# Menopausa cirúrgica: depois da retirada dos ovários URL: https://sanareclinic.com.br/programa-essencia-menopausa/menopausa-cirurgica/ A menopausa cirúrgica acontece quando os dois ovários são retirados antes da menopausa natural. A queda hormonal é abrupta, os sintomas tendem a ser mais intensos e o cuidado precisa começar logo após a cirurgia. ## O que é a menopausa cirúrgica Menopausa cirúrgica é a interrupção imediata da produção hormonal dos ovários pela retirada dos dois ovários, procedimento chamado de ooforectomia bilateral. Ela pode ser feita junto com a retirada do útero ou isoladamente, por motivos como endometriose, tumores, risco genético elevado de câncer de ovário e de mama, como nas mutações BRCA, ou outras doenças. É importante diferenciar: retirar apenas o útero, mantendo os ovários, não causa menopausa imediata. A menstruação para, mas os ovários continuam produzindo hormônios até a época da menopausa natural, que pode acontecer um pouco mais cedo nesses casos. Na menopausa natural, a queda hormonal se distribui ao longo de anos de perimenopausa. Na cirúrgica, ela acontece em horas, e o corpo não tem tempo de se adaptar. Quando a cirurgia é programada, há tempo para planejar. Conversar antes com a médica sobre o que esperar e quais tratamentos estarão disponíveis torna o pós-operatório mais previsível e menos assustador. ## Sintomas mais intensos e prolongados Uma revisão sobre menopausa cirúrgica publicada na Endocrinology and Metabolism Clinics of North America destaca que mulheres que retiram os ovários antes da menopausa têm sintomas mais intensos e mais duradouros do que na menopausa natural. Fogachos e suores noturnos costumam começar poucos dias depois da cirurgia e podem ser muito fortes. Secura vaginal, queda da libido e alterações do sono também tendem a ser mais marcantes. Os ovários produzem não só estrogênio, mas também parte da testosterona feminina, e mesmo depois da menopausa natural continuam produzindo androgênios; por isso, a retirada pode ter impacto maior sobre o desejo sexual. No estudo SWAN sobre sono, mulheres com menopausa cirúrgica que usavam hormônios tiveram, em geral, menos queixas de sono do que as que não usavam, o que mostra o papel do tratamento nessa situação. ## Os riscos de longo prazo Quanto mais jovem a mulher ao retirar os ovários, maiores tendem a ser os efeitos de longo prazo. A mesma revisão aponta aumento dos riscos de doença cardíaca, perda óssea excessiva, disfunção sexual e alterações cognitivas em comparação com a população geral, especialmente quando a cirurgia acontece antes dos 45 anos. No UK Biobank, a menopausa cirúrgica antes dos 40 anos associou-se a incidência de doença cardiovascular de 11,27 por mil mulheres-ano, contra 5,70 em mulheres sem menopausa prematura. Um estudo da Mayo Clinic publicado em 2023 na revista Menopause, com mulheres avaliadas em média 22 anos depois da cirurgia, mostrou que as que retiraram os ovários antes dos 46 anos tinham mais artrite, apneia do sono e fraturas, e caminhavam menos no teste de seis minutos. Esses dados não significam que a cirurgia seja errada quando bem indicada, mas mostram que o acompanhamento depois dela é essencial. Quanto antes ele começa, mais fácil é proteger o que importa. ## Reposição hormonal depois da cirurgia Para muitas mulheres que retiram os ovários antes da menopausa natural, a reposição hormonal é parte fundamental do cuidado. A lógica é semelhante à da menopausa precoce: repor o que o corpo deixou de produzir, ao menos até a idade habitual da menopausa, para proteger ossos, coração e qualidade de vida, quando não há contraindicação. Quem retirou também o útero geralmente usa apenas estrogênio. Quem manteve o útero precisa de progestagênio associado para proteger o endométrio. Mulheres com mutações BRCA ou histórico de câncer hormônio-dependente precisam de avaliação conjunta com o oncologista, porque as indicações mudam conforme o caso. A testosterona, quando há transtorno do desejo sexual hipoativo após avaliação completa, pode ser discutida, seguindo o consenso internacional de 2019. Os