# Dor crônica: quando a dor deixa de ser sintoma e passa a ser condição URL: https://sanareclinic.com.br/programa-movimento-dor-cronica/dor-cronica-o-que-e/ Dor crônica é a dor que persiste ou volta por mais de três meses, e em muitos casos ela passa a ser uma condição de saúde por si só. Entender essa mudança é o primeiro passo para sair do ciclo de consultas rápidas e receitas que só se acumulam. ## Três meses: o marco que muda o olhar A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), em parceria com a Organização Mundial da Saúde, definiu dor crônica como a dor que persiste ou se repete por mais de três meses. O critério parece simples, mas carrega uma mudança importante de raciocínio: depois desse tempo, a dor deixa de ser apenas um aviso de que algo está machucado e passa a ter vida própria, com efeitos sobre o sono, o humor, o trabalho e os relacionamentos. Na dor aguda, como a de um entorse ou de uma cirurgia, existe uma lesão clara, e a dor tende a diminuir à medida que o tecido cicatriza. Na dor crônica, a relação entre lesão e dor fica menos direta. Muitas vezes os exames de imagem mostram pouco, ou mostram alterações que também existem em pessoas sem dor. Isso não significa que a dor seja imaginária. Significa que o sistema nervoso, que processa a dor, também passou a fazer parte do problema. ## Dor primária e dor secundária A classificação da IASP, incorporada à nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), separa dois grandes grupos. No primeiro, chamado dor crônica primária, a dor é a própria doença: ela dura mais de três meses, causa sofrimento ou limitação importante e não é melhor explicada por outra condição. Fibromialgia e dor lombar sem causa específica são exemplos clássicos. No segundo grupo, a dor crônica secundária, ela começa como sintoma de algo identificável: artrose, doença inflamatória das articulações, lesão de nervo, pós-operatório, câncer ou dor de origem visceral. Mesmo assim, com o passar dos meses, a dor pode ganhar mecanismos próprios e exigir cuidado além do tratamento da causa. Essa distinção ajuda a escolher o caminho. Quando há uma doença por trás, ela precisa ser tratada. Quando não há, o foco se volta para função, sono, movimento e para tudo o que amplifica ou acalma a dor no dia a dia. ## Uma condição muito comum no Brasil Uma revisão sistemática com metanálise publicada na revista Clinics, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, reuniu 15 estudos populacionais brasileiros e estimou que cerca de 35,7% dos adultos convivem com dor crônica. Entre idosos, a estimativa chegou a 47,3%. Quase metade das pessoas com dor crônica, nos dois grupos, relatou incapacidade causada pela dor. O mesmo trabalho encontrou associação da dor crônica com sexo feminino, idade mais avançada, menor escolaridade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade central. As regiões Sudeste e Sul apresentaram prevalências mais altas. Para quem vive em São Paulo, com jornadas longas, trânsito e pouco tempo para se movimentar, esses fatores costumam aparecer juntos. ## O que costuma alimentar a dor que não passa Dor crônica raramente tem uma causa única. Sono ruim aumenta a sensibilidade à dor. Pouco movimento enfraquece a musculatura que protege articulações e coluna. Excesso de peso sobrecarrega joelhos e quadris e aumenta a inflamação de baixo grau. Estresse prolongado deixa o corpo em alerta. A queda hormonal da menopausa pode intensificar dores articulares. E o próprio uso prolongado de alguns analgésicos pode trazer efeitos que pioram o quadro. Também pesa a forma como a dor é tratada nos primeiros meses. A série sobre dor lombar publicada na The Lancet em 2018 aponta, em todo o mundo, uso excessivo de exames de imagem, repouso, opioides, injeções e cirurgias, e uso insuficiente dos tratamentos de primeira linha, como educação e retorno gradual às atividades. Quando a pessoa ouve que a coluna está desgastada e que precisa evitar esforço, o medo de se mexer cresce, o condicionamento cai e a dor encontra mais espaço para se instalar. Por isso, olhar apenas para o lugar que dói costuma ser pouco. É preciso entender a pessoa inteira: a rotina, a história da dor, o que já foi tentado, o que piora