# Mitos sobre testosterona: o que é verdade e o que é exagero URL: https://sanareclinic.com.br/programa-vital-saude-masculina/mitos-sobre-testosterona/ Testosterona não é elixir da juventude nem veneno: é um tratamento com indicação precisa. Muitos mitos circulam, tanto exagerando benefícios quanto riscos. Separar o que a ciência mostra do que é propaganda é o primeiro passo para decidir com segurança. ## Mito: todo homem depois dos 40 precisa de testosterona A testosterona cai lentamente com a idade, em torno de 1% ao ano a partir dos 30 ou 40 anos, segundo o serviço público de saúde britânico e a Cleveland Clinic. Essa queda, isolada, frequentemente não causa sintomas e não exige tratamento. A deficiência que justifica reposição exige sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em dosagens matinais repetidas. Pelos critérios rigorosos do European Male Ageing Study, que exigiu três sintomas sexuais e níveis baixos de testosterona total e livre, ela é bem menos comum do que sugerem os anúncios. Além disso, a Resolução CFM 2.333/2023 mantém a proibição de terapias hormonais com o objetivo de retardar o envelhecimento. Idade, por si só, não é indicação. ## Mito: testosterona causa câncer de próstata Durante décadas, acreditou-se que dar testosterona alimentaria o câncer de próstata. Os dados mais recentes contam outra história. No estudo TRAVERSE, com mais de 5 mil homens com hipogonadismo avaliados antes do início, o câncer de próstata de alto grau ocorreu em 0,19% do grupo testosterona e 0,12% do grupo placebo, sem diferença significativa. Isso não significa que a próstata possa ser ignorada. Os participantes foram rastreados antes e acompanhados durante o tratamento, e homens com PSA elevado ou nódulos foram excluídos. A diretriz da Endocrine Society mantém o câncer de próstata e alterações não investigadas como contraindicações. A verdade está no meio: com avaliação e acompanhamento, o risco é baixo; sem eles, não há como saber. ## Mito: testosterona sempre faz mal ao coração O medo cardiovascular também tem base histórica. Em 2010, um estudo com homens idosos com limitação de mobilidade foi interrompido por excesso de eventos cardiovasculares no grupo testosterona. Mas era um estudo pequeno, com população muito específica. O TRAVERSE, desenhado para responder à pergunta, incluiu 5.246 homens com doença cardiovascular ou alto risco e não encontrou aumento de infarto, AVC ou morte cardiovascular com o gel. Encontrou, porém, mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda. Ou seja, nem vilão, nem inofensivo. A segurança depende de indicação correta, dose na faixa normal, via adequada e acompanhamento do hematócrito e do coração. ## Mito: mais testosterona é sempre melhor A ideia de que níveis altos trariam mais energia, mais músculo e mais desempenho alimenta o uso estético e a busca por doses acima do normal. A ciência aponta o contrário: os benefícios da reposição aparecem quando se corrige uma deficiência, e a diretriz recomenda buscar a faixa média do normal, e não acima dela. Níveis acima do fisiológico aumentam o risco de hematócrito elevado, de conversão em estrogênio com ginecomastia, de acne, de queda de cabelo em quem tem predisposição e de supressão da fertilidade. No uso anabolizante, a Endocrine Society associa essas substâncias a maior risco de morte e de doenças em vários sistemas. A Resolução CFM 2.333/2023 proíbe a prescrição de hormônios para estética, ganho de massa ou desempenho justamente por isso. ## Mito: testosterona resolve cansaço e devolve a juventude O cansaço é o sintoma que mais leva homens a pensar em testosterona, e um dos que menos responde a ela. Nos Testosterone Trials, com 790 homens acima de 65 anos e testosterona baixa, um ano de gel melhorou a função sexual de forma moderada e trouxe pequena melhora do humor, mas não teve benefício significativo para a vitalidade nem para a distância caminhada no grupo de função física. Isso não diminui o valor do tratamento para quem tem deficiência. Mas mostra que energia, disposição e vigor dependem de muitos fatores: sono, apneia, peso, tireoide, treino, alimentação, álcool e estresse. Quem procura testosterona esperando juventude costuma se frustrar. Quem trata a deficiência dentro de um plano completo tende a perceber os ganhos reais. ## Mito: se a testosterona está baixa, o único caminho é repor Grande parte das deficiências em homens adultos é funcional, ligada a obesidade, diabetes, apneia, sono curto, álcool, medicamentos ou uso prévio de anabolizantes. Nesses casos, o eixo hormonal pode se recuperar quando a causa é tratada. A perda de peso eleva a testosterona, proporcionalmente ao emagrecimento, segundo uma meta-análise de 24 estudos. Uma semana de sono curto reduz o hormônio em 10% a 15%, e o inverso também vale: dormir bem ajuda. Atividade física regular também contribui. No Programa Vital da Sanare, a testosterona só entra quando a deficiência é confirmada, persiste e a reposição está indicada. Em muitos homens, o plano começa pelo que está por trás dos sintomas, e os exames mostram a evolução ao longo das 12 semanas. ## Perguntas frequentes - Testosterona rejuvenesce? Não. A reposição corrige uma deficiência confirmada e pode melhorar sintomas como libido e massa magra, mas não reverte o envelhecimento. Hormônio com finalidade antienvelhecimento é proibido pelo CFM. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-rejuvenesce/) - Quem usa testosterona fica agressivo? Na reposição com níveis normais, agressividade não é efeito esperado. Alterações de humor e irritabilidade são mais associadas a doses acima do fisiológico, como no uso anabolizante. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-fica-agressivo/) - Suplementos que aumentam testosterona funcionam? A maioria não tem evidência consistente de elevar a testosterona em homens sem deficiência nutricional. Alguns produtos vendidos como estimulantes podem conter substâncias hormonais não declaradas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-suplementos-aumentam-testosterona/) - Testosterona baixa é só coisa de homem velho? Não. A deficiência pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em homens jovens, por obesidade, diabetes, sono ruim, uso de anabolizantes, medicamentos ou doenças dos testículos e da hipófise. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-baixa-so-homem-velho/) ## Dados e evidências - No TRAVERSE, câncer de próstata de alto grau ocorreu em 0,19% com testosterona em gel e 0,12% com placebo, sem diferença significativa, em homens avaliados antes do início. Fonte: Bhasin et al., JAMA Netw Open, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38150256/) - Nos Testosterone Trials, com 790 homens a partir de 65 anos, a testosterona em gel teve benefício moderado na função sexual e nenhum benefício significativo para vitalidade ou caminhada. Fonte: Snyder et al., N Engl J Med, 2016 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26886521/) - Eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 7,0% com testosterona e 7,3% com placebo no TRAVERSE, com mais fibrilação atrial e embolia pulmonar no grupo testosterona. Fonte: Lincoff et al., N Engl J Med, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/) ## Fontes - Bhasin S et al. Prostate Safety Events During Testosterone Replacement Therapy (TRAVERSE). JAMA Netw Open, 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38150256/ - Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). N Engl J Med, 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/ - Snyder PJ et al. Effects of Testosterone Treatment in Older Men. N Engl J Med, 2016: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26886521/ - NHS — The 'male menopause': https://www.nhs.uk/conditions/male-menopause/ - CFM — Resolução 2.333/2023 sobre terapias hormonais: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-proibe-a-prescricao-medica-de-terapias-hormonais-com-fins-esteticos-de-ganho-de-massa-muscular-e-de-melhoria-de-desempenho-esportivo/ - Basaria S et al. Adverse events associated with testosterone administration. N Engl J Med, 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20592293/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.