detalhes sobre tipos, vias e doses estão na página de reposição hormonal da Sanare. O ideal é que esse planejamento comece antes mesmo da cirurgia, quando ela é programada. ## Como a Sanare acompanha Na Sanare, mulheres com menopausa cirúrgica recebem acompanhamento próximo, porque a mudança é abrupta e os sintomas tendem a ser intensos. No Programa Essência, a Dra. Vânia Declair Cohen revisa o motivo da cirurgia, o laudo, os tratamentos associados e o histórico familiar, e define com a paciente o caminho mais adequado para os sintomas e a prevenção. A avaliação metabólica e a densitometria entram no plano conforme o risco, e a bioimpedância mensal acompanha a composição corporal. Saúde íntima, libido, sono e articulações recebem atenção específica. Quando há histórico oncológico, as decisões são compartilhadas com a equipe que acompanha a paciente. As visitas semanais permitem ajustar o tratamento com agilidade nas primeiras semanas, que costumam ser as mais difíceis. ## Perguntas frequentes - Quem tira os ovários entra na menopausa na hora? Sim. A retirada dos dois ovários antes da menopausa natural interrompe a produção hormonal de forma imediata, e os sintomas costumam aparecer em poucos dias. Retirar só o útero não causa menopausa imediata. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-tirar-ovarios-imediata/) - Menopausa cirúrgica é pior que a natural? Os sintomas costumam ser mais intensos, porque a queda hormonal é abrupta. Quando acontece antes dos 45 anos, os riscos para ossos e coração também aumentam, o que torna o acompanhamento ainda mais importante. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-cirurgica-pior-que-natural/) - Posso fazer reposição hormonal depois de retirar os ovários? Na maioria dos casos, sim, e ela costuma ser recomendada até a idade habitual da menopausa quando não há contraindicação. Quem tem histórico de câncer hormônio-dependente precisa de avaliação conjunta com o oncologista. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-cirurgica-reposicao-hormonal/) - Retirar o útero causa menopausa? Retirar só o útero não causa menopausa imediata: a menstruação para, mas os ovários continuam produzindo hormônios. A menopausa só é imediata quando os dois ovários também são retirados. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/menopausa-retirar-utero-histerectomia/) ## Dados e evidências - No UK Biobank, a menopausa cirúrgica antes dos 40 anos associou-se a incidência de doença cardiovascular de 11,27 por 1.000 mulheres-ano, contra 5,70 sem menopausa prematura. Fonte: Honigberg et al., JAMA 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31738818/) - Mulheres que retiraram os ovários antes dos 46 anos tinham, em média 22 anos depois, mais chance de artrite, apneia do sono e fraturas (OR 2,86) do que mulheres de referência. Fonte: Mielke et al., Menopause 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37699239/) - Mulheres que retiram os ovários antes da menopausa têm sintomas mais intensos e prolongados e maiores riscos de doença cardíaca, perda óssea e disfunção sexual. Fonte: Rodriguez e Shoupe, Endocrinol Metab Clin North Am 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26316241/) ## Fontes - Rodriguez M, Shoupe D. Surgical Menopause. Endocrinol Metab Clin North Am 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26316241/ - Honigberg MC et al. Association of Premature Natural and Surgical Menopause With Incident Cardiovascular Disease. JAMA 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31738818/ - Mielke MM et al. Long-term effects of premenopausal bilateral oophorectomy. Menopause 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37699239/ - Kravitz HM et al. Sleep disturbance during the menopausal transition. Sleep 2008: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18652093/ - NHS: Early menopause: https://www.nhs.uk/conditions/early-menopause/ - Davis SR et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab 2019: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6821450/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.