e o que alivia. Esse mapa é o que permite montar um plano realista. ## Como a Sanare olha para a dor crônica Na Sanare Clinic, no Itaim Bibi, a dor crônica é acompanhada dentro do Programa Movimento, um Programa Sanare de 12 semanas. A consulta inicial dura cerca de duas horas e reconstrói a história da dor, revisa medicamentos em uso, investiga causas tratáveis e aplica escalas de dor e de impacto na rotina. A partir daí, a Dra. Vânia Declair Cohen define com você metas funcionais concretas, como dormir melhor, caminhar mais ou voltar a uma atividade abandonada. As visitas semanais permitem ajustar o plano com rapidez, e a bioimpedância mensal mostra como estão massa muscular e gordura corporal. Não há coquetel analgésico automático nem infusão aplicada por padrão: cada conduta entra com objetivo, prazo e critério de reavaliação. ## Perguntas frequentes - Quanto tempo de dor é considerado dor crônica? Pela definição internacional, é a dor que persiste ou volta por mais de três meses. A partir desse ponto, além de procurar a causa, o tratamento passa a olhar também para sono, função e qualidade de vida. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-cronica-quanto-tempo-define/) - Dor crônica tem tratamento? Tem, e o objetivo costuma ser reduzir o impacto da dor e recuperar função, sono e qualidade de vida. A combinação de estratégias, com acompanhamento próximo, tende a funcionar melhor do que uma solução isolada. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-cronica-tem-tratamento/) - Por que a dor crônica é mais comum em mulheres? Estudos brasileiros e internacionais mostram maior prevalência em mulheres, por uma soma de fatores biológicos, hormonais e sociais. Na mulher entre 45 e 65 anos, a transição da menopausa pode intensificar dores e piorar o sono. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-cronica-mais-comum-em-mulheres/) - Exame normal significa que a dor não é real? Não. Em grande parte das dores crônicas, os exames de imagem não mostram uma causa clara, e mesmo assim a dor é real. O sistema nervoso pode amplificar os sinais de dor, e isso não aparece em radiografia ou ressonância. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-cronica-exame-normal/) ## Dados e evidências - A IASP define dor crônica como dor que persiste ou se repete por mais de 3 meses e criou, para a CID-11, a categoria de dor crônica primária, em que a dor é considerada uma condição por si só. Fonte: IASP / Pain 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30586067/) - Metanálise de 15 estudos brasileiros estimou prevalência de dor crônica de 35,7% em adultos e de 47,3% em idosos; quase metade relatou incapacidade causada pela dor. Fonte: Clinics (HCFMUSP) 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37201302/) - Em inquérito telefônico nacional com 723 adultos brasileiros, 39% relataram dor crônica, com variação de 24% no Centro-Oeste a 43% no Sul. Fonte: Pain Res Manag 2017 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5634600/) - Nos Estados Unidos, 20,9% dos adultos tinham dor crônica em 2021, e 6,9% tinham dor crônica de alto impacto, que limita a vida diária. Fonte: CDC / MMWR 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37053114/) ## Fala da médica "Como você vai chegar em 90 anos? Você pode chegar, mas como?" — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Chronic pain as a symptom or a disease: the IASP Classification of Chronic Pain for ICD-11 (Pain, 2019): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30586067/ - Prevalence of chronic pain in Brazil: a systematic review and meta-analysis (Clinics, 2023): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37201302/ - Prevalence of Chronic Pain, Treatments, Perception, and Interference on Life Activities: Brazilian Population-Based Survey (Pain Res Manag, 2017): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5634600/ - Chronic Pain Among Adults — United States, 2019–2021 (MMWR, 2023): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37053114/ - What low back pain is and why we need to pay attention (Lancet, 2018): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29573870/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.