# Colesterol alto: quando a rotina basta e quando entra o remédio URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/colesterol-alto-com-ou-sem-remedio/ Tratar o colesterol alto com ou sem remédio depende do seu risco cardiovascular total, e não só do número no exame. Entenda como essa decisão é tomada e o que a rotina consegue fazer pelo colesterol. ## O número do exame não decide sozinho Duas pessoas com o mesmo LDL, o chamado colesterol ruim, podem receber orientações bem diferentes. Isso acontece porque o tratamento do colesterol não se baseia apenas no valor do exame, e sim no risco cardiovascular global, ou seja, na chance de a pessoa ter um infarto ou um AVC nos próximos anos. Esse risco depende de vários fatores: idade, sexo, pressão arterial, tabagismo, diabetes, função dos rins, histórico familiar de doença cardíaca precoce e, principalmente, se a pessoa já teve infarto, AVC ou outro evento vascular. Quem já teve um evento está no grupo de risco mais alto, e o LDL precisa ficar bem mais baixo. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI) resume a abordagem: o médico pode recomendar mudanças de estilo de vida saudáveis para o coração e também medicamentos, e se uma doença ou um remédio estiver causando o colesterol alto, isso também deve ser tratado. ## O que os medicamentos fazem, em números Os medicamentos que reduzem o colesterol estão entre os mais estudados da medicina. Uma grande análise publicada na revista The Lancet, com dados individuais de 170 mil participantes em 26 ensaios clínicos, mostrou que cada redução de 1 mmol/L no LDL, aproximadamente 39 mg/dL, diminuiu em pouco mais de um quinto a taxa anual de infarto, de procedimentos para desobstruir artérias e de AVC isquêmico. Os autores não encontraram um limite abaixo do qual baixar o LDL deixasse de trazer benefício, e estimaram que reduções de 2 a 3 mmol/L poderiam diminuir o risco em cerca de 40% a 50%. Esses dados explicam por que, em pessoas de risco alto, o medicamento costuma ser indicado desde o início, junto com as mudanças de rotina. Esperar meses tentando apenas a dieta, nesses casos, significa manter o risco elevado por mais tempo. A escolha do medicamento e da dose é sempre do médico responsável. ## O que a rotina consegue mudar Mudanças de estilo de vida fazem parte do tratamento para todos, com ou sem remédio, mas é importante ter expectativas realistas. Elas costumam ter efeito moderado sobre o LDL e efeito maior sobre outros componentes do perfil lipídico. No estudo Look AHEAD, pessoas com diabetes tipo 2 que perderam peso tiveram melhora clara dos triglicerídeos e do HDL, o colesterol bom, mas a perda de peso não se associou a mudança importante do LDL. Isso mostra que emagrecer é ótimo para o metabolismo, mas nem sempre resolve o LDL sozinho. Na alimentação, as medidas com mais efeito sobre o LDL são reduzir gorduras saturadas, presentes em carnes gordas, embutidos, manteiga e queijos amarelos; evitar gorduras trans; aumentar fibras solúveis, como as da aveia, do feijão e das frutas; e preferir gorduras insaturadas, como azeite, castanhas e peixes. A atividade física melhora o HDL e os triglicerídeos e reduz o risco cardiovascular por várias vias. ## Causas que precisam ser investigadas Antes de definir o tratamento, vale investigar se o colesterol alto tem uma causa secundária. Hipotireoidismo, diabetes descontrolado, doença renal com perda de proteína, doenças do fígado e alguns medicamentos podem elevar o colesterol. Tratar a causa pode melhorar o perfil lipídico. Outra situação importante é a hipercolesterolemia familiar, uma alteração genética que causa LDL muito alto desde a juventude. Ela deve ser suspeitada quando o LDL é muito elevado, geralmente acima de 190 mg/dL, ou quando há casos de infarto precoce na família, em homens antes dos 55 e em mulheres antes dos 65 anos. Nessas pessoas, a dieta tem efeito limitado, o medicamento é quase sempre necessário, e os familiares também devem ser avaliados. Além do LDL, alguns exames ajudam a refinar o risco em casos selecionados, como a lipoproteína(a), a apolipoproteína B e, em alguns perfis, a avaliação de cálcio nas artérias coronárias. A indicação desses exames é individual. ## Como a Sanare participa desse cuidado No Programa Compasso, a Sanare trabalha principalmente a parte que acontece fora do consultório do cardiologista. A consulta inicial, de cerca de duas horas, revisa os exames dos últimos anos, o histórico familiar, os medicamentos e a rotina, e investiga causas secundárias. A alimentação é ajustada à sua realidade, com foco nas gorduras e nas fibras, e o treino progride semana a semana. A bioimpedância mensal mostra a evolução da gordura corporal e visceral, e os exames de controle são repetidos no momento adequado. Se você já usa medicamento para colesterol, ele continua. Dores musculares, cansaço ou outros efeitos que você atribua ao remédio devem ser relatados nas visitas semanais. A médica avalia, e quando necessário orienta o contato com o médico que prescreveu, sem suspensão por conta própria. Ao final das 12 semanas, o relatório de evolução pode ser levado ao seu cardiologista para apoiar as decisões seguintes. ## Perguntas frequentes - Colesterol LDL de 160 precisa de remédio? Depende do risco cardiovascular total. Em pessoas de risco baixo, mudanças de rotina podem ser o primeiro passo; em quem tem diabetes ou já teve infarto, o remédio costuma ser indicado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-ldl-160-precisa-remedio/) - Dá para baixar o colesterol com alimentação? Sim, a alimentação ajuda, principalmente reduzindo gorduras saturadas e aumentando fibras. O efeito sobre o LDL costuma ser moderado e, em pessoas de risco alto, não dispensa o remédio. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-baixar-colesterol-alimentacao/) - Remédio para colesterol causa dor muscular? Algumas pessoas relatam dor muscular, mas em estudos controlados ela é menos frequente do que se imagina. Qualquer sintoma deve ser avaliado pelo médico antes de suspender o remédio. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-remedio-colesterol-dor-muscular/) - O que é hipercolesterolemia familiar? É uma alteração genética que causa LDL muito alto desde a infância. Deve ser suspeitada com LDL acima de 190 mg/dL ou infarto precoce na família, e costuma exigir medicamento. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-hipercolesterolemia-familiar/) ## Dados e evidências - Em 26 ensaios clínicos com 170 mil participantes, cada redução de 1 mmol/L (cerca de 39 mg/dL) no LDL reduziu em pouco mais de um quinto a taxa anual de eventos vasculares maiores. Fonte: The Lancet 2010, PMID 21067804 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21067804/) - No Look AHEAD, a magnitude da perda de peso se associou a melhora da glicose, da pressão, dos triglicerídeos e do HDL, mas não do LDL. Fonte: Diabetes Care 2011, PMID 21593294 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21593294/) - No estudo INTERHEART, a relação ApoB/ApoA1 elevada foi o fator com maior risco atribuível populacional para infarto, 49,2%. Fonte: The Lancet 2004, PMID 15364185 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15364185/) ## Fontes - Cholesterol Treatment Trialists' Collaboration. Efficacy and safety of more intensive lowering of LDL cholesterol. Lancet 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21067804/ - NHLBI — Blood Cholesterol: Treatment: https://www.nhlbi.nih.gov/health/blood-cholesterol/treatment - Wing RR et al. Look AHEAD: benefits of modest weight loss. Diabetes Care 2011: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21593294/ - Yusuf S et al. INTERHEART: potentially modifiable risk factors associated with myocardial infarction in 52 countries. Lancet 2004: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15364185/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.