# Doença crônica depois dos 60: metas, remédios e autonomia URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/doenca-cronica-depois-dos-60/ Depois dos 60, pressão alta e diabetes ficam muito comuns e as doenças costumam vir em conjunto. Entenda o que muda nas metas, nos remédios e por que preservar músculo e autonomia é parte do tratamento. ## Quando as doenças crônicas se somam Com o passar dos anos, as doenças crônicas se tornam muito mais frequentes. No Vigitel 2023, entre adultos com 65 anos ou mais das capitais brasileiras, 65,1% referiram diagnóstico médico de hipertensão e 30,3% de diabetes, contra 27,9% e 10,2% na população adulta geral. Além disso, as doenças raramente vêm sozinhas. No ELSI-Brasil, estudo longitudinal com amostra nacional de pessoas com 50 anos ou mais, a multimorbidade, ou seja, a presença de duas ou mais doenças crônicas, foi encontrada em 75,8% das mulheres e 58,7% dos homens. Isso muda a forma de cuidar. Tratar cada doença isoladamente, com um especialista para cada uma, pode levar a muitos remédios, metas conflitantes e consultas que não conversam entre si. Depois dos 60, mais do que nunca, é preciso alguém que olhe o conjunto e ajude a definir prioridades. ## Metas individualizadas Nas pessoas mais velhas, as metas de pressão, glicose e colesterol continuam importantes, mas precisam ser individualizadas. Uma pessoa de 68 anos, ativa, independente e sem outras doenças graves pode se beneficiar de metas semelhantes às de adultos mais jovens. Já uma pessoa de 85 anos, com várias doenças, histórico de quedas e uso de muitos remédios, pode precisar de metas mais flexíveis, porque o risco do excesso de tratamento passa a pesar mais. No diabetes, glicose muito baixa é mais perigosa nos idosos, que podem ter menos sintomas de alerta e mais consequências, como quedas e confusão. Na pressão, valores muito baixos podem causar tontura ao levantar e quedas. O estudo SPRINT mostrou benefício cardiovascular com metas de pressão mais rigorosas em pessoas de alto risco, mas também mais episódios de pressão baixa e desmaios no grupo intensivo. A meta certa é aquela que equilibra a prevenção de complicações com a segurança e a qualidade de vida de cada pessoa. ## Remédios: menos pode ser mais O número de remédios tende a crescer com a idade e com o número de doenças. Na PNAUM, pesquisa nacional sobre uso de medicamentos, 18% dos idosos brasileiros usavam cinco ou mais remédios, proporção que chegou a 36% entre os com diabetes e 43% entre os com doença cardíaca. Com a idade, o corpo processa os medicamentos de forma diferente: os rins e o fígado eliminam mais devagar, a proporção de gordura e músculo muda, e a sensibilidade a alguns efeitos aumenta. Doses que eram adequadas aos 50 podem ficar excessivas aos 75. Por isso, a revisão periódica da lista de remédios é parte essencial do cuidado. Uma revisão sistemática com idosos que vivem na comunidade mostrou que a revisão abrangente de medicamentos pode reduzir a mortalidade e diminui o uso de remédios potencialmente inadequados. A revisão é feita com cuidado, e qualquer retirada ou ajuste é decidido pelo médico responsável. ## Músculo, equilíbrio e autonomia Depois dos 60, preservar a massa muscular, a força e o equilíbrio é tão importante quanto controlar a pressão e a glicose. A perda muscular, que se acelera com a idade, o sedentarismo e algumas doenças, piora o controle da glicose, aumenta o risco de quedas e fraturas e reduz a autonomia para as atividades do dia a dia. O treino de força, adaptado às condições de cada pessoa, é a principal ferramenta para preservar e recuperar músculo, mesmo em idades avançadas. Proteína adequada, distribuída ao longo do dia, complementa o treino. Exercícios de equilíbrio reduzem o risco de quedas. A autonomia também depende de outros fatores que o cuidado das doenças crônicas deve considerar: visão, audição, memória, sono, humor, convívio social e segurança dentro de casa. Perguntar o que é importante para a pessoa, como continuar viajando, cuidar