# Cigarro e álcool: o peso de cada um nas doenças crônicas URL: https://sanareclinic.com.br/programa-compasso-doencas-cronicas/tabagismo-e-alcool-nas-doencas-cronicas/ Fumar aumenta o risco de diabetes e de infarto, e o álcool eleva a pressão e os triglicerídeos. Veja o que muda quando você para de fumar ou reduz a bebida, e como fazer isso com apoio. ## Dois hábitos comuns no Brasil O cigarro e o álcool continuam presentes na vida de muitos brasileiros. No Vigitel 2023, inquérito do Ministério da Saúde nas capitais, 9,3% dos adultos eram fumantes, com frequência maior entre homens, 11,7%, do que entre mulheres, 7,2%. O consumo abusivo de álcool, definido como quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens numa mesma ocasião, foi relatado por 20,8% dos adultos nos 30 dias anteriores, chegando a 27,3% entre os homens. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que o tabaco mate mais de 7 milhões de pessoas por ano, incluindo mais de 1,6 milhão de não fumantes expostos à fumaça. A OMS lembra que todas as formas de uso de tabaco são prejudiciais e que não existe nível seguro de exposição. Para quem já tem pressão alta, diabetes ou colesterol alto, esses dois hábitos pesam ainda mais, porque multiplicam o risco que essas doenças já trazem. ## Cigarro, diabetes e coração A relação entre cigarro e doença cardiovascular é bem conhecida. No estudo INTERHEART, fumar quase triplicou a chance de infarto em comparação com nunca ter fumado. O cigarro danifica a parede dos vasos, favorece a formação de placas e de coágulos e reduz o oxigênio disponível para o coração. Menos conhecida é a relação com o diabetes. Uma metanálise publicada no JAMA, com 25 estudos e 1,2 milhão de participantes, mostrou que fumantes têm risco 44% maior de desenvolver diabetes tipo 2. O risco foi maior em quem fumava 20 ou mais cigarros por dia e menor em ex-fumantes, um padrão que sugere relação com a dose. Em quem já tem diabetes, o cigarro dificulta o controle da glicose e aumenta muito o risco de complicações nos pés, nos rins, nos olhos e no coração. Cigarro eletrônico e outros produtos com nicotina não são alternativas seguras. A OMS considera a nicotina altamente viciante e prejudicial. ## O que acontece quando se para de fumar Parar de fumar traz benefícios em qualquer idade, e alguns aparecem mais rápido do que muita gente imagina. Uma análise do estudo de Framingham, publicada no JAMA em 2019, acompanhou quase 9 mil pessoas por mais de 26 anos. Entre fumantes pesados, parar de fumar se associou a risco de doença cardiovascular 39% menor já nos primeiros cinco anos, em comparação com quem continuou fumando. O mesmo estudo mostrou que o risco de ex-fumantes continuou um pouco acima do de quem nunca fumou por mais tempo, e só deixou de ser significativamente maior entre 10 e 15 anos depois de parar. Isso reforça duas mensagens: vale parar o quanto antes, e o benefício aumenta com o tempo. Algumas pessoas ganham peso ao parar de fumar, o que pode preocupar quem tem diabetes. Esse ganho costuma ser modesto e pode ser manejado com alimentação e exercício, e o benefício cardiovascular de parar supera em muito o efeito do peso. ## Álcool: pressão, triglicerídeos e glicose O álcool eleva a pressão arterial, e o efeito é maior em quem bebe mais. Uma metanálise publicada na Lancet Public Health, com 36 ensaios clínicos, mostrou que, em quem bebia mais de duas doses por dia, reduzir o consumo baixou a pressão. Em quem bebia seis ou mais doses diárias e reduziu cerca de metade, a sistólica caiu em média 5,5 mmHg e a diastólica, cerca de 4 mmHg. O álcool também é uma das causas mais comuns de triglicerídeos altos, contribui para a gordura no fígado, acrescenta calorias e piora a qualidade do sono. Em quem tem diabetes e usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, beber sem comer aumenta o risco de glicose baixa, que pode ser confundida com embriaguez. Para quem tem gota, cerveja e destilados são gatilhos conhecidos de crises. E o álcool interage com vários medicamentos usados no tratamento de doenças crônicas. ## Mudar com apoio, no Programa Compasso Parar de fumar e reduzir o álcool são mudanças