# Testosterona e coração: o que se sabe sobre risco cardiovascular URL: https://sanareclinic.com.br/programa-vital-saude-masculina/testosterona-e-coracao/ Em homens com deficiência confirmada, a testosterona em gel não aumentou infarto, AVC ou morte cardiovascular no maior estudo sobre o tema. O mesmo estudo, porém, encontrou mais fibrilação atrial e embolia pulmonar. Por isso, a decisão exige avaliação cardiovascular e acompanhamento. ## Uma dúvida que dividiu a medicina Durante anos, a relação entre testosterona e coração foi motivo de debate. Em 2010, um estudo com homens idosos com limitação de mobilidade e muitas doenças crônicas foi interrompido antes do previsto: 23 homens no grupo testosterona e 5 no grupo placebo tiveram eventos cardiovasculares. Os próprios autores ressaltaram que o estudo era pequeno e a população muito específica, mas o alerta ficou. Estudos observacionais posteriores trouxeram resultados conflitantes, uns sugerindo risco, outros proteção. Essa incerteza levou agências reguladoras a pedir um estudo grande, controlado e desenhado especificamente para responder à pergunta. Esse estudo foi o TRAVERSE, publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, e ele mudou o patamar da discussão. ## O que o TRAVERSE encontrou O TRAVERSE incluiu 5.246 homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo e doença cardiovascular já existente ou alto risco cardiovascular. Metade usou testosterona em gel e metade, placebo. O objetivo principal era medir eventos cardiovasculares maiores: morte cardiovascular, infarto e AVC não fatais. Esses eventos ocorreram em 7,0% do grupo testosterona e em 7,3% do grupo placebo. Pelo critério estatístico definido, a testosterona não foi inferior ao placebo em segurança cardiovascular, ou seja, não aumentou esses desfechos. O estudo, porém, registrou maior incidência de fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo testosterona. São achados que não podem ser ignorados e que reforçam a importância de selecionar bem quem recebe o tratamento e de acompanhar de perto quem o faz. ## O papel do hematócrito e da via de uso Parte do risco cardiovascular associado à testosterona passa pelo sangue. O hormônio estimula a produção de glóbulos vermelhos, e um hematócrito muito alto deixa o sangue mais espesso. Uma revisão sobre eritrocitose induzida por testosterona aponta que formas injetáveis de ação curta têm a maior incidência desse efeito e que sangue mais viscoso aumenta o risco potencial de complicações vasculares. Um estudo com grandes bases de dados americanas comparou vias de uso e encontrou, entre usuários de injeção, risco maior de eventos cardiovasculares, internações e morte do que entre usuários de gel. Como é um estudo observacional, ele não prova causa, mas aponta uma tendência coerente com a fisiologia: picos hormonais altos e hematócrito elevado são mais frequentes com injeções. Esses dados ajudam a entender a preferência pelo gel quando a reposição está indicada. ## Quem não deve iniciar testosterona A diretriz da Endocrine Society recomenda não iniciar a reposição em algumas situações cardiovasculares: infarto ou AVC nos últimos seis meses, insuficiência cardíaca descompensada, hematócrito elevado e trombofilia, que é a tendência aumentada a formar coágulos. Apneia do sono grave sem tratamento também está na lista e tem forte relação com o coração. Além das contraindicações formais, alguns fatores pedem cautela redobrada: pressão arterial mal controlada, histórico de trombose, arritmias como fibrilação atrial, doença renal e uso de outros medicamentos que afetam a coagulação. Nesses cenários, a decisão é tomada com o cardiologista. Muitas vezes, controlar a pressão, tratar a apneia e estabilizar o quadro vem antes de qualquer discussão sobre hormônio. ## Testosterona baixa também é um sinal de alerta Há outro lado nessa história. Testosterona baixa é frequentemente encontrada em homens com obesidade, diabetes, síndrome metabólica e doença cardiovascular. Em muitos casos, ela funciona como um marcador de que o metabolismo não vai bem, e não como a causa principal do problema. Isso muda a forma de cuidar. Para um homem com gordura visceral elevada, glicemia alterada e testosterona limítrofe, o maior