# Dor nociplástica e sensibilização central: quando o sistema nervoso amplifica a dor URL: https://sanareclinic.com.br/programa-movimento-dor-cronica/dor-nociplastica-sensibilizacao-central/ Dor nociplástica é a dor causada por alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso, e não por lesão ativa de tecidos ou de nervos. Ela explica por que muitas pessoas sentem dor intensa e espalhada com exames normais, e muda a forma de tratar. ## Os três grandes tipos de dor A ciência da dor reconhece hoje três mecanismos principais. A dor nociceptiva nasce de lesão ou inflamação em tecidos, como a dor de uma torção ou de uma artrite ativa. A dor neuropática vem de lesão ou doença dos próprios nervos, como acontece na neuropatia diabética ou depois de um herpes-zóster. E a dor nociplástica, termo proposto pela comunidade internacional de pesquisadores, descreve a dor que surge de alterações no modo como o sistema nervoso processa e modula os sinais de dor. Uma revisão publicada na revista The Lancet em 2021 resume as características da dor nociplástica: dor em vários lugares, mais espalhada ou mais intensa do que se esperaria pela quantidade de lesão identificável, acompanhada de outros sintomas de origem central, como cansaço, sono que não descansa, dificuldade de memória e alterações de humor. Ela pode aparecer sozinha, como na fibromialgia, ou somada a outros tipos de dor, como em parte das pessoas com artrose ou dor lombar. ## O que é sensibilização central Sensibilização central é o nome dado a um estado em que o sistema nervoso fica mais reativo. Os sinais que chegam do corpo são amplificados, e os mecanismos naturais que reduzem a dor, as chamadas vias descendentes de controle, funcionam com menos eficiência. O resultado é que estímulos que normalmente seriam leves passam a doer, e dores que já existiam ficam mais intensas e duradouras. Na prática, a pessoa pode sentir dor ao toque leve, ao apertar de uma roupa ou ao frio. Também é comum a sensibilidade aumentada a luz, barulho e cheiros. Uma revisão australiana sobre o tema lembra que a fibromialgia se sobrepõe com frequência a outras condições do mesmo espectro, como síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica e dor na articulação da mandíbula, todas com a sensibilização central como mecanismo-chave. ## Como se reconhece na consulta Não existe um exame de sangue ou de imagem que mostre a dor nociplástica. O reconhecimento é clínico e se baseia na história e no exame físico. Em 2021, um grupo internacional liderado por pesquisadores da IASP publicou critérios clínicos e um sistema de graduação para a dor nociplástica que afeta o sistema musculoesquelético, ajudando médicos a classificá-la como possível ou provável. Entre os pontos avaliados estão a duração da dor por mais de três meses, uma distribuição regional ou espalhada, a ausência de lesão que explique completamente a dor, sinais de hipersensibilidade ao toque e sintomas associados, como sono ruim, cansaço e dificuldade de concentração. Algumas perguntas simples ajudam a levantar a suspeita: a dor muda de lugar ao longo dos dias? Piora com frio, estresse ou noites mal dormidas? Vem acompanhada de cansaço que não melhora com descanso, de dificuldade para encontrar palavras ou de sensibilidade aumentada a sons e cheiros? Respostas positivas não fecham o diagnóstico, mas orientam a investigação e ajudam a explicar por que tratamentos voltados apenas para um ponto do corpo trouxeram pouco alívio. Os exames continuam importantes, mas com outro papel: afastar doenças que precisam de tratamento específico, como alterações da tireoide ou doenças inflamatórias. ## Por que isso muda o tratamento Se o problema principal está no processamento da dor, tratar apenas o lugar que dói costuma funcionar pouco. Anti-inflamatórios, por exemplo, têm efeito limitado quando não há inflamação ativa nos tecidos. Repouso prolongado também tende a piorar, porque reduz o condicionamento e aumenta o medo de se mexer. As abordagens com melhor fundamento atuam sobre o sistema nervoso como um todo. Exercício progressivo ajuda a reativar os mecanismos naturais de controle da dor. Cuidar do sono é central, porque a privação de sono prejudica justamente essas vias de inibição. Educação sobre a dor reduz o medo do movimento. Estratégias para lidar com o estresse diminuem o estado de alerta. Em alguns casos, medicamentos específicos têm papel, sempre com indicação médica e reavaliação. ## No Programa Movimento Na Sanare, a consulta inicial de cerca de duas horas procura entender o tipo de dor predominante em cada pessoa, porque é comum haver mistura de mecanismos. Uma paciente com artrose no joelho pode ter também sensibilização central, e isso explica por que a dor não acompanha exatamente o grau de desgaste na imagem. Com esse mapa, o plano de 12 semanas combina movimento progressivo, cuidado com o sono, orientação sobre ritmo de atividades e revisão de medicamentos. A visita semanal à clínica permite ajustar a carga de exercício conforme a resposta do corpo, e a Dra. Vânia acompanha escalas de dor e de impacto na rotina ao longo do ciclo. A meta é que o sistema nervoso volte, aos poucos, a um estado menos reativo. ## Perguntas frequentes - O que é dor nociplástica? É a dor que surge de alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso, sem lesão de tecido ou de nervo que explique sua intensidade. A fibromialgia é o exemplo mais conhecido. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-o-que-e-dor-nociplastica/) - Sensibilização central tem tratamento? Sim. O sistema nervoso é capaz de mudar, e estratégias como exercício gradual, sono de melhor qualidade, educação sobre a dor e redução do estresse ajudam a diminuir a reatividade ao longo das semanas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-sensibilizacao-central-tratamento/) - Dor espalhada pelo corpo e exames normais: o que pode ser? Pode ser fibromialgia ou outra forma de dor nociplástica, mas antes é preciso afastar condições como alterações da tireoide, doenças inflamatórias, deficiências nutricionais e efeitos de medicamentos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-espalhada-exames-normais/) - Estresse piora a dor crônica? Pode piorar. O estresse prolongado mantém o sistema nervoso em alerta, prejudica o sono e aumenta a sensibilidade à dor. Isso não torna a dor menos real, e cuidar do estresse faz parte do tratamento. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-estresse-piora-dor/) ## Dados e evidências - Dor nociplástica é descrita como dor multifocal, mais espalhada ou intensa do que a lesão identificável justificaria, acompanhada de cansaço, alterações de sono, memória e humor. Fonte: The Lancet 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34062144/) - A IASP publicou em 2021 critérios clínicos e um sistema de graduação para classificar a dor nociplástica musculoesquelética como possível ou provável. Fonte: Pain 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33974577/) - A fibromialgia se sobrepõe com frequência a síndrome do intestino irritável, fadiga crônica e disfunção da mandíbula, condições em que a sensibilização central é o mecanismo-chave. Fonte: Intern Med J 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34139045/) - Privação de sono em pessoas saudáveis pode provocar dor muscular, sensibilidade ao toque e cansaço, e prejudica as vias descendentes que inibem a dor. Fonte: Nat Rev Rheumatol 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25907704/) ## Fontes - Nociplastic pain: towards an understanding of prevalent pain conditions (Lancet, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34062144/ - Chronic nociplastic pain affecting the musculoskeletal system: clinical criteria and grading system (Pain, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33974577/ - Central sensitivity and fibromyalgia (Intern Med J, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34139045/ - The role of sleep in pain and fibromyalgia (Nat Rev Rheumatol, 2015): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25907704/ - Pain Neuroscience Education for Adults With Chronic Musculoskeletal Pain (J Pain, 2019): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30831273/ - NCCIH — Chronic Pain: In Depth: https://www.nccih.nih.gov/health/chronic-pain-in-depth --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.