# Histerectomia e reposição hormonal: o que muda para quem retirou o útero URL: https://sanareclinic.com.br/reposicao-hormonal/histerectomia-e-reposicao-hormonal/ Quem retirou o útero geralmente pode usar estrogênio sem progesterona, o que muda o perfil de riscos da terapia hormonal. Os ovários preservados ou não também mudam a conversa. Na Sanare, em São Paulo, cada história cirúrgica é avaliada. ## Histerectomia não é sinônimo de menopausa A histerectomia é a retirada do útero. Quando os ovários são preservados, eles continuam produzindo hormônios até a idade natural da menopausa, e a mulher não entra em menopausa por causa da cirurgia, embora deixe de menstruar. Quando os ovários também são retirados, ocorre a menopausa cirúrgica, com queda abrupta dos hormônios. Essa diferença é fundamental. Muitas mulheres histerectomizadas não sabem se os ovários foram retirados, e essa informação muda completamente o raciocínio. Vale buscar o relatório da cirurgia ou conversar com o cirurgião. Há ainda um detalhe: sem menstruação, fica mais difícil perceber quando a menopausa natural começa em quem preservou os ovários. Os sinais passam a ser outros, como mudanças no sono, sintomas vasomotores, ressecamento vaginal e alterações de humor, e às vezes dosagens hormonais ajudam a entender em que fase a mulher está. Saber exatamente o que foi retirado na cirurgia é, portanto, o primeiro passo de qualquer conversa sobre terapia hormonal. ## Sem útero, sem necessidade de progesterona Na terapia hormonal, a progesterona é usada principalmente para proteger o endométrio, o revestimento interno do útero. Uma revisão Cochrane mostrou que o estrogênio sem oposição aumenta o risco de hiperplasia endometrial em todas as doses e durações, o que torna a progesterona obrigatória para quem tem útero. Sem útero, essa necessidade desaparece na maioria dos casos. A mulher histerectomizada geralmente pode usar estrogênio isolado. Há exceções, como quem retirou o útero por endometriose, situação em que focos da doença podem persistir e o progestagênio pode ser indicado. Algumas mulheres sem útero se beneficiam da progesterona micronizada por outros motivos, como a melhora do sono. Essa escolha, porém, precisa pesar o fato de que a combinação com progestagênio está associada a maior risco mamário do que o estrogênio isolado. ## O que os estudos mostram sobre estrogênio isolado O braço do estudo WHI que testou estrogênio isolado em mais de 10 mil mulheres histerectomizadas trouxe resultados importantes no acompanhamento de longo prazo. Depois de mais de 20 anos, o estrogênio isolado foi associado a menor incidência de câncer de mama, com risco 22% menor, e a menor mortalidade por câncer de mama, com risco 40% menor, em comparação com placebo. A análise da The Lancet de 2019, com dados observacionais de mais de 100 mil mulheres com câncer de mama, encontrou aumento de risco com estrogênio isolado, mas bem menor do que com combinações: cerca de um caso extra a cada 200 usuárias em cinco anos, contra um a cada 50 com estrogênio e progestagênio diário. No seguimento de 18 anos do WHI, a mortalidade total no grupo de estrogênio isolado não foi diferente da do placebo. Esses dados ajudam a explicar por que a relação benefício-risco tende a ser mais favorável para mulheres sem útero. ## Cuidados que continuam Mesmo sem útero, a terapia hormonal continua exigindo avaliação. O rastreamento mamário segue necessário, assim como a avaliação do risco cardiovascular, da coagulação e da saúde óssea. As contraindicações gerais, como histórico de trombose, câncer de mama e doença hepática ativa, continuam valendo. A via transdérmica mantém suas vantagens: não aumentou o risco de trombose venosa em grandes estudos e tem menos efeito sobre marcadores inflamatórios. A dose deve ser a menor eficaz, e a reavaliação periódica continua necessária, como em qualquer terapia hormonal. Para mulheres que retiraram os ovários antes da idade natural da menopausa, a situação se aproxima da insuficiência ovariana prematura, e as diretrizes recomendam terapia hormonal até a idade média da menopausa natural, salvo contraindicações. A retirada dos ovários também reduz a testosterona, o que pode afetar o desejo sexual e merece avaliação específica. ## Como a Sanare conduz Na Sanare, a