ganho cardiovascular costuma vir da perda de gordura abdominal, do treino, do sono adequado e do controle da pressão e do colesterol, pilares que também ajudam o eixo hormonal. A reposição pode fazer parte do plano quando há deficiência confirmada, mas nunca substitui o cuidado com os fatores de risco que de fato determinam a saúde do coração. ## Como a Sanare cuida do coração no Programa Vital No Programa Vital, a avaliação cardiovascular faz parte da investigação inicial. A Dra. Vânia Declair Cohen avalia pressão arterial, histórico de infarto, AVC, trombose e arritmias, perfil de lipídios, glicemia e composição corporal por bioimpedância, com atenção à gordura visceral. Roncos e pausas respiratórias levam à investigação de apneia. Quando a testosterona é indicada, a dose busca a faixa média do normal, e o hematócrito é acompanhado de perto. A preferência pelo gel ajuda a evitar picos hormonais. Qualquer sinal novo, como palpitações, falta de ar ou inchaço nas pernas, é avaliado prontamente. A estrutura da clínica inclui carrinho de parada e desfibrilador. Como diz a Dra. Vânia, em segurança é preciso pecar pelo excesso. ## Perguntas frequentes - Testosterona aumenta o risco de infarto? No maior estudo controlado, em homens com deficiência confirmada, a testosterona em gel não aumentou infarto, AVC ou morte cardiovascular. Houve, porém, mais fibrilação atrial e embolia pulmonar. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-risco-infarto/) - Quem tem problema no coração pode usar testosterona? Depende do problema. Infarto ou AVC recentes, insuficiência cardíaca descompensada e trombofilia são contraindicações; outros casos exigem avaliação conjunta com o cardiologista. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-problema-coracao-pode-usar-testosterona/) - Testosterona injetável é mais arriscada para o coração que o gel? Estudos observacionais sugerem mais eventos cardiovasculares e mais aumento do hematócrito com injeções de ação curta do que com gel. Esses dados não provam causa, mas orientam a escolha da via. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-injetavel-mais-arriscada-coracao/) - Testosterona baixa faz mal ao coração? Testosterona baixa costuma acompanhar obesidade, diabetes e síndrome metabólica, que aumentam o risco cardiovascular. Em muitos casos, ela é mais um sinal de alerta metabólico do que a causa direta. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-baixa-faz-mal-coracao/) ## Dados e evidências - No TRAVERSE, com 5.246 homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo e risco cardiovascular, eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 7,0% com testosterona e 7,3% com placebo. Fonte: Lincoff et al., N Engl J Med, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/) - O mesmo estudo registrou maior incidência de fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo testosterona. Fonte: Lincoff et al., N Engl J Med, 2023 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/) - Em estudo de 2010 com homens idosos com limitação de mobilidade, 23 no grupo testosterona e 5 no placebo tiveram eventos cardiovasculares, e o estudo foi interrompido. Fonte: Basaria et al., N Engl J Med, 2010 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20592293/) - Em grandes bases de dados, usuários de testosterona injetável tiveram risco 26% maior de eventos cardiovasculares do que usuários de gel (estudo observacional). Fonte: Layton et al., JAMA Intern Med, 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25962056/) ## Fala da médica "É pra gente pecar pelo excesso." — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy (TRAVERSE). N Engl J Med, 2023: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/ - Basaria S et al. Adverse events associated with testosterone administration. N Engl J Med, 2010: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20592293/ - Layton JB et al. Comparative Safety of Testosterone Dosage Forms. JAMA Intern Med, 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25962056/ - Ohlander SJ et al. Erythrocytosis Following Testosterone Therapy. Sex Med Rev, 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28526632/ - Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.