# MASLD: o novo nome da gordura no fígado e o risco de fibrose URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/masld-gordura-no-figado-e-fibrose/ MASLD é o nome atual da gordura no fígado associada a alterações metabólicas, e o que mais importa nela é a fibrose. Entenda a mudança de nome, como o risco é avaliado e por que diabetes e pressão alta entram nessa conversa. ## Por que o nome mudou Durante décadas, a gordura no fígado sem relação com álcool foi chamada de doença hepática gordurosa não alcoólica, a famosa esteatose. Em 2023, um consenso internacional com dezenas de sociedades médicas, publicado na revista Hepatology, propôs uma nova nomenclatura. O termo guarda-chuva passou a ser doença hepática esteatótica, que engloba as diversas causas de gordura no fígado. A forma ligada ao metabolismo recebeu o nome de MASLD, sigla em inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Para o diagnóstico, além da gordura no fígado, é preciso ter pelo menos um de cinco fatores de risco cardiometabólico: excesso de peso ou cintura aumentada, glicose alterada ou diabetes, pressão alta, triglicerídeos altos ou HDL baixo. A mudança não é só de nome. Ela deixa claro que a gordura no fígado faz parte do mesmo problema metabólico que causa diabetes, hipertensão e síndrome metabólica, e que deve ser cuidada junto com eles. ## Uma condição muito frequente A gordura no fígado é uma das alterações mais comuns da medicina atual. Uma revisão sistemática publicada em 2023 na Hepatology, que reuniu 92 estudos com mais de 9 milhões de pessoas, estimou prevalência global de cerca de 30%. O mais preocupante foi a tendência: a prevalência subiu de 25% no período de 1990 a 2006 para 38% entre 2016 e 2019, um aumento de cerca de 50%. Essa frequência acompanha o crescimento da obesidade e do diabetes. Em pessoas com diabetes tipo 2, a gordura no fígado é ainda mais comum, e é justamente nesse grupo que as formas com inflamação e fibrose aparecem com mais frequência. Muitas pessoas descobrem a MASLD por acaso, num ultrassom de abdome pedido por outro motivo, ou por enzimas do fígado levemente alteradas. Como não costuma dar sintomas, ela pode evoluir em silêncio por anos. ## O que realmente importa: a fibrose A gordura no fígado, por si só, não define o prognóstico. O que mais importa é se há fibrose, ou seja, cicatrização do tecido hepático causada por inflamação persistente. A fibrose é graduada de zero a quatro, sendo o grau quatro a cirrose. Uma metanálise publicada na Hepatology mostrou que o risco de morte por qualquer causa aumenta com o estágio da fibrose, e que o risco de morte relacionada ao fígado cresce de forma exponencial a cada estágio. No grau quatro, a mortalidade por todas as causas foi cerca de seis vezes maior do que em quem não tinha fibrose. Por isso, diante de um ultrassom com esteatose, a pergunta mais importante não é quanto de gordura há no fígado, e sim qual é o risco de fibrose. A maioria das pessoas com MASLD não tem fibrose avançada, mas identificar quem tem muda a conduta e o acompanhamento. ## Como o risco de fibrose é avaliado As diretrizes europeias de 2024, publicadas em conjunto pelas sociedades de fígado, diabetes e obesidade, recomendam procurar a fibrose em pessoas com fatores de risco cardiometabólico, enzimas do fígado alteradas ou sinais de gordura no fígado em exames de imagem, especialmente quando há diabetes tipo 2 ou obesidade com outros fatores de risco. A estratégia é em etapas. Primeiro, um escore calculado com exames de sangue simples, como o FIB-4, que usa idade, as enzimas TGO e TGP e as plaquetas. Quando o resultado é baixo, a probabilidade de fibrose avançada é pequena. Quando é intermediário ou alto, o passo seguinte é um exame de imagem que mede a rigidez do fígado, como a elastografia hepática transitória. Essa abordagem evita biópsias desnecessárias e direciona a atenção do hepatologista para quem precisa. O ultrassom comum mostra a gordura, mas não é bom para avaliar fibrose. ## Tratamento e acompanhamento As diretrizes europeias destacam que o tratamento da MASLD se baseia em mudança de estilo de vida, com perda de peso, mudanças na alimentação, exercício físico e redução do álcool, e no controle das condições associadas, como diabetes, pressão e colesterol. Em situações específicas, medicamentos podem ser indicados pelo especialista. No Programa Compasso da Sanare, a gordura no fígado é investigada em quem tem diabetes, pré-diabetes, síndrome metabólica ou pressão alta. A consulta inicial, de cerca de duas horas, revisa as enzimas, os exames de imagem e calcula o FIB-4. Quando o risco de fibrose não é baixo, a orientação é complementar a avaliação e encaminhar ao hepatologista. As visitas semanais sustentam as mudanças de rotina que mais beneficiam o fígado, e a bioimpedância mensal acompanha a gordura visceral, que caminha junto com a gordura hepática. A evolução é compartilhada com os médicos que acompanham você. ## Perguntas frequentes - O que é MASLD? É o nome atual da gordura no fígado associada a alterações metabólicas, como excesso de peso, diabetes, pressão alta ou triglicerídeos altos. Substituiu o termo doença hepática gordurosa não alcoólica. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-o-que-e-masld/) - Esteatose grau 2 é grave? O grau do ultrassom indica a quantidade de gordura, mas não a gravidade. O mais importante é avaliar se há fibrose, com escores de sangue e, quando indicado, elastografia. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-esteatose-grau-2-grave/) - O que é o exame FIB-4? É um cálculo feito com idade, TGO, TGP e plaquetas que estima a probabilidade de fibrose avançada no fígado. É o primeiro passo recomendado para avaliar quem tem gordura no fígado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-exame-fib-4/) - Gordura no fígado tem relação com diabetes? Sim, e a relação é de mão dupla. A gordura no fígado piora a resistência à insulina, e o diabetes aumenta o risco de inflamação e fibrose no fígado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-gordura-figado-e-diabetes/) ## Dados e evidências - Revisão de 92 estudos com mais de 9,3 milhões de pessoas estimou prevalência global de gordura no fígado de 30%, subindo de 25% (1990–2006) para 38% (2016–2019). Fonte: Hepatology 2023, PMID 36626630 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36626630/) - O consenso de 2023 renomeou a condição para MASLD e passou a exigir, além da gordura no fígado, pelo menos um de cinco fatores de risco cardiometabólico. Fonte: Hepatology 2023, PMID 37363821 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37363821/) - Em metanálise, a fibrose estágio 4 se associou a mortalidade por todas as causas 6,4 vezes maior do que a ausência de fibrose. Fonte: Hepatology 2017, PMID 28130788 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28130788/) - As diretrizes europeias de 2024 recomendam avaliar fibrose em etapas, com escore de sangue como o FIB-4 e, depois, elastografia. Fonte: J Hepatol 2024, PMID 38851997 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38851997/) ## Fontes - Rinella ME et al. A multisociety Delphi consensus statement on new fatty liver disease nomenclature. Hepatology 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37363821/ - Younossi ZM et al. The global epidemiology of NAFLD and NASH: a systematic review. Hepatology 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36626630/ - Dulai PS et al. Increased risk of mortality by fibrosis stage in NAFLD: systematic review and meta-analysis. Hepatology 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28130788/ - EASL-EASD-EASO Clinical Practice Guidelines on the management of MASLD. J Hepatol 2024: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38851997/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.