# Risco cardiovascular: como é calculado e o que ele muda no tratamento URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/risco-cardiovascular-como-calcular/ O risco cardiovascular estima a chance de ter infarto ou AVC nos próximos anos e define quão intenso deve ser o tratamento. Veja quais fatores entram no cálculo, como ele é usado e o que você pode mudar. ## Por que calcular o risco, e não olhar cada exame isolado Pressão um pouco alta, colesterol no limite, glicose subindo, cigarro de vez em quando. Cada um desses fatores, sozinho, pode parecer pouco. Somados, podem representar um risco alto de infarto ou AVC. O cálculo do risco cardiovascular existe justamente para olhar o conjunto. O estudo INTERHEART, publicado na revista The Lancet, comparou mais de 15 mil pessoas que tiveram um primeiro infarto com um número semelhante de pessoas sem infarto, em 52 países. Nove fatores explicaram cerca de 90% do risco atribuível nos homens e 94% nas mulheres: alterações das gorduras do sangue, tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade abdominal, fatores psicossociais, baixo consumo de frutas e verduras, álcool e sedentarismo. A conclusão dos autores é que a maior parte do risco de infarto é atribuível a fatores conhecidos e, em grande parte, modificáveis, em homens e mulheres, jovens e idosos, em todas as regiões do mundo. ## Como os escores funcionam Os escores de risco são fórmulas desenvolvidas a partir do acompanhamento de grandes populações. Eles usam informações como idade, sexo, pressão sistólica, uso de remédio para pressão, colesterol total e HDL, tabagismo e diabetes para estimar a probabilidade de um evento cardiovascular em dez anos. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia orienta a estratificação de risco em categorias, considerando também condições que já colocam a pessoa em risco alto, como doença aterosclerótica estabelecida, diabetes com lesão de órgãos ou LDL muito elevado. Nos Estados Unidos, a American Heart Association publicou em 2024 as equações PREVENT, desenvolvidas com dados de mais de 6,6 milhões de adultos. Elas incluem a função dos rins e podem incorporar a albuminúria e a hemoglobina glicada, e estimam também o risco de insuficiência cardíaca. Nenhum escore é perfeito. Eles estimam o risco de grupos de pessoas parecidas com você, e não preveem o futuro individual com certeza. ## Fatores que refinam a estimativa Além das variáveis dos escores, alguns fatores podem aumentar o risco e mudar a conduta. Histórico familiar de doença cardíaca precoce, em parentes de primeiro grau, é um dos mais importantes. Doença renal crônica, inclusive a perda de proteína na urina, também pesa, e por isso entrou nas equações mais recentes. Nas mulheres, menopausa precoce, pré-eclâmpsia e diabetes na gestação são sinais de alerta. Doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide e psoríase, aumentam o risco. A gordura abdominal e a gordura no fígado também se associam a mais eventos. Em casos de dúvida, quando o risco calculado fica numa zona intermediária, alguns exames podem ajudar a decidir: a lipoproteína(a), a apolipoproteína B e, em perfis selecionados, a medida de cálcio nas artérias coronárias por tomografia. A indicação desses exames é individual e feita pelo médico, e eles não substituem o cálculo básico. ## O que o risco muda no tratamento O risco calculado orienta a intensidade do tratamento. Em pessoas de risco baixo, mudanças de estilo de vida costumam ser a principal estratégia, com reavaliações periódicas. À medida que o risco sobe, as metas ficam mais rigorosas, e os medicamentos entram mais cedo. Um exemplo vem do estudo SPRINT, publicado no New England Journal of Medicine. Em pessoas de alto risco cardiovascular sem diabetes, buscar pressão sistólica abaixo de 120 mmHg, em vez de abaixo de 140, reduziu eventos cardiovasculares e mortalidade. O mesmo estudo mostrou mais eventos adversos, como pressão baixa, desmaios e alterações renais, no grupo intensivo, o que reforça que metas agressivas exigem acompanhamento próximo e escolha individual. O risco também pode ser recalculado depois das mudanças. Parar de fumar, baixar a pressão e o colesterol e controlar o diabetes reduzem o risco estimado, e ver esse número cair costuma motivar. ## Risco cardiovascular no Programa Compasso Na consulta inicial do Programa Compasso, de cerca de duas horas, a médica da Sanare reúne as informações necessárias para estimar o seu risco: medidas de pressão com técnica adequada, exames de colesterol, glicose e função renal, histórico familiar, tabagismo, sono e composição corporal. Você recebe uma explicação clara do que o número significa e de quais fatores pesam mais no seu caso. A partir daí, as metas das 12 semanas são definidas em ordem de impacto. Para uma pessoa, a prioridade pode ser parar de fumar; para outra, controlar a pressão ou reduzir a gordura visceral. As visitas semanais acompanham essas metas, e a bioimpedância mensal registra a evolução da composição corporal. O cálculo e as metas são compartilhados com o seu cardiologista ou endocrinologista, que conduz o tratamento medicamentoso. Ao final, o relatório de evolução mostra o que mudou e ajuda a recalcular o risco com dados atualizados. ## Perguntas frequentes - Como calcular meu risco de infarto? O risco é estimado por escores que usam idade, sexo, pressão, colesterol, tabagismo, diabetes e função renal. O cálculo deve ser feito com o médico, que interpreta o resultado no seu contexto. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-como-calcular-risco-infarto/) - Histórico de infarto na família aumenta meu risco? Sim, especialmente quando o infarto ocorreu cedo em parentes de primeiro grau. Isso pode justificar avaliação mais detalhada e metas mais rigorosas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-historico-familiar-infarto-risco/) - Exame de cálcio nas coronárias: quem deve fazer? É indicado em casos selecionados, principalmente quando o risco calculado é intermediário e há dúvida sobre iniciar ou intensificar o tratamento. Não é exame de rotina para todos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-escore-de-calcio-coronarias/) - Meu risco cardiovascular pode diminuir? Sim. Parar de fumar, controlar pressão, colesterol e glicose, perder gordura abdominal e fazer exercício reduzem o risco estimado. A idade e a genética não mudam, mas o resto pode mudar. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-risco-cardiovascular-pode-diminuir/) ## Dados e evidências - No INTERHEART, nove fatores de risco modificáveis responderam por 90% do risco atribuível de infarto nos homens e 94% nas mulheres, em 52 países. Fonte: The Lancet 2004, PMID 15364185 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15364185/) - As equações PREVENT da American Heart Association foram desenvolvidas e validadas com dados de mais de 6,6 milhões de adultos e incluem a função dos rins. Fonte: Circulation 2024, PMID 37947085 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37947085/) - No SPRINT, em pessoas de alto risco sem diabetes, a meta de sistólica abaixo de 120 mmHg reduziu o desfecho cardiovascular principal em 25% em relação à meta abaixo de 140, com mais eventos adversos como hipotensão. Fonte: N Engl J Med 2015, PMID 26551272 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26551272/) - No INTERHEART, o tabagismo atual teve razão de chances de 2,87 para infarto em comparação com nunca ter fumado. Fonte: The Lancet 2004, PMID 15364185 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15364185/) ## Fontes - Yusuf S et al. INTERHEART: potentially modifiable risk factors associated with myocardial infarction in 52 countries. Lancet 2004: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15364185/ - Khan SS et al. Development and Validation of the American Heart Association's PREVENT Equations. Circulation 2024: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37947085/ - SPRINT Research Group. A Randomized Trial of Intensive versus Standard Blood-Pressure Control. N Engl J Med 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26551272/ - Cholesterol Treatment Trialists' Collaboration. Lancet 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21067804/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.