# Muitos remédios ao mesmo tempo: os riscos da polifarmácia e como revisar URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/polifarmacia-muitos-remedios/ Quem tem várias doenças crônicas costuma acumular remédios de médicos diferentes, e ninguém olha a lista inteira. Entenda os riscos da polifarmácia, os sinais de alerta e como uma revisão organizada ajuda. ## O que é polifarmácia e por que ela cresce Polifarmácia é o uso simultâneo de vários medicamentos, geralmente definido como cinco ou mais. Ela não é, por si só, um erro: pessoas com diabetes, pressão alta, colesterol alto e doença cardíaca podem precisar de vários remédios, todos bem indicados. O problema aparece quando a lista cresce sem que ninguém revise o conjunto. No Brasil, a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos, a PNAUM, mostrou que 93% dos idosos usavam pelo menos um medicamento de uso contínuo e 18% usavam cinco ou mais. Entre os idosos com diabetes, a polifarmácia chegou a 36%, e entre os com doença cardíaca, a 43%. Ela também foi mais comum em quem tinha plano de saúde e em quem havia sido internado no ano anterior. A explicação é fácil de entender: cada especialista trata a sua área, cada internação acrescenta um remédio, e poucas vezes alguém para e pergunta se tudo ainda é necessário. ## Os riscos de uma lista longa Quanto mais medicamentos, maior a chance de interações, em que um remédio aumenta ou diminui o efeito de outro, e de efeitos colaterais que se somam. Tontura, quedas, sonolência, confusão, constipação, perda de apetite e alterações na função dos rins são exemplos frequentes, e muitas vezes são atribuídos à idade ou a uma nova doença, o que leva a mais um remédio. É a chamada cascata de prescrição. Alguns exemplos comuns em quem tem doenças crônicas: vários remédios que baixam a pressão somados, levando a quedas ao levantar; anti-inflamatórios usados para dor que elevam a pressão e prejudicam os rins; medicamentos para diabetes em doses que ficaram altas depois da perda de peso; e suplementos e fitoterápicos que interagem com anticoagulantes ou com remédios para pressão. A polifarmácia também dificulta a adesão. Muitos horários, muitos comprimidos e efeitos colaterais incômodos aumentam a chance de esquecimentos e de interrupções por conta própria. ## Revisar não é cortar por cortar A revisão de medicamentos, também chamada de desprescrição quando envolve retirar o que não é mais necessário, é um processo médico cuidadoso. O objetivo não é reduzir o número de remédios a qualquer custo, e sim assegurar que cada um tenha indicação atual, dose adequada e benefício maior que o risco. Uma revisão sistemática publicada no Journal of General Internal Medicine, com 38 ensaios clínicos em idosos que vivem na comunidade, encontrou que a revisão abrangente de medicamentos pode ter reduzido a mortalidade, com razão de chances de 0,74, e diminuiu o uso de medicamentos potencialmente inadequados. Outra metanálise, com 32 ensaios e mais de 18 mil pacientes, mostrou que intervenções de desprescrição reduziram reações adversas a medicamentos e melhoraram a adesão ao tratamento. Qualquer mudança deve ser feita pelo médico responsável pelo remédio, de forma gradual quando necessário. Alguns medicamentos não podem ser interrompidos de uma vez. ## Como se preparar para uma revisão A forma mais eficiente de começar é levar à consulta todos os medicamentos que você usa, nas embalagens originais, ou uma lista completa com nome, dose, horário e quem prescreveu. Inclua os remédios comprados sem receita, como analgésicos, antiácidos e remédios para dormir, e também vitaminas, suplementos, fitoterápicos e chás de uso frequente. Vale anotar ainda: há quanto tempo usa cada um, por que começou, se sente algum efeito que atribui a ele e se esquece alguma dose com frequência. Essas informações ajudam o médico a identificar duplicidades, interações e remédios que perderam a indicação. Na conversa, algumas perguntas são úteis. Este remédio ainda é necessário? A dose está adequada para minha idade e minha função renal? Algum deles pode estar causando os sintomas que sinto? Existe forma de simplificar os horários? Pergunte também o que acontece se um remédio for retirado e como será o acompanhamento. ## A revisão dentro do Programa Compasso No Programa Compasso da Sanare, a revisão completa dos medicamentos faz parte da consulta inicial, de cerca de duas horas. A médica reúne o que foi prescrito por cada especialista, os suplementos e os remédios sem receita, confere doses, horários e interações, e relaciona os sintomas que você relata com possíveis efeitos colaterais. Quando ela identifica algo que pode ser ajustado, como uma dose que ficou alta depois da perda de peso ou duas medicações com o mesmo efeito, a orientação é organizar os dados e encaminhar ao médico que prescreveu, para que a decisão seja tomada por ele. Remédios de uso contínuo não são suspensos sem essa conversa. Nas visitas semanais, a médica acompanha a adesão, os efeitos e as medidas de pressão e glicose de casa. Suplementos e terapias complementares só entram depois de avaliação de interações. Ao final das 12 semanas, o relatório inclui a lista atualizada de medicamentos, um documento útil para todos os médicos que cuidam de você. ## Perguntas frequentes - Tomar muitos remédios ao mesmo tempo faz mal? Não necessariamente, se todos forem bem indicados e revisados. O risco aumenta com interações, doses inadequadas e remédios que perderam a indicação, por isso a revisão periódica é importante. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-muitos-remedios-faz-mal/) - Posso tomar suplemento junto com remédio de pressão? Depende do suplemento e do remédio. Alguns, como potássio e certos fitoterápicos, podem interagir com medicamentos para pressão. Sempre informe o médico antes de começar. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-suplemento-com-remedio-pressao/) - Posso parar um remédio por conta própria se me sinto bem? Não. Muitas vezes você se sente bem justamente porque o remédio está funcionando, e alguns não podem ser interrompidos de uma vez. Converse com o médico antes. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-parar-remedio-por-conta-propria/) - Como organizar os horários de muitos remédios? Uma lista atualizada, porta-comprimidos semanal, alarmes no celular e associar as doses a rotinas fixas ajudam. Pedir ao médico para simplificar horários também é válido. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-organizar-horarios-remedios/) ## Dados e evidências - Na PNAUM, 18% dos idosos brasileiros usavam cinco ou mais medicamentos; a polifarmácia chegou a 36% entre idosos com diabetes e 43% entre os com doença cardíaca. Fonte: Rev Saude Publica 2016, PMID 27982377 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27982377/) - Em 38 ensaios com idosos da comunidade, a revisão abrangente de medicamentos pode ter reduzido a mortalidade (razão de chances 0,74) e diminuiu medicamentos potencialmente inadequados. Fonte: J Gen Intern Med 2020, PMID 32820421 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32820421/) - Em 32 ensaios com 18.670 pacientes, intervenções de desprescrição reduziram reações adversas a medicamentos e melhoraram a adesão. Fonte: J Am Med Dir Assoc 2023, PMID 37582482 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37582482/) ## Fontes - Ramos LR et al. Polypharmacy and Polymorbidity in Older Adults in Brazil: a public health challenge. Rev Saude Publica 2016: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27982377/ - Bloomfield HE et al. Deprescribing for Community-Dwelling Older Adults: a Systematic Review and Meta-analysis. J Gen Intern Med 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32820421/ - Deprescribing Interventions for Older Patients: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Am Med Dir Assoc 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37582482/ - Tavares NUL et al. Factors associated with low adherence to medicine treatment for chronic diseases in Brazil. Rev Saude Publica 2016: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27982378/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.