# Fibromialgia: como é feito o diagnóstico hoje, sem os antigos pontos dolorosos URL: https://sanareclinic.com.br/programa-movimento-dor-cronica/fibromialgia-criterios-de-diagnostico/ O diagnóstico de fibromialgia é clínico e se baseia hoje em dor espalhada por várias regiões e na gravidade de sintomas como cansaço e sono ruim. Os antigos 18 pontos dolorosos deixaram de ser obrigatórios, e a avaliação ficou mais completa. ## Um diagnóstico que não depende de exame de sangue Não existe exame laboratorial ou de imagem que confirme a fibromialgia. O diagnóstico é feito pelo médico a partir da história, do exame físico e de critérios padronizados. Os exames continuam necessários, mas para outra função: afastar doenças que podem causar sintomas parecidos ou que podem estar presentes ao mesmo tempo. O Instituto Nacional de Artrite e Doenças Musculoesqueléticas e de Pele dos Estados Unidos (NIAMS) descreve a fibromialgia como dor crônica e espalhada, frequentemente sentida em braços, pernas, cabeça, tórax, abdome, costas e nádegas, acompanhada de cansaço e dificuldade para dormir. Rigidez, sensibilidade ao toque, formigamento, dificuldade de concentração e memória e maior sensibilidade a luz, barulho e temperatura também são comuns. A condição é mais frequente em mulheres e costuma começar na meia-idade. ## Dos 18 pontos aos critérios atuais Por muitos anos, o diagnóstico exigia que o médico pressionasse 18 pontos específicos do corpo e encontrasse dor em pelo menos 11 deles. Esse método tinha limitações: dependia muito da força aplicada, ignorava sintomas como cansaço e sono e deixava de reconhecer pessoas com dor importante mas menos pontos sensíveis. Em 2010 e 2011, o Colégio Americano de Reumatologia passou a usar dois instrumentos. O índice de dor generalizada conta em quantas de 19 regiões do corpo a pessoa sentiu dor na última semana. A escala de gravidade de sintomas avalia cansaço, sono não reparador e dificuldades cognitivas, além de outros sintomas físicos. Em 2016, uma revisão desses critérios acrescentou a exigência de dor generalizada, presente em pelo menos quatro de cinco regiões do corpo, para evitar confundir a fibromialgia com dores regionais. Na análise que fundamentou a revisão, os critérios mostraram sensibilidade mediana de 86% e especificidade de 90%. ## O que os critérios exigem, em linguagem simples Pela revisão de 2016, a fibromialgia pode ser diagnosticada em adultos quando há uma combinação de dor em muitas regiões e sintomas associados em intensidade relevante, quando a dor está distribuída em pelo menos quatro das cinco grandes regiões do corpo e quando os sintomas estão presentes, em nível semelhante, há pelo menos três meses. Uma mudança importante foi deixar claro que o diagnóstico de fibromialgia continua válido mesmo quando a pessoa tem outra doença. Ou seja, alguém com artrite reumatoide, artrose ou lúpus também pode ter fibromialgia, e reconhecer as duas coisas muda o tratamento. Os autores também alertam que a versão de autopreenchimento dos critérios serve para pesquisa, e não para diagnóstico individual: a avaliação precisa ser feita por um médico. ## O que precisa ser investigado antes Algumas condições podem imitar a fibromialgia ou piorá-la. As mais lembradas são hipotireoidismo, doenças inflamatórias das articulações e do tecido conjuntivo, polimialgia reumática em pessoas acima de 50 anos, deficiências nutricionais importantes, anemia, apneia do sono e efeitos colaterais de medicamentos, como alguns usados para colesterol. Na mulher na faixa dos 45 aos 65 anos, sintomas da perimenopausa e da menopausa também se sobrepõem. Também vale olhar para a lista de medicamentos. Pessoas com dor há anos costumam acumular remédios prescritos por profissionais diferentes, e alguns deles provocam dor muscular, cansaço ou sono ruim como efeito colateral. Revisar essa lista com calma, sem suspender nada por conta própria, faz parte da investigação. O mesmo vale para suplementos usados sem orientação, que podem interagir