dos netos ou manter o trabalho, ajuda a definir prioridades que façam sentido. ## O Programa Compasso para quem passou dos 60 O Programa Compasso da Sanare atende muitas pessoas nessa fase da vida. A consulta inicial, de cerca de duas horas, reconstrói a história de cada doença, revisa todos os remédios, inclusive os prescritos por diferentes especialistas, e avalia músculo, equilíbrio, sono e rotina. A bioimpedância mensal mostra a evolução da massa muscular, um dado especialmente valioso depois dos 60. As visitas semanais acompanham as medidas de pressão e glicose de casa e permitem perceber cedo sinais de excesso de tratamento, como tontura ou glicose baixa, que são comunicados ao médico responsável. A Sanare trabalha junto com o cardiologista, o endocrinologista, o geriatra e os demais médicos que acompanham você, sem substituir nenhum deles. Familiares que ajudam no cuidado podem participar das consultas, quando você desejar. Ao final das 12 semanas, o relatório reúne exames, composição corporal e a lista atualizada de remédios num só documento. ## Perguntas frequentes - Qual a pressão ideal para quem tem mais de 60 anos? Não há um número único. A meta depende da saúde geral, das outras doenças, do risco de quedas e da tolerância aos remédios, e é definida pelo médico para cada pessoa. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-pressao-ideal-mais-de-60/) - Idoso precisa controlar o diabetes tão rigorosamente? Depende. Idosos saudáveis podem seguir metas semelhantes às de adultos, enquanto idosos frágeis ou com hipoglicemias se beneficiam de metas mais flexíveis, para evitar glicose baixa. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-idoso-controle-diabetes-rigoroso/) - É normal tomar tantos remédios depois dos 60? É comum, mas não deve ser aceito sem revisão. A lista deve ser revisada periodicamente para conferir indicação, dose e interações de cada remédio. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-muitos-remedios-depois-dos-60/) - Como evitar quedas em quem tem pressão alta ou diabetes? Revisar remédios que baixam demais a pressão ou a glicose, levantar devagar, treinar força e equilíbrio, cuidar da visão e dos pés e adaptar a casa reduzem o risco. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-evitar-quedas-pressao-diabetes/) ## Dados e evidências - No Vigitel 2023, entre adultos com 65 anos ou mais, 65,1% referiram hipertensão e 30,3% diabetes. Fonte: Vigitel Brasil 2023 (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf) - No ELSI-Brasil, com amostra nacional de pessoas com 50 anos ou mais, a multimorbidade foi de 75,8% nas mulheres e 58,7% nos homens. Fonte: Eur J Ageing 2020, PMID 33381003 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33381003/) - Na PNAUM, 18% dos idosos brasileiros usavam cinco ou mais medicamentos, chegando a 43% entre os com doença cardíaca. Fonte: Rev Saude Publica 2016, PMID 27982377 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27982377/) - Em idosos da comunidade, a revisão abrangente de medicamentos pode ter reduzido a mortalidade, com razão de chances de 0,74. Fonte: J Gen Intern Med 2020, PMID 32820421 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32820421/) ## Fontes - Vigitel Brasil 2023 — Ministério da Saúde: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf - de Almeida MGN et al. Lifestyle factors and multimorbidity among older adults (ELSI-Brazil). Eur J Ageing 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33381003/ - Ramos LR et al. Polypharmacy and Polymorbidity in Older Adults in Brazil. Rev Saude Publica 2016: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27982377/ - Bloomfield HE et al. Deprescribing for Community-Dwelling Older Adults. J Gen Intern Med 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32820421/ - SPRINT Research Group. Intensive versus Standard Blood-Pressure Control. N Engl J Med 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26551272/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.