# Gota: o que fazer na crise e como evitar que ela volte URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/gota-crise-e-prevencao/ A gota é uma artrite causada por cristais de ácido úrico e costuma andar junto com pressão alta, obesidade e doença renal. Entenda a crise, a prevenção e por que o tratamento vai além da dieta. ## O que é a gota A gota é uma forma de artrite inflamatória causada pelo depósito de cristais de ácido úrico nas articulações. O ácido úrico é um produto natural do metabolismo, eliminado principalmente pelos rins. Quando ele fica alto no sangue por muito tempo, pode formar cristais, que se acumulam nas articulações e em outros tecidos. A crise de gota é uma das dores mais intensas que existem. Começa geralmente à noite ou de madrugada, numa única articulação, muitas vezes o dedão do pé, que fica vermelha, quente, inchada e tão sensível que até o lençol incomoda. Tornozelos, joelhos, punhos e dedos das mãos também podem ser atingidos. A gota é cada vez mais comum. Uma análise do estudo Global Burden of Disease, publicada em 2024 na Lancet Rheumatology, estimou 55,8 milhões de pessoas com gota no mundo em 2020, aumento de 22,5% na prevalência padronizada desde 1990. A doença é cerca de três vezes mais frequente em homens e aumenta com a idade. ## Por que a gota é uma doença metabólica A gota raramente aparece sozinha. Ela costuma acompanhar pressão alta, obesidade, síndrome metabólica, diabetes, doença renal crônica e doença cardiovascular. Várias dessas condições aumentam o ácido úrico, e o próprio ácido úrico alto se associa a mais risco cardiovascular e renal. Alguns fatores elevam o ácido úrico ou desencadeiam crises: consumo de álcool, especialmente cerveja e destilados; bebidas adoçadas com frutose, como refrigerantes e sucos industrializados; excesso de carnes vermelhas, vísceras e alguns frutos do mar; obesidade; desidratação; alguns medicamentos, como certos diuréticos usados para pressão; e a redução da função dos rins. Nas mulheres, a gota é menos comum antes da menopausa, porque o estrogênio ajuda os rins a eliminar o ácido úrico. Depois da menopausa, o risco aumenta. Por isso, cuidar da gota significa também olhar para pressão, peso, glicose, rins e gordura no fígado. O tratamento isolado da articulação deixa de lado boa parte do problema. ## Na crise: aliviar rápido e com segurança A crise de gota deve ser tratada o quanto antes, porque quanto mais cedo começa o tratamento, mais rápido a dor cede. A diretriz de 2020 do American College of Rheumatology recomenda fortemente três opções de medicamentos para a crise: anti-inflamatórios não esteroides, um medicamento anti-inflamatório específico usado há décadas na gota, e corticoides, por via oral, injetável ou dentro da articulação. A escolha depende da função dos rins, do estômago, da pressão, da glicose e de outros remédios em uso. Pessoas com doença renal, por exemplo, têm restrições a algumas dessas opções, e quem tem diabetes precisa de cuidado com corticoides. Por isso, a automedicação na crise pode trazer riscos. Repouso da articulação, gelo local e elevação do membro ajudam no alívio. Febre alta, vermelhidão que se espalha ou mal-estar importante exigem avaliação rápida, porque uma infecção na articulação pode imitar a gota. ## Prevenir novas crises: a meta do ácido úrico Depois da primeira crise, a pergunta é como evitar as próximas. A diretriz do American College of Rheumatology recomenda iniciar tratamento para baixar o ácido úrico em pessoas com crises frequentes, com tofos, que são depósitos visíveis de cristais sob a pele, ou com dano articular nas radiografias. O ponto central da diretriz é tratar com meta: ajustar a dose do medicamento com base em dosagens repetidas do ácido úrico até mantê-lo abaixo de 6 mg/dL. Abaixo desse valor, os cristais tendem a se dissolver aos poucos. A diretriz recomenda também, ao iniciar o tratamento, usar um medicamento preventivo contra crises por pelo menos três a seis meses, porque nesse período elas podem aumentar temporariamente. A alimentação e a perda de peso ajudam, mas, em quem tem gota estabelecida, raramente bastam para atingir a meta. O tratamento costuma ser de longo prazo, e interrompê-lo quando as crises somem é uma das principais causas de retorno. ## Gota no Programa Compasso Como a gota está ligada a pressão alta, obesidade, diabetes e doença renal, ela entra naturalmente no acompanhamento do Programa Compasso. A consulta inicial, de cerca de duas horas, revisa o histórico de crises, os exames de ácido úrico e de função renal, os medicamentos em uso, inclusive os que podem elevar o ácido úrico, e os hábitos que funcionam como gatilho. As mudanças de rotina são planejadas com foco no que mais pesa: álcool, bebidas açucaradas, excesso de carnes e vísceras, hidratação e perda de gordura corporal, acompanhada pela bioimpedância mensal. Nas visitas semanais, a médica acompanha a adesão ao tratamento prescrito e os sinais de crise. O medicamento para baixar o ácido úrico, quando indicado, é conduzido pelo seu reumatologista ou clínico, e a Sanare compartilha os dados de evolução. Ao final das 12 semanas, o relatório reúne ácido úrico, rins, pressão e composição corporal num só lugar. ## Perguntas frequentes - O que comer durante uma crise de gota? Durante a crise, o mais importante é o tratamento médico da inflamação. Na alimentação, vale evitar álcool, bebidas açucaradas e excesso de carnes e vísceras, e manter boa hidratação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-o-que-comer-crise-gota/) - Gota tem tratamento definitivo? A gota é uma doença crônica, mas pode ser controlada. Mantendo o ácido úrico abaixo da meta, as crises tendem a diminuir ou desaparecer e os cristais se dissolvem aos poucos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-gota-tratamento-definitivo/) - Ácido úrico alto sem crise precisa de tratamento? Na maioria das pessoas sem crise, o tratamento é com mudanças de rotina e acompanhamento, sem remédio. Situações específicas são avaliadas individualmente pelo médico. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-acido-urico-alto-sem-crise/) - Gota tem relação com pressão alta? Sim. Gota e hipertensão aparecem juntas com frequência, compartilham fatores de risco, e alguns remédios para pressão elevam o ácido úrico. Os dois precisam ser tratados em conjunto. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-gota-e-pressao-alta/) ## Dados e evidências - Em 2020, 55,8 milhões de pessoas tinham gota no mundo; a prevalência padronizada subiu 22,5% desde 1990 e foi 3,26 vezes maior em homens. Fonte: Lancet Rheumatol 2024, PMID 38996590 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38996590/) - A diretriz do American College of Rheumatology recomenda tratamento com meta, ajustando a dose para manter o ácido úrico abaixo de 6 mg/dL. Fonte: Arthritis Care Res 2020, PMID 32391934 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32391934/) - A mesma diretriz recomenda medicação preventiva contra crises por pelo menos 3 a 6 meses ao iniciar o tratamento para baixar o ácido úrico. Fonte: Arthritis Care Res 2020, PMID 32391934 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32391934/) ## Fontes - GBD 2021 Gout Collaborators. Global, regional, and national burden of gout, 1990–2020, and projections to 2050. Lancet Rheumatol 2024: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38996590/ - FitzGerald JD et al. 2020 American College of Rheumatology Guideline for the Management of Gout. Arthritis Care Res 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32391934/ - NIDDK — Preventing Chronic Kidney Disease: https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd/prevention --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.