# Dor crônica no homem: por que ela é subestimada e o que investigar URL: https://sanareclinic.com.br/programa-movimento-dor-cronica/dor-cronica-no-homem/ Homens também convivem com dor crônica, mas costumam procurar ajuda mais tarde e falar menos sobre o impacto da dor. Depois dos 45, fatores como peso, sono, força muscular e hormônios merecem atenção especial. ## Menos frequente, mas não menos importante A maior parte das pesquisas mostra a dor crônica mais frequente em mulheres. Uma revisão sobre diferenças de sexo e gênero na dor estima que cerca de metade das condições de dor crônica é mais comum em mulheres e apenas cerca de 20% são mais comuns em homens. Na análise mais recente sobre dor no pescoço do estudo Carga Global de Doenças, por exemplo, a prevalência padronizada foi de cerca de 2.890 casos por 100 mil mulheres e 2.000 por 100 mil homens. Isso não significa que a dor crônica seja rara no homem. Dor lombar, artrose, dores no ombro, gota, dor ligada a lesões esportivas e de trabalho e dores neuropáticas, como as do diabetes, são frequentes, sobretudo depois dos 45 anos. E, como a dor masculina tende a ser menos falada, ela também pode ser menos tratada. ## Por que muitos homens demoram a procurar ajuda Normas culturais associadas à masculinidade, como resistir à dor, não demonstrar fragilidade e resolver sozinho, pesam na forma como muitos homens lidam com a dor. Uma revisão sobre viés de gênero no cuidado da dor crônica descreve como estereótipos sobre homens corajosos e mulheres emotivas influenciam tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. No inquérito nacional brasileiro sobre dor crônica, a interferência séria no trabalho foi relatada por 14,9% dos homens com dor, e a interrupção séria do sono por 16,4%, números menores que os das mulheres. Parte dessa diferença pode ser real, e parte pode refletir a tendência de minimizar o impacto. Na prática clínica, é comum o homem chegar à consulta depois de anos de dor, com automedicação frequente e várias atividades abandonadas. ## Fatores que pesam na dor masculina depois dos 45 Alguns fatores merecem atenção especial no homem de meia-idade. O excesso de gordura abdominal aumenta a carga sobre a coluna e os joelhos e a inflamação de baixo grau. O sono ruim, muitas vezes ligado a apneia, ronco e jornadas longas, amplifica a dor. A perda progressiva de massa muscular, que se acelera com o sedentarismo, deixa articulações menos protegidas. Esportes de impacto praticados de forma intermitente, como o futebol de fim de semana sem preparo físico ao longo da semana, também são fonte frequente de lesões e de dores que se arrastam. O consumo de álcool, o tabagismo e o estresse do trabalho também contam. A metanálise brasileira sobre prevalência de dor crônica encontrou associação da dor com consumo excessivo de álcool, tabagismo, atividade profissional intensa, obesidade central e sedentarismo. ## A conexão com os hormônios A testosterona participa da manutenção da massa muscular, da densidade óssea, do humor e da energia. Níveis baixos podem contribuir para cansaço, perda de força, ganho de gordura abdominal e piora do sono, fatores que se somam à dor crônica. Há também uma relação que costuma passar despercebida: o uso prolongado de opioides para dor pode reduzir a testosterona. Em um estudo com homens em uso diário de opioides para dor crônica, 53% tinham testosterona baixa, proporção que chegou a 74% entre os que usavam opioides de ação prolongada. O índice de massa corporal mais alto também se associou a testosterona baixa. A investigação hormonal, portanto, faz sentido em homens com dor crônica, especialmente quando há cansaço, perda de libido ou uso de opioides. ## Dor no homem e o cuidado preventivo A dor crônica pode ser uma porta de entrada para o cuidado da saúde como um todo. Muitos homens procuram atendimento por dor nas costas ou no joelho e descobrem, na avaliação, pressão alta, glicose elevada, gordura no fígado, apneia do sono ou testosterona baixa. Tratar esses fatores melhora a saúde geral e, muitas vezes, também a dor. Na Sanare, a saúde hormonal masculina é acompanhada no Programa Vital, e a reposição de testosterona só é considerada após confirmação laboratorial adequada e avaliação de riscos. ## Como a Sanare acompanha o homem com dor No Programa Movimento, a consulta inicial de cerca de duas horas reconstrói a história da dor e revisa medicamentos, inclusive automedicação, sono, consumo de álcool, trabalho e atividade física. A bioimpedância mostra a composição corporal, e exames investigam fatores metabólicos e hormonais quando indicados. O plano de 12 semanas combina fortalecimento progressivo, perda de gordura com preservação muscular, cuidado com o sono e revisão da receita. As metas são concretas e muitas vezes ligadas ao trabalho, ao esporte ou à família, como voltar a jogar bola com os filhos ou viajar sem dor. A evolução é medida e discutida nas visitas semanais. ## Perguntas frequentes - Testosterona baixa pode causar dor no corpo? Pode contribuir. A testosterona baixa se associa a perda de massa muscular, cansaço, ganho de gordura e sono pior, fatores que intensificam a dor. A relação direta com a dor ainda é estudada. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-testosterona-baixa-dor-no-corpo/) - Por que homens demoram a tratar a dor crônica? Por fatores culturais, como a ideia de que é preciso aguentar a dor, pela rotina de trabalho intensa e pela tendência à automedicação. O atraso costuma tornar o tratamento mais longo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-homens-demoram-tratar/) - Dor nas costas em homens acima de 50 anos: quando se preocupar? Na maioria das vezes é mecânica, mas alguns sinais pedem avaliação rápida: dor que piora à noite ou em repouso, perda de peso, febre, histórico de câncer, alterações urinárias ou fraqueza nas pernas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-costas-homem-mais-de-50/) - Gota é causa de dor crônica nas articulações? Pode ser. A gota causa crises de dor intensa, mas sem controle pode evoluir para dor articular persistente. Ela é mais comum em homens e está ligada a ácido úrico alto, peso, álcool e alimentação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-gota-dor-cronica/) ## Dados e evidências - Cerca de metade das condições de dor crônica é mais comum em mulheres, e apenas cerca de 20% são mais comuns em homens. Fonte: Int Rev Neurobiol 2022 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36038207/) - Entre homens brasileiros com dor crônica, 14,9% relataram interferência séria no trabalho e 16,4% interrupção séria do sono. Fonte: Pain Res Manag 2017 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5634600/) - Entre homens em uso diário de opioides para dor crônica, 53% tinham testosterona baixa, e 74% entre os que usavam opioides de ação prolongada. Fonte: Clin J Pain 2013 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24384986/) - A prevalência padronizada de dor no pescoço foi de 2.000 por 100 mil homens e 2.890 por 100 mil mulheres em 2020. Fonte: Lancet Rheumatol 2024 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38383088/) ## Fontes - Sex and gender differences in pain (Int Rev Neurobiol, 2022): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36038207/ - 'Brave Men' and 'Emotional Women': gender bias in health care and gendered norms towards patients with chronic pain (Pain Res Manag, 2018): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29682130/ - Prevalence of Chronic Pain, Treatments, Perception, and Interference on Life Activities: Brazilian Population-Based Survey (2017): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5634600/ - Hypogonadism in men with chronic pain linked to long-acting opioids (Clin J Pain, 2013): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24384986/ - Prevalence of chronic pain in Brazil: a systematic review and meta-analysis (Clinics, 2023): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37201302/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.