# Magnésio e dor: o que se sabe sobre fibromialgia, cãibras e sensibilização URL: https://sanareclinic.com.br/programa-movimento-dor-cronica/magnesio-e-dor/ O magnésio participa do controle da sensibilização do sistema nervoso e é estudado em várias condições de dor, inclusive a fibromialgia. Os estudos ainda estão em construção, e o uso deve ser individualizado. ## Um mineral com papel no sistema nervoso O magnésio participa de centenas de reações no organismo, incluindo a contração e o relaxamento muscular, a produção de energia e a transmissão de sinais nervosos. No contexto da dor, uma ação recebe atenção especial: o magnésio bloqueia receptores chamados NMDA, que estão no centro dos processos de sensibilização central, quando o sistema nervoso passa a amplificar a dor. Uma revisão publicada na revista Nutrients em 2020 resume esse mecanismo e descreve que, ao atuar sobre esses receptores, o magnésio pode prevenir a sensibilização e atenuar a hipersensibilidade à dor já instalada. Por isso, ele vem sendo investigado em situações tão diferentes quanto dor no pós-operatório, neuropatia diabética, enxaqueca, cólica menstrual e fibromialgia. ## O que os estudos mostram até agora A mesma revisão relata que o magnésio, por via oral ou por vias parenterais, como a endovenosa, foi associado a alívio da dor e a menor necessidade de analgésicos em diferentes cenários, incluindo dor neuropática e dor no período perioperatório. Os autores ressaltam, porém, que é preciso entender melhor o mecanismo e realizar mais estudos clínicos para definir com clareza o papel do magnésio como coadjuvante no tratamento da dor. Na fibromialgia, uma revisão de literatura de 2021 publicada no Journal of Primary Care & Community Health analisou a relação entre níveis de magnésio no organismo e a condição, além dos ensaios que testaram a suplementação sobre diferentes sintomas. O uso de magnésio é muito comum entre pessoas com fibromialgia, e a revisão buscou verificar o quanto esse uso é sustentado pela literatura, encontrando sinais de benefício em parte dos estudos, que ainda são pequenos e variados. ## Um ensaio recente em fibromialgia Em 2022, um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado com placebo, publicado na revista Nutrients, testou magnésio oral na dose de 100 miligramas por dia durante um mês em pessoas com fibromialgia. O objetivo principal era avaliar o estresse. No grupo como um todo, não houve diferença significativa, mas entre as pessoas com estresse leve a moderado o magnésio reduziu o escore de estresse de forma importante. A intensidade da dor também diminuiu de forma significativa com o magnésio, enquanto sono, qualidade de vida e cansaço não diferiram do placebo. Os autores consideraram os resultados promissores e pediram estudos maiores. É um bom exemplo do estado atual do conhecimento: sinais encorajadores, estudos curtos e pequenos e necessidade de confirmação. ## Quem pode ter falta de magnésio A deficiência de magnésio é mais comum em pessoas que usam por longo prazo medicamentos que reduzem a acidez do estômago, alguns diuréticos, em quem tem diabetes mal controlado, doenças intestinais que prejudicam a absorção, consumo elevado de álcool e em pessoas mais velhas. Uma alimentação pobre em vegetais verde-escuros, leguminosas, castanhas, sementes e grãos integrais também contribui. Antes de pensar em suplemento, vale olhar o prato. Folhas verde-escuras, feijões, lentilha, grão-de-bico, castanhas, sementes de abóbora, aveia, cacau e grãos integrais são boas fontes de magnésio. Uma alimentação baseada em alimentos ultraprocessados e farinhas refinadas tende a oferecer bem menos. Ajustar a alimentação traz o mineral junto com fibras e outros nutrientes que também beneficiam o intestino e o controle do peso. Os sinais podem ser inespecíficos: cãibras, tremores, cansaço, alterações do ritmo cardíaco em casos mais graves. O exame de sangue mede o magnésio circulante, que representa uma pequena parte do total do corpo, e por isso a interpretação considera também a história clínica. ## Cuidados com a suplementação Suplementos de magnésio costumam ser bem tolerados, mas não são isentos de efeitos. O mais comum é o efeito laxativo, sobretudo com algumas formas químicas e doses mais altas. Pessoas com doença renal precisam de cautela especial, porque os rins são responsáveis por eliminar o excesso. O magnésio também pode interferir na absorção de alguns antibióticos e de medicamentos para osteoporose, o que exige intervalo entre as tomadas. Por via endovenosa, o magnésio é usado em situações específicas e precisa de indicação médica, ambiente adequado e monitoramento. ## Como a Sanare usa o magnésio no plano No Programa Movimento, o magnésio não entra de forma automática. Na consulta inicial de cerca de duas horas, a Dra. Vânia avalia alimentação, sintomas, medicamentos em uso, função renal e exames. Quando há indicação, define a forma, a dose e o prazo de reavaliação, e acompanha a resposta nas visitas semanais. Assim como os demais suplementos, o magnésio é tratado como uma peça de um plano maior, que tem como base exercício progressivo, sono, composição corporal e revisão cuidadosa da receita. ## Perguntas frequentes - Magnésio ajuda na dor da fibromialgia? Há sinais de benefício em estudos pequenos, inclusive um ensaio com redução da dor em um mês, mas a evidência ainda está em construção. O uso deve ser individual e acompanhado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-magnesio-fibromialgia/) - Qual magnésio é indicado para dor muscular? Existem várias formas de magnésio, com diferenças de absorção e de efeito intestinal. A escolha depende do objetivo, da tolerância e de outras condições de saúde, e deve ser feita com orientação. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-magnesio-tipo-dor-muscular/) - Câimbra frequente é falta de magnésio? Pode ser, mas nem sempre. Câimbras também se relacionam a desidratação, esforço, medicamentos, alterações de outros minerais, doenças da tireoide e problemas circulatórios ou nervosos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-caimbra-falta-de-magnesio/) - Magnésio pode ser tomado junto com outros remédios? Na maioria dos casos, sim, mas há interações importantes. O magnésio pode reduzir a absorção de alguns antibióticos e medicamentos para osteoporose, e exige cautela em quem tem doença renal. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/dor-magnesio-interacoes-remedios/) ## Dados e evidências - O magnésio bloqueia receptores NMDA, centrais na sensibilização da dor, e pode atenuar a hipersensibilidade; mais estudos são necessários para definir seu papel como coadjuvante. Fonte: Nutrients 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32718032/) - Em ensaio duplo-cego com pessoas com fibromialgia, 100 mg/dia de magnésio por 1 mês reduziu a intensidade da dor (p=0,029) e o estresse no subgrupo com estresse leve a moderado. Fonte: Nutrients 2022 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35631229/) - Revisão de literatura analisou os níveis de magnésio e os ensaios de suplementação na fibromialgia, condição em que o uso de magnésio é muito difundido. Fonte: J Prim Care Community Health 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34392734/) ## Fontes - Magnesium and Pain (Nutrients, 2020): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32718032/ - Magnesium and Fibromyalgia: A Literature Review (J Prim Care Community Health, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34392734/ - Short-Term Magnesium Therapy Alleviates Moderate Stress in Patients with Fibromyalgia: randomized double-blind trial (Nutrients, 2022): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35631229/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.