história cirúrgica é parte central da consulta inicial de cerca de duas horas. A Dra. Vânia Declair Cohen pergunta pelo motivo da histerectomia, pela idade em que ela aconteceu, pela retirada ou preservação dos ovários e pelos sintomas desde então. Quando possível, o relatório cirúrgico e os exames anatomopatológicos são revisados. Com essas informações e os exames solicitados, a terapia é planejada: estrogênio isolado em gel em dose baixa, na maioria das mulheres sem útero com indicação; progesterona apenas quando há razão específica; atenção à libido quando os ovários foram retirados. O acompanhamento acontece dentro do Programa Equilíbrio Feminino, voltado ao início e ajuste da terapia hormonal, com visita semanal, três consultas, duas interconsultas e bioimpedância mensal. É um formato que permite ajustar a dose com segurança e acompanhar a evolução de perto. ## Perguntas frequentes - Quem tirou o útero precisa de reposição hormonal? Não necessariamente. Se os ovários foram preservados, eles continuam produzindo hormônios até a menopausa natural. A terapia é considerada quando há sintomas ou quando os ovários também foram retirados cedo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-tirou-utero-precisa/) - Sem útero posso usar só estrogênio? Na maioria dos casos, sim. A progesterona serve principalmente para proteger o útero; sem ele, o estrogênio isolado costuma ser suficiente, com exceções como a endometriose. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-sem-utero-so-estrogenio/) - Retirei o útero mas mantive os ovários. Vou entrar na menopausa mais cedo? Alguns estudos sugerem que a menopausa pode acontecer um pouco antes após a histerectomia, mas a maioria das mulheres mantém a função ovariana por anos. Os sinais da transição devem ser observados. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-histerectomia-ovarios-menopausa/) - Retirada dos ovários afeta a libido? Pode afetar, porque os ovários também produzem testosterona. Quando há baixa de desejo que causa sofrimento, a avaliação pode incluir terapia hormonal e, em casos selecionados, testosterona em dose fisiológica. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-retirada-ovarios-libido/) ## Dados e evidências - No WHI, estrogênio isolado em 10.739 mulheres histerectomizadas foi associado, após mais de 20 anos, a menor incidência (HR 0,78) e menor mortalidade (HR 0,60) por câncer de mama em comparação com placebo. Fonte: Chlebowski et al., JAMA, 2020 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32721007/) - Cinco anos de estrogênio isolado a partir dos 50 anos foram associados a cerca de 1 caso extra de câncer de mama a cada 200 usuárias, contra 1 a cada 50 com estrogênio e progestagênio diário. Fonte: Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer, The Lancet, 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31474332/) - Revisão Cochrane mostrou que o estrogênio sem oposição aumenta o risco de hiperplasia endometrial em todas as doses, o que torna o progestagênio necessário apenas para mulheres com útero. Fonte: Furness et al., Cochrane, 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22895916/) - No seguimento de 18 anos do WHI, a mortalidade total com estrogênio isolado teve HR de 0,94 em relação ao placebo, sem diferença estatisticamente significativa. Fonte: Manson et al., JAMA, 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28898378/) ## Fontes - Chlebowski RT et al. Menopausal hormone therapy and breast cancer incidence and mortality: long-term WHI follow-up. JAMA, 2020: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32721007/ - Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer. Lancet, 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31474332/ - Furness S et al. Hormone therapy in postmenopausal women and risk of endometrial hyperplasia. Cochrane, 2012: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22895916/ - Manson JE et al. Menopausal hormone therapy and long-term mortality: WHI. JAMA, 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28898378/ - Davis SR et al. Global Consensus Position Statement on Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab, 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31498871/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.