# Hematócrito alto e testosterona: por que esse exame é tão vigiado URL: https://sanareclinic.com.br/programa-vital-saude-masculina/hematocrito-e-testosterona/ O hematócrito é o principal exame de segurança de quem usa testosterona, porque o hormônio estimula a produção de glóbulos vermelhos. Sangue espesso demais pode aumentar o risco de eventos vasculares. Na Sanare, ele é medido antes de iniciar e repetido durante o tratamento. ## O que é o hematócrito O hematócrito é a porcentagem do volume do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos, as células que transportam oxigênio. Ele aparece no hemograma, um exame simples e amplamente disponível. Em homens adultos, os valores costumam ficar em torno de 40% a 50%, com pequenas variações entre laboratórios. Quando o hematócrito sobe acima do normal, fala-se em eritrocitose ou policitemia. O sangue fica mais denso e circula com mais dificuldade, especialmente em vasos pequenos. Isso pode aumentar a pressão sobre o coração e favorecer a formação de coágulos. O hematócrito também sobe por outros motivos além da testosterona: tabagismo, apneia do sono, viver em altitude, desidratação, algumas doenças pulmonares e doenças da medula óssea. Por isso, um valor alto sempre merece uma investigação que vá além do hormônio. ## Por que a testosterona eleva o hematócrito A testosterona estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos por vários caminhos. Uma revisão sobre o tema descreve o aumento da eritropoetina, hormônio produzido pelos rins, a redução da hepcidina, que regula o ferro disponível, e o estímulo direto à medula como mecanismos envolvidos. Na prática, quase todo homem que inicia reposição tem algum aumento do hematócrito. Na maioria, ele permanece dentro de limites seguros. Em parte, porém, ultrapassa o limite e exige ajuste. A mesma revisão concluiu que as injeções de ação curta são a forma associada à maior incidência de eritrocitose, provavelmente pelos picos hormonais altos logo após cada aplicação. Formas que mantêm níveis mais estáveis, como o gel, tendem a causar aumentos menores, embora também exijam monitoramento. ## Os riscos do sangue espesso O sangue com muitos glóbulos vermelhos tem maior viscosidade. Em teoria, isso aumenta o risco de complicações nas artérias do coração, do cérebro e das pernas, além de tromboses venosas. A revisão de 2018 reconhece que as evidências diretas ligando a eritrocitose da testosterona a eventos vasculares ainda são limitadas, mas que alguns dados apontam aumento de risco. O estudo TRAVERSE, com mais de 5 mil homens usando gel, registrou mais embolia pulmonar no grupo testosterona, o que reforça a necessidade de vigilância. Estudos com grandes bancos de dados também sugerem que homens que desenvolvem policitemia durante a reposição têm mais eventos cardiovasculares e trombóticos. Sintomas como dor de cabeça, vermelhidão no rosto, coceira após o banho, tontura e visão turva podem aparecer, mas muitas vezes o hematócrito alto é silencioso. Só o exame mostra. ## O que dizem as diretrizes A diretriz da Endocrine Society coloca o hematócrito elevado entre as situações em que a testosterona não deve ser iniciada. Antes de tratar, é preciso investigar a causa do aumento, que pode ser apneia, tabagismo ou outra condição. Durante o tratamento, a diretriz recomenda medir o hematócrito no primeiro ano, junto com a testosterona e a avaliação da próstata, e depois manter o acompanhamento periódico. Quando o valor ultrapassa o limite de segurança, as condutas incluem suspender temporariamente, reduzir a dose, trocar a via de administração e investigar fatores associados. Em alguns casos, retirar sangue de forma controlada é usado como medida complementar. Esse procedimento, porém, não substitui a revisão da dose e da indicação, e não deve virar rotina para sustentar doses acima do necessário. ## Fatores que você pode controlar Alguns fatores aumentam a chance de o hematócrito subir e podem ser trabalhados. O tabagismo é um deles: o monóxido de carbono do cigarro estimula a produção de glóbulos vermelhos. A apneia do sono é outro, porque as quedas de oxigênio durante a noite também estimulam a medula. Por isso, roncos altos e pausas respiratórias precisam ser investigados antes e durante a reposição. A hidratação adequada evita que o exame mostre valores falsamente altos. A coleta deve ser feita em condições semelhantes a cada vez, para permitir comparação. E, acima de tudo, a dose importa. Manter a testosterona na faixa média do normal, como recomenda a diretriz, reduz a chance de eritrocitose. Doses acima disso, comuns no uso sem acompanhamento e no uso estético, multiplicam o risco. ## Como a Sanare acompanha o hematócrito No Programa Vital, o hemograma com hematócrito faz parte da investigação inicial. Se o valor já estiver alto, a causa é investigada antes de qualquer decisão sobre testosterona. Quando a reposição é indicada, a Dra. Vânia Declair Cohen prefere a testosterona em gel, em dose ajustada para manter níveis estáveis. O hematócrito é repetido nos intervalos recomendados, junto com testosterona e PSA, e cada resultado é discutido com você nas consultas. As visitas semanais à clínica facilitam perceber cedo qualquer sintoma novo, como dor de cabeça persistente ou vermelhidão. Se o hematócrito subir além do seguro, a dose é revista sem demora. É o tipo de cuidado que só existe quando há acompanhamento de verdade. ## Perguntas frequentes - Testosterona aumenta o hematócrito? Sim. A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos, e quase todo homem em reposição tem algum aumento do hematócrito. Por isso o exame é repetido durante o tratamento. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-aumenta-hematocrito/) - Qual hematócrito é perigoso para quem usa testosterona? Não existe um número único para todos: as diretrizes definem um limite acima da faixa normal a partir do qual a dose é reduzida ou a testosterona suspensa. Antes de iniciar, um hematócrito já elevado é contraindicação até ser investigado. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-hematocrito-perigoso-testosterona/) - Doar sangue resolve o hematócrito alto da testosterona? A retirada de sangue pode ser usada como medida complementar em alguns casos, mas não substitui a revisão da dose, da via e da indicação. Doar sangue por conta própria para manter doses altas não é seguro. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-doar-sangue-hematocrito-alto/) - Apneia do sono aumenta o hematócrito? Pode aumentar. As quedas repetidas de oxigênio durante a noite estimulam a produção de glóbulos vermelhos, e esse efeito se soma ao da testosterona. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-apneia-aumenta-hematocrito/) ## Dados e evidências - Revisão de 2018 concluiu que a testosterona injetável de ação curta tem a maior incidência de eritrocitose entre as formas de reposição. Fonte: Ohlander et al., Sex Med Rev, 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28526632/) - A Endocrine Society recomenda não iniciar testosterona com hematócrito elevado e medir o hematócrito durante o primeiro ano de tratamento. Fonte: Endocrine Society, 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/) - No TRAVERSE, com 5.246 homens, a embolia pulmonar foi mais frequente no grupo que usou testosterona em gel do que no placebo. Fonte: Lincoff et al., N Engl J Med, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/) ## Fala da médica "Eu peco pelo excesso sempre." — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Ohlander SJ et al. Erythrocytosis Following Testosterone Therapy. Sex Med Rev, 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28526632/ - Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/ - Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). N Engl J Med, 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/ - Tufik S et al. Obstructive sleep apnea syndrome in the Sao Paulo Epidemiologic Sleep Study. Sleep Med, 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20362502/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.