# Libido e sexualidade na menopausa URL: https://sanareclinic.com.br/programa-essencia-menopausa/libido-e-sexualidade/ A queda da libido é uma das queixas mais frequentes da meia-idade e quase nunca tem uma causa única. Hormônios, secura vaginal, sono, cansaço, relacionamento e autoimagem se misturam, e por isso o cuidado precisa olhar para tudo isso junto. ## Uma queixa muito mais comum do que parece A diminuição do desejo sexual é o problema sexual mais frequente entre mulheres de meia-idade. Um estudo populacional brasileiro, publicado no Journal of Sexual Medicine, avaliou 378 mulheres de 40 a 65 anos e encontrou desejo sexual baixo em 60,6% delas, dificuldade de excitação em 37% e dificuldade de orgasmo em 31,1%. O mesmo estudo mostrou que fogachos estavam associados a pior excitação e orgasmo e a menor frequência de atividade sexual, enquanto sentir-se bem de saúde e ter parceiro funcionaram como fatores de proteção. Ou seja, sintomas da menopausa e qualidade de vida influenciam diretamente a sexualidade. Mesmo sendo tão comum, a libido baixa raramente é tratada. Muitas mulheres têm vergonha de tocar no assunto, e muitos profissionais não perguntam. O resultado é sofrimento silencioso, conflitos no relacionamento e a sensação de que isso faz parte da idade. ## O que pesa no desejo sexual nessa fase O desejo sexual da mulher depende de fatores biológicos, emocionais e do contexto da relação, e a menopausa mexe com vários deles ao mesmo tempo. Do lado hormonal, a queda do estrogênio reduz a lubrificação e torna a mucosa vaginal mais sensível, o que pode transformar a relação em algo desconfortável ou doloroso. Quando o sexo dói, o desejo naturalmente diminui. A testosterona feminina, produzida pelos ovários e pelas suprarrenais, cai gradualmente com a idade, e mais abruptamente quando os ovários são retirados. Ela participa do desejo, mas não é a única explicação. O sono fragmentado pelos suores noturnos, o cansaço acumulado, a gordura abdominal que muda a autoimagem, o estresse com trabalho, filhos e pais idosos, o uso de alguns medicamentos e doenças como diabetes e hipotireoidismo também reduzem a libido. O parceiro também conta: no estudo brasileiro sobre menopausa precoce, ter um parceiro com problemas sexuais foi um dos fatores mais associados à dificuldade de excitação. ## Como a investigação é feita A avaliação da libido começa por uma conversa franca e sem julgamento sobre o que mudou, desde quando e o quanto isso incomoda você. Há uma diferença importante entre ter menos desejo e estar tudo bem com isso, e ter menos desejo com sofrimento. Só no segundo caso faz sentido falar em tratamento. A médica investiga secura vaginal e dor na relação, sono, fogachos, humor, cansaço, uso de medicamentos, doenças crônicas, relação com o parceiro e autoimagem. O exame ginecológico avalia a mucosa e descarta outras causas de dor. Exames laboratoriais ajudam a afastar causas tratáveis, como hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina D, diabetes e alterações de prolactina. A dosagem de testosterona em mulheres tem uso limitado para diagnosticar libido baixa, porque os valores não se correlacionam bem com o desejo, mas pode ser útil para monitorar um tratamento. ## Os caminhos de tratamento O tratamento da libido baixa é feito em camadas, começando pelo que está ao alcance e tem mais impacto. Tratar a síndrome geniturinária com hidratantes, lubrificantes ou terapia vaginal local costuma ser o primeiro passo, porque elimina a dor e o desconforto. Melhorar o sono e controlar os fogachos também devolve energia e disposição. Treino de força, cuidado com a composição corporal e mais tempo para si mesma influenciam a autoimagem e o bem-estar. Terapia sexual e terapia de casal têm papel importante quando há questões de relacionamento ou de expectativas. Sobre hormônios, um consenso global de 2019, endossado por várias sociedades médicas internacionais, afirma que a única indicação de testosterona com respaldo científico em mulheres é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopausa, após avaliação completa. O mesmo documento não encontrou benefício da testosterona para bem-estar geral, cognição ou ossos, e desaconselha formulações manipuladas sem padrão de qualidade. Os critérios de terapia hormonal estão na página de reposição hormonal da Sanare. ## Sexualidade como parte da saúde no Programa Essência