# Testosterona e fertilidade: por que o hormônio pode reduzir os espermatozoides URL: https://sanareclinic.com.br/programa-vital-saude-masculina/testosterona-e-fertilidade/ Testosterona de fora do corpo pode reduzir muito a produção de espermatozoides, a ponto de ter sido estudada como anticoncepcional masculino. Por isso, quem planeja ter filhos precisa dizer isso antes de qualquer tratamento. Há caminhos que tratam a deficiência preservando a fertilidade. ## Um paradoxo que pouca gente conhece É natural pensar que, se a testosterona é o hormônio masculino, repô-la melhoraria a fertilidade. Acontece o contrário. A produção de espermatozoides depende de uma concentração muito alta de testosterona dentro dos testículos, sustentada pelos sinais do cérebro, o LH e o FSH. Quando a testosterona chega pelo sangue, vinda de gel, injeção ou implante, o cérebro interpreta que já há hormônio suficiente e reduz o LH e o FSH. Sem esses sinais, os testículos diminuem a própria produção de testosterona e, junto com ela, a fabricação de espermatozoides. O nível no sangue sobe, mas o nível dentro do testículo cai. Esse efeito é tão consistente que a testosterona já foi estudada como método contraceptivo masculino em pesquisas coordenadas pela Organização Mundial da Saúde. ## O que os estudos mostram Em um estudo multicêntrico da Organização Mundial da Saúde publicado em 1990, 271 homens férteis receberam testosterona injetável semanal. Em seis meses, 65% deles chegaram à azoospermia, ou seja, ausência de espermatozoides no sêmen, em três amostras consecutivas. O tempo médio até esse ponto foi de cerca de 120 dias. O mesmo estudo mostrou que o efeito costuma ser reversível em homens jovens e saudáveis. Após a suspensão, o tempo mediano até a recuperação de uma concentração de 20 milhões de espermatozoides por mililitro foi de 3,7 meses, e até a concentração inicial de cada homem, 6,7 meses. Em homens mais velhos, com uso prolongado ou doses altas, a recuperação pode ser mais lenta e incompleta. Usuários de anabolizantes em doses muito acima das fisiológicas formam um grupo à parte: neles, a supressão pode ser intensa e duradoura. ## O que dizem as diretrizes A diretriz da Endocrine Society coloca o planejamento de fertilidade no curto prazo entre as situações em que a reposição de testosterona não deve ser iniciada. A Cleveland Clinic lembra que, para homens com deficiência que desejam ter filhos, existem outros tratamentos disponíveis, que estimulam a produção do próprio corpo em vez de substituí-la. Na prática, isso significa que a conversa sobre filhos precisa acontecer antes da prescrição. Quem deseja ser pai nos próximos anos, ou ainda não decidiu, deve deixar isso claro. Em alguns casos, uma análise do sêmen antes de qualquer tratamento é útil para registrar o ponto de partida. No hipogonadismo de origem central, muito comum em homens com obesidade e diabetes, tratar a causa metabólica também pode melhorar o eixo hormonal sem comprometer a fertilidade. ## Outros fatores que afetam a fertilidade masculina A testosterona é só uma peça. Excesso de peso, consumo elevado de álcool, tabagismo, calor excessivo na região dos testículos, sono ruim, alguns medicamentos e o uso de anabolizantes também interferem na produção e na qualidade dos espermatozoides. A revisão sobre álcool e o sistema reprodutor masculino publicada pelo instituto americano de pesquisa sobre álcool descreve efeitos em todos os níveis do eixo hormonal, do cérebro aos testículos. A obesidade, por sua vez, reduz a testosterona e aumenta a conversão em estrogênio no tecido gorduroso. Por isso, o cuidado com a fertilidade masculina passa pelos mesmos pilares da saúde hormonal: peso, sono, álcool, treino e investigação médica cuidadosa. Quando há infertilidade conjugal confirmada, o acompanhamento com especialista em reprodução humana é indicado. ## Gel, injeção e fertilidade Todas as formas de testosterona administrada podem suprimir a produção de espermatozoides, inclusive o gel. A intensidade varia com a dose, o tempo de uso e a sensibilidade de cada homem, mas nenhuma via deve ser considerada segura para quem planeja ter filhos em breve. O mesmo vale para produtos vendidos como pré-hormônios ou estimulantes de testosterona sem prescrição, que podem conter substâncias androgênicas não declaradas. Se a fertilidade é uma prioridade, o caminho mais seguro é conversar com o médico antes de usar qualquer produto hormonal e registrar o ponto de partida com exames. ## Como a Sanare conduz esses casos Na consulta inicial do Programa Vital, a Dra. Vânia Declair Cohen pergunta diretamente sobre o desejo de ter filhos. Essa resposta muda o plano desde o início. Se a paternidade está nos planos, a testosterona externa não é o caminho, e a investigação busca a causa da deficiência e as alternativas que preservam a produção do próprio corpo. Para homens que já usaram ou usam testosterona por conta própria, a conversa é franca: entender a dose, o tempo de uso e os exames atuais ajuda a planejar a recuperação do eixo hormonal com segurança e acompanhamento. Quando necessário, a Sanare indica avaliação conjunta com especialista em reprodução. O compromisso é o mesmo em qualquer cenário: informação clara antes de qualquer decisão. ## Perguntas frequentes - Testosterona deixa o homem infértil? A testosterona usada como tratamento pode reduzir muito a produção de espermatozoides, às vezes a zero. Em homens jovens o efeito costuma ser reversível após a suspensão, mas isso não é certo para todos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-testosterona-deixa-infertil/) - Quem quer ter filhos pode tratar testosterona baixa? Pode, mas geralmente não com testosterona. Existem tratamentos que estimulam a produção do próprio corpo e preservam os espermatozoides, além do cuidado com peso, sono e metabolismo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-tratar-testosterona-baixa-querendo-filhos/) - Depois de parar a testosterona, a fertilidade volta? Na maioria dos homens jovens, sim, em geral em alguns meses. A recuperação pode ser mais lenta ou incompleta após uso prolongado, doses altas ou em idade mais avançada. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-fertilidade-volta-apos-parar-testosterona/) - Anabolizante causa infertilidade? Pode causar. Doses altas de hormônios androgênicos suprimem intensamente a produção de espermatozoides e podem deixar o eixo hormonal deprimido por meses após a interrupção. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/masculina-anabolizante-causa-infertilidade/) ## Dados e evidências - Em estudo da OMS com 271 homens férteis que receberam testosterona injetável semanal, 65% chegaram à ausência de espermatozoides no sêmen em seis meses. Fonte: WHO Task Force, Lancet, 1990 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1977002/) - Após suspender a testosterona, o tempo mediano até recuperar 20 milhões de espermatozoides por mL foi de 3,7 meses, e até a concentração inicial, 6,7 meses. Fonte: WHO Task Force, Lancet, 1990 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1977002/) - A Endocrine Society recomenda não iniciar testosterona em homens que planejam fertilidade no curto prazo. Fonte: Endocrine Society, 2018 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/) ## Fontes - WHO Task Force. Contraceptive efficacy of testosterone-induced azoospermia in normal men. Lancet, 1990: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1977002/ - Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/ - Cleveland Clinic — Low Testosterone (Male Hypogonadism): https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/15603-low-testosterone-male-hypogonadism - Kanayama G et al. Prolonged hypogonadism in males following withdrawal from anabolic-androgenic steroids. Addiction, 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25598171/ - Emanuele MA, Emanuele N. Alcohol and the male reproductive system. Alcohol Res Health, 2001: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11910706/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.