com medicamentos ou sobrecarregar o fígado. Uma metanálise com mais de 3,6 milhões de pessoas estimou a prevalência de fibromialgia em cerca de 1,8% da população geral e 4% entre mulheres. A mesma análise encontrou frequências bem mais altas em grupos específicos, como pessoas atendidas em reumatologia e pessoas com síndrome do intestino irritável, o que reforça a importância de olhar o conjunto dos sintomas. ## Como a Sanare conduz a avaliação No Programa Movimento, a consulta inicial dura cerca de duas horas. A Dra. Vânia reconstrói a história da dor, aplica o índice de dor generalizada e a escala de gravidade de sintomas, revisa exames e medicamentos e pede o que falta para afastar outras causas. Se houver sinais de doença inflamatória, o encaminhamento ao reumatologista é feito, e o acompanhamento na Sanare pode seguir em paralelo. Ter um nome para o que se sente costuma trazer alívio, mas o diagnóstico é apenas o começo. As escalas aplicadas no início do programa viram um ponto de partida para comparar a evolução ao longo das 12 semanas, junto com as metas funcionais definidas com você e a bioimpedância mensal. ## Perguntas frequentes - Qual exame confirma fibromialgia? Nenhum exame isolado confirma a fibromialgia. O diagnóstico é clínico, com base em critérios padronizados, e os exames servem para afastar outras doenças com sintomas parecidos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-fibromialgia-qual-exame-confirma/) - Fibromialgia ainda é diagnosticada pelos pontos de dor? Não obrigatoriamente. Os 18 pontos dolorosos deram lugar a critérios que avaliam quantas regiões do corpo doem e a gravidade de sintomas como cansaço e sono ruim. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-fibromialgia-pontos-de-dor/) - Quem tem artrite ou lúpus também pode ter fibromialgia? Pode. Os critérios atuais permitem o diagnóstico de fibromialgia mesmo quando há outra doença, e a combinação é frequente em pessoas com doenças reumáticas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-fibromialgia-junto-com-artrite/) - Fibromialgia pode começar depois dos 45 anos? Pode. A fibromialgia costuma começar na meia-idade, e o risco aumenta com a idade. Na mulher, a transição da menopausa pode coincidir com o início ou a piora dos sintomas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-fibromialgia-depois-dos-45/) ## Dados e evidências - Na revisão de 2016 dos critérios de fibromialgia, os critérios 2010/2011 mostraram sensibilidade mediana de 86% e especificidade de 90%; a versão de autopreenchimento não é válida para diagnóstico individual. Fonte: Semin Arthritis Rheum 2016 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27916278/) - Metanálise com 3,6 milhões de pessoas estimou prevalência de fibromialgia de 1,78% na população geral, 3,98% entre mulheres e 12,9% entre pessoas com síndrome do intestino irritável. Fonte: Rheumatol Int 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28447207/) - O NIAMS descreve a fibromialgia como mais comum em mulheres, com início geralmente na meia-idade e risco que aumenta com a idade. Fonte: NIAMS (https://www.niams.nih.gov/health-topics/fibromyalgia) - A fibromialgia é diagnosticada clinicamente após a exclusão de diagnósticos diferenciais importantes e é frequente em pessoas com outras doenças reumáticas. Fonte: Intern Med J 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34139045/) ## Fontes - 2016 Revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria (Semin Arthritis Rheum, 2016): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27916278/ - Prevalence of fibromyalgia in general population and patients: a systematic review and meta-analysis (Rheumatol Int, 2017): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28447207/ - NIAMS — Fibromyalgia: https://www.niams.nih.gov/health-topics/fibromyalgia - Central sensitivity and fibromyalgia (Intern Med J, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34139045/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.