Na Sanare, a sexualidade entra na consulta como parte natural da saúde da mulher. No Programa Essência, a Dra. Vânia Declair Cohen pergunta diretamente sobre desejo, lubrificação, dor e satisfação, porque sabe que muitas mulheres não trazem o assunto por conta própria. O plano integra as frentes que mais influenciam a libido: tratamento da saúde íntima quando necessário, cuidado com sono e fogachos, composição corporal medida mensalmente por bioimpedância, exames para causas tratáveis e, quando indicado após avaliação, terapia hormonal. Quando o caso pede, a paciente é orientada a buscar apoio em terapia sexual ou de casal. O acompanhamento semanal permite conversar sobre o que mudou, sem pressa e sem tabu, e ajustar a conduta com base na sua experiência, que é o que realmente importa. ## Perguntas frequentes - É normal perder a libido na menopausa? É comum: num estudo brasileiro, 60,6% das mulheres de 40 a 65 anos tinham desejo sexual baixo. Mas comum não significa que você precise aceitar, especialmente se isso causa sofrimento. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-perder-libido-normal/) - Testosterona aumenta a libido da mulher na menopausa? Pode ajudar em um grupo específico: mulheres pós-menopausa com transtorno do desejo sexual hipoativo diagnosticado após avaliação completa. Não é indicada para cansaço, bem-estar geral ou ganho de massa. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-testosterona-libido-mulher/) - Secura vaginal pode tirar o desejo sexual? Pode, e é uma das causas mais comuns e tratáveis. Quando a relação dói, o desejo tende a cair. Tratar a secura costuma ser o primeiro passo para recuperar a vida sexual. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-secura-vaginal-desejo-sexual/) - Reposição hormonal melhora a vida sexual? A terapia hormonal pode melhorar a lubrificação, o conforto na relação e o sono, o que favorece a vida sexual. O efeito direto sobre o desejo é variável e depende de cada caso. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-reposicao-hormonal-vida-sexual/) ## Dados e evidências - Em estudo populacional com 378 brasileiras de 40 a 65 anos, a prevalência de desejo sexual baixo foi de 60,6%; excitação baixa, 37%; e orgasmo baixo, 31,1%. Fonte: Valadares et al., J Sex Med 2011 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21810185/) - Um consenso global de 2019 afirma que a única indicação de testosterona baseada em evidência para mulheres é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopausa. Fonte: Davis et al., J Clin Endocrinol Metab 2019 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6821450/) - Em mulheres brasileiras com menopausa antes dos 40 anos, a disfunção de excitação foi relatada por 64,2%, associada principalmente a dor na relação e a problemas sexuais do parceiro. Fonte: Lett et al., Menopause 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28926515/) - Dor na relação foi o sintoma geniturinário mais frequente (35%) em brasileiras de 45 a 60 anos. Fonte: Bevilacqua et al., Menopause 2025 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39854673/) ## Fontes - Valadares AL et al. The prevalence of the components of low sexual function and associated factors in middle-aged women. J Sex Med 2011: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21810185/ - Davis SR et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab 2019: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6821450/ - Lett C et al. Is the age at menopause a cause of sexual dysfunction? A Brazilian population-based study. Menopause 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28926515/ - Bevilacqua MRR et al. Prevalence and predictors of genitourinary syndrome of menopause in Brazilian women. Menopause 2025: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39854673/ - The 2020 genitourinary syndrome of menopause position statement of The North American Menopause Society: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32852449/ - CFM. Resolução 2.333/2023: vedada a prescrição de terapias hormonais com fins estéticos, de ganho de massa muscular e de desempenho esportivo: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-proibe-a-prescricao-medica-de-terapias-hormonais-com-fins-esteticos-de-ganho-de-massa-muscular-e-de-melhoria-de-desempenho-esportivo/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.