# Apneia do sono e pressão alta: a relação que muita gente não conhece URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/apneia-do-sono-e-pressao-alta/ A apneia do sono eleva a pressão e é a causa mais comum de hipertensão difícil de controlar. Saiba reconhecer os sinais, como se faz o diagnóstico e por que tratar o sono faz parte do cuidado com o coração. ## O que acontece na apneia obstrutiva do sono Na apneia obstrutiva do sono, a garganta se fecha parcial ou totalmente durante o sono, repetidas vezes, interrompendo a respiração por alguns segundos. A cada pausa, o oxigênio no sangue cai, o cérebro desperta de forma breve para reabrir a via aérea, e o organismo libera uma descarga de adrenalina. Isso pode acontecer dezenas de vezes por hora sem que a pessoa se lembre. O resultado é um sono fragmentado e uma ativação repetida do sistema de alerta do corpo, que eleva a pressão durante a noite e, com o tempo, também durante o dia. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) lista a pressão alta, a doença cardíaca, o AVC e o diabetes entre as condições associadas à apneia não tratada. O ronco alto e frequente é o sinal mais conhecido, mas não é o único, e nem todo roncador tem apneia. ## Um problema muito comum em São Paulo A apneia do sono é bem mais frequente do que se imagina. O Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, o EPISONO, fez polissonografia em mais de mil moradores da cidade e encontrou síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8% dos participantes, ou seja, cerca de um em cada três adultos. O estudo também mostrou quem tem mais risco. Homens tiveram associação quatro vezes maior do que mulheres. Pessoas com obesidade tiveram associação dez vezes maior do que pessoas com peso normal. A idade pesou muito: entre 60 e 80 anos, a chance foi 34 vezes maior do que entre 20 e 29 anos. Nas mulheres, a menopausa apareceu como fator associado. Esses dados ajudam a entender por que a apneia aparece tanto em quem tem pressão alta, diabetes e excesso de peso, e por que ela deveria ser investigada com mais frequência no acompanhamento de doenças crônicas. ## A causa mais comum de pressão difícil de controlar Quando a pressão continua alta apesar do uso de três medicamentos, incluindo um diurético, fala-se em hipertensão resistente. Um estudo brasileiro publicado na revista Hypertension investigou todas as causas possíveis em 125 pacientes com esse quadro. A apneia obstrutiva do sono moderada a grave foi a condição mais frequente, presente em 64% deles, muito à frente de outras causas como alterações hormonais das suprarrenais, estreitamento das artérias dos rins ou doenças da tireoide. Os autores identificaram alguns fatores que aumentavam a chance de apneia nesse grupo: idade acima de 50 anos, circunferência do pescoço aumentada (41 cm ou mais em mulheres e 43 cm ou mais em homens) e ronco. A mensagem prática é que, em quem tem pressão difícil de controlar, olhar para o sono não é um detalhe. Muitas vezes é o elo que faltava no tratamento. ## Sinais de alerta e diagnóstico Os sinais mais comuns da apneia são ronco alto e frequente, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado, engasgos ou despertares com sensação de sufocamento, sono que não descansa, sonolência durante o dia, dor de cabeça ao acordar, boca seca pela manhã, necessidade de urinar várias vezes à noite e dificuldade de concentração. O diagnóstico é feito com o estudo do sono, a polissonografia, que pode ser realizada em laboratório ou, em casos selecionados, com aparelhos portáteis em casa. O exame mede quantas vezes por hora a respiração para ou diminui, e quanto o oxigênio cai. O tratamento depende da gravidade. Perda de peso, evitar álcool à noite e mudar a posição de dormir ajudam em casos leves. Nos moderados e graves, o aparelho de pressão positiva, conhecido como CPAP, é o tratamento mais estudado. Aparelhos intraorais e, em situações específicas, cirurgia são outras opções, indicadas por especialista em sono. ## O sono dentro do Programa Compasso No Programa Compasso da Sanare, o sono faz parte da consulta inicial de cerca de duas horas. A médica pergunta sobre ronco, pausas respiratórias, despertares e sonolência, mede a circunferência do pescoço e aplica questionários de rastreamento. Quando há suspeita, a polissonografia é solicitada e o caso é encaminhado ao especialista em sono para o tratamento. Nas visitas semanais, a qualidade do sono é acompanhada junto com as medidas de pressão de casa. Para quem começa a usar o CPAP, os primeiros meses costumam ser os mais difíceis, e ter alguém acompanhando a adaptação ajuda a não desistir. A perda de gordura, medida pela bioimpedância mensal, também conversa com o sono: menos gordura no pescoço e no abdome pode reduzir a gravidade da apneia. Tudo isso é feito em diálogo com o seu cardiologista, para que o tratamento da pressão leve em conta o que acontece durante a noite. ## Perguntas frequentes - Ronco pode aumentar a pressão? O ronco em si não, mas ele pode ser sinal de apneia do sono, que eleva a pressão. Ronco alto, frequente e com pausas respiratórias merece investigação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-ronco-aumenta-pressao/) - Tratar a apneia do sono baixa a pressão? Em muitas pessoas, o tratamento da apneia ajuda a reduzir a pressão, especialmente à noite e em quem tem hipertensão resistente. O efeito varia e não substitui os remédios. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-tratar-apneia-baixa-pressao/) - Como saber se tenho apneia do sono? Ronco alto, pausas na respiração, sono que não descansa e sonolência diurna são sinais. A confirmação é feita com o exame do sono, a polissonografia. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-como-saber-apneia-do-sono/) - Emagrecer melhora a apneia do sono? Em muitas pessoas com excesso de peso, sim. A perda de gordura pode reduzir a gravidade da apneia, mas nem sempre é suficiente sozinha, e o tratamento específico pode continuar necessário. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-emagrecer-melhora-apneia/) ## Dados e evidências - No EPISONO, estudo com polissonografia em 1.042 moradores de São Paulo, 32,8% tinham síndrome da apneia obstrutiva do sono. Fonte: Sleep Med 2010, PMID 20362502 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20362502/) - No mesmo estudo, a obesidade se associou a chance 10,5 vezes maior de apneia, e a faixa de 60 a 80 anos a chance 34,5 vezes maior do que a de 20 a 29 anos. Fonte: Sleep Med 2010, PMID 20362502 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20362502/) - Em 125 pacientes brasileiros com hipertensão resistente, a apneia obstrutiva do sono foi a condição mais comum, presente em 64%. Fonte: Hypertension 2011, PMID 21968750 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21968750/) ## Fontes - Tufik S et al. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Med 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20362502/ - Pedrosa RP et al. Obstructive sleep apnea: the most common secondary cause of hypertension associated with resistant hypertension. Hypertension 2011: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21968750/ - NHLBI — Sleep Apnea: https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.