínas, que têm funções antioxidantes, anti-inflamatórias e participam da produção do hormônio ativo da tireoide. A revisão sobre selênio publicada na revista The Lancet em 2012 descreve associações entre selênio baixo e maior mortalidade, pior função imune e declínio cognitivo, além de papel na reprodução e na doença autoimune da tireoide. A principal fonte brasileira é bem conhecida: a castanha-do-pará, extremamente rica em selênio, com quantidade que varia muito conforme o solo de origem. Peixes, frutos do mar, carnes, ovos e cereais também contribuem. A quantidade de selênio nos alimentos depende muito do solo, por isso a situação de cada região do mundo é diferente. ## O formato de U: quando o excesso preocupa Os dois minerais mostram com clareza por que mais não é melhor. A revisão do Lancet sobre selênio enfatiza que a relação com a saúde tem formato de U: quem tem selênio baixo pode se beneficiar de aumentar a ingestão, mas quem já tem níveis adequados ou altos pode ser prejudicado e não deveria suplementar. Em um ensaio clínico publicado na Annals of Internal Medicine, 200 microgramas de selênio por dia aumentaram em 55% o risco de diabetes tipo 2, com risco maior em quem já tinha selênio alto no início. O excesso de selênio pode causar queda de cabelo, unhas quebradiças, hálito com cheiro de alho, alterações de pele e sintomas neurológicos. Com o zinco, o problema mais comum do excesso é indireto: doses altas por tempo prolongado reduzem a absorção de cobre, e a deficiência de cobre pode causar anemia e alterações nos nervos. O cobre participa da produção do sangue e da função do nervo óptico, como descreve uma revisão da Annals of Hematology. ## Imunidade, resfriados e tireoide O zinco ficou famoso como aliado contra resfriados, e alguns estudos sugerem que pastilhas de zinco iniciadas logo no começo dos sintomas podem reduzir a duração em algumas pessoas. Os resultados, porém, são variados e discutidos entre pesquisadores, e o uso prolongado em doses altas não é recomendado. Na tireoide, o selênio é estudado especialmente na tireoidite de Hashimoto, com resultados em alguns marcadores, como anticorpos, e efeito menos claro sobre sintomas e necessidade de hormônio. Como o excesso tem riscos, a suplementação deve ser decidida caso a caso. Comer uma ou duas castanhas-do-pará em alguns dias da semana costuma ser suficiente para a maioria das pessoas, sem necessidade de cápsulas. ## Como a Sanare avalia zinco e selênio Na Sanare, a Dra. Vânia Declair Cohen avalia zinco e selênio a partir da sua história: alimentação, queixas de cabelo, pele, unhas e imunidade, doenças intestinais, cirurgias, tireoide e medicamentos. Os exames, quando indicados, são interpretados considerando inflamação e outros fatores que alteram os resultados. Um passo importante é somar as doses que você já usa. Suplementos para cabelo, imunidade e multivitamínicos costumam trazer zinco e selênio juntos, e a soma pode ultrapassar o limite seguro. Quando há deficiência ou indicação, a reposição tem dose e prazo definidos. O acompanhamento ocorre no Programa Sanare de 12 semanas, para pacientes de toda São Paulo. ## Perguntas frequentes - Quantas castanhas-do-pará posso comer por dia? Para a maioria das pessoas, uma a duas castanhas em alguns dias da semana bastam para cobrir o selênio. O consumo diário em grande quantidade pode levar a excesso, porque cada castanha é muito rica no mineral. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-castanha-do-para-por-dia/) - Zinco ajuda na imunidade? O zinco é essencial para as células de defesa, e a deficiência prejudica a imunidade. Em quem não tem deficiência, o benefício de suplementar é limitado, e o uso prolongado em dose alta tem riscos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-zinco-imunidade/) - Selênio é bom para a tireoide? O selênio participa da produção do hormônio ativo da tireoide. Em quem tem deficiência ou tireoidite autoimune, pode ter papel, mas a suplementação deve ser individual porque o excesso traz riscos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-selenio-tireoide/) - Zinco e selênio ajudam na queda de cabelo? Ajudam quando a queda está ligada à deficiência desses minerais. Sem deficiência, não há boa evidência de benefício, e o excesso de selênio pode até causar queda de cabelo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/nutrologia-zinco-selenio-cabelo/) ## Dados e evidências - Selênio tem relação em U com a saúde: quem tem status adequado ou alto pode ser prejudicado pela suplementação, com possível aumento de risco de diabetes tipo 2. Fonte: Rayman, Lancet 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22381456/) - Selênio 200 mcg/dia elevou a incidência de diabetes tipo 2 de 8,4 para 12,6 casos por 1.000 pessoas-ano (HR 1,55). Fonte: Stranges et al., Ann Intern Med 2007 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17620655/) - A deficiência de cobre afeta a produção de sangue, o nervo óptico e o sistema nervoso, e as alterações hematológicas são reversíveis com reposição em 4 a 12 semanas. Fonte: Myint et al., Ann Hematol 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29959467/) ## Fontes - Rayman, Lancet 2012 — selênio e saúde humana: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22381456/ - Stranges et al., Ann Intern Med 2007 — selênio e diabetes tipo 2: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17620655/ - Almohanna et al., Dermatol Ther 2019 — vitaminas, minerais e queda de cabelo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30547302/ - Myint et al., Ann Hematol 2018 — anemia por deficiência de cobre: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29959467/ - Guo e Katta, Dermatol Pract Concept 2017 — dieta e queda de cabelo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28243487/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.