difíceis, e tentar sozinho costuma ser menos eficaz do que com acompanhamento. Existem tratamentos com boa eficácia para a dependência de nicotina, que combinam apoio comportamental e, quando indicado, medicamentos, e podem ser conduzidos pelo médico. No Programa Compasso da Sanare, esses hábitos são discutidos sem julgamento desde a consulta inicial, de cerca de duas horas. A médica entende o seu padrão de consumo, os gatilhos, as tentativas anteriores e o que pesa mais no seu risco. As metas são combinadas de forma realista, considerando sua vida social e profissional em São Paulo. Nas visitas semanais, a evolução é acompanhada junto com as medidas de pressão e glicose de casa, o que permite ver o efeito das mudanças nos números. Quando há indicação de tratamento específico para tabagismo ou de apoio especializado para o álcool, a médica orienta e encaminha. ## Perguntas frequentes - Fumar aumenta o risco de diabetes? Sim. Fumantes têm risco cerca de 44% maior de desenvolver diabetes tipo 2, e o risco cresce com o número de cigarros. Em quem já tem diabetes, o cigarro piora o controle e as complicações. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-fumar-aumenta-risco-diabetes/) - Quanto tempo depois de parar de fumar o risco do coração diminui? O risco começa a cair já nos primeiros anos. Em fumantes pesados, ele foi 39% menor nos primeiros cinco anos depois de parar, e continua diminuindo com o tempo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-parar-fumar-risco-coracao-diminui/) - Quem tem pressão alta pode beber? O álcool eleva a pressão, principalmente em quantidades maiores. Quem tem hipertensão deve reduzir ou evitar, e o limite seguro deve ser conversado com o médico, considerando os remédios em uso. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-pressao-alta-pode-beber/) - Cigarro eletrônico é menos prejudicial para quem tem doença crônica? Não é uma opção segura. Ele contém nicotina, que é viciante e afeta o coração e os vasos, além de outras substâncias. Quem quer parar de fumar deve buscar tratamento com eficácia comprovada. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/cronicas-cigarro-eletronico-doenca-cronica/) ## Dados e evidências - Em 25 estudos com 1,2 milhão de participantes, fumantes tiveram risco 44% maior de diabetes tipo 2; em quem fumava 20 ou mais cigarros por dia, 61% maior. Fonte: JAMA 2007, PMID 18073361 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18073361/) - Entre fumantes pesados do estudo de Framingham, parar de fumar se associou a risco cardiovascular 39% menor nos primeiros cinco anos em comparação com continuar fumando. Fonte: JAMA 2019, PMID 31429895 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31429895/) - Em quem bebia seis ou mais doses por dia, reduzir o álcool em cerca de 50% baixou a pressão sistólica em 5,5 mmHg e a diastólica em cerca de 4 mmHg. Fonte: Lancet Public Health 2017, PMID 29253389 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29253389/) - No Vigitel 2023, 9,3% dos adultos das capitais eram fumantes e 20,8% relataram consumo abusivo de álcool nos 30 dias anteriores. Fonte: Vigitel Brasil 2023 (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf) - A OMS estima que o tabaco mate mais de 7 milhões de pessoas por ano, incluindo mais de 1,6 milhão de não fumantes expostos à fumaça. Fonte: OMS, Tobacco and nicotine (https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco) ## Fontes - Willi C et al. Active smoking and the risk of type 2 diabetes: a systematic review and meta-analysis. JAMA 2007: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18073361/ - Duncan MS et al. Association of Smoking Cessation With Subsequent Risk of Cardiovascular Disease. JAMA 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31429895/ - Roerecke M et al. The effect of a reduction in alcohol consumption on blood pressure. Lancet Public Health 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29253389/ - OMS — Tobacco and nicotine (fact sheet): https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco - Vigitel Brasil 2023 — Ministério da Saúde: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.