# Hormônios e coração: o que muda no risco cardiovascular da mulher URL: https://sanareclinic.com.br/reposicao-hormonal/hormonios-e-saude-do-coracao/ Depois da menopausa, o risco cardiovascular da mulher aumenta, e a terapia hormonal pode influenciar esse risco para os dois lados. Tudo depende de idade, via e perfil. Na Sanare, em São Paulo, o coração é avaliado antes do hormônio. ## O que muda no coração depois da menopausa Antes da menopausa, as mulheres têm, em média, menos doença coronariana do que homens da mesma idade. Depois dela, essa diferença diminui progressivamente. A queda do estrogênio se associa a mudanças no perfil lipídico, com aumento do LDL, a um acúmulo maior de gordura abdominal e visceral e a uma piora da sensibilidade à insulina. A idade em que a menopausa acontece também importa. Uma análise com mais de 300 mil mulheres, publicada na Lancet Public Health em 2019, mostrou que mulheres com menopausa prematura, antes dos 40 anos, tiveram risco 55% maior de um primeiro evento cardiovascular não fatal em comparação com as que tiveram menopausa aos 50 ou 51 anos. Na menopausa entre 40 e 44 anos, o risco foi 30% maior. Por isso, a menopausa é um bom momento para olhar o coração com atenção, independentemente de qualquer decisão sobre hormônios. ## O que a terapia hormonal faz nos fatores de risco Uma meta-análise de 107 ensaios clínicos avaliou o efeito da terapia hormonal sobre os componentes da síndrome metabólica. Em mulheres sem diabetes, o hormônio reduziu a gordura abdominal em 6,8%, a resistência à insulina em 12,9% e o risco de diabetes novo em cerca de 30%. Também melhorou a relação entre LDL e HDL e reduziu a lipoproteína(a), além de diminuir discretamente a pressão arterial. A mesma análise mostrou uma diferença importante entre as vias. A via oral teve efeitos maiores sobre alguns marcadores, mas aumentou a proteína C reativa, um marcador inflamatório, e reduziu a proteína S, um anticoagulante natural. A via transdérmica não teve esses efeitos negativos. Esses achados ajudam a entender por que a escolha da via não é um detalhe, e por que mulheres com risco cardiovascular aumentado costumam se beneficiar da via transdérmica quando a terapia é indicada. ## Prevenção não é indicação Apesar dos efeitos favoráveis sobre fatores de risco, a terapia hormonal não é indicada como tratamento para prevenir infarto ou AVC. Uma revisão Cochrane de 19 ensaios clínicos, com mais de 40 mil mulheres, concluiu que a terapia hormonal, considerada no conjunto das participantes, não reduziu mortalidade nem infarto e aumentou o risco de AVC em 24% e de trombose venosa. Essa revisão foi dominada por estudos com mulheres mais velhas e hormônios orais, e análises por subgrupo sugerem cenário mais favorável quando o tratamento começa perto da menopausa. Mas a mensagem principal é que o hormônio não substitui o controle de pressão, colesterol, glicemia, peso e tabagismo. O seguimento de 18 anos do WHI trouxe um dado tranquilizador: a mortalidade por todas as causas, cardiovascular e por câncer não foi diferente entre quem usou e quem não usou hormônio. A força-tarefa americana de prevenção mantém a recomendação de não usar terapia hormonal com o objetivo exclusivo de prevenir doenças crônicas. ## Quem precisa de mais cuidado Mulheres com doença coronariana estabelecida, AVC prévio ou trombose geralmente não devem iniciar terapia hormonal sistêmica. Mulheres com vários fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol alto e tabagismo, podem ter indicação em alguns casos, mas exigem avaliação mais detalhada e preferência pela via transdérmica e pela menor dose eficaz. A idade e o tempo desde a menopausa pesam. Para quem começa depois dos 60 anos ou mais de dez anos após a última menstruação, os riscos absolutos de doença coronariana e AVC são maiores. Já mulheres com menopausa precoce têm risco cardiovascular aumentado justamente pela falta de hormônio, e para elas a terapia é recomendada pelas diretrizes até a idade média da menopausa natural. Em qualquer cenário, sinais como dor no peito, falta de ar, palpitações ou alterações neurológicas súbitas exigem avaliação imediata. ## Como a Sanare avalia o coração Na Sanare, o risco cardiovascular é avaliado antes de qualquer decisão sobre hormônios. A consulta inicial de cerca de duas horas com a Dra. Vânia Declair Cohen inclui histórico pessoal e familiar, pressão arterial, circunferência abdominal, composição corporal por bioimpedância, com atenção à gordura visceral, e exames como perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, funções renal e hepática. Com esses dados, a terapia hormonal é indicada ou não, e a via é escolhida. Para quem tem fatores de risco, o estradiol em gel em dose baixa costuma ser a opção. O plano de longevidade vai além do hormônio: alimentação, treino de força e aeróbico, sono, controle do estresse e tratamento de pressão, colesterol e glicemia quando necessário. Pacientes com doenças crônicas podem ser acompanhadas no Programa Compasso, voltado a hipertensão, diabetes e dislipidemia. As visitas semanais permitem medir a pressão com frequência e ajustar o plano rapidamente. ## Perguntas frequentes - Reposição hormonal aumenta o risco de infarto? Iniciada perto da menopausa, em mulheres saudáveis, a terapia hormonal não parece aumentar o risco de infarto. Começar muitos anos depois, ou em quem já tem doença coronariana, eleva o risco. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-aumenta-risco-infarto/) - Reposição hormonal causa AVC? A terapia hormonal pode aumentar o risco de AVC, especialmente quando oral e iniciada em mulheres mais velhas. O risco absoluto em mulheres mais jovens é baixo, e a via transdérmica parece mais favorável. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-causa-avc/) - Menopausa precoce aumenta o risco cardíaco? Sim. Mulheres com menopausa antes dos 40 ou entre 40 e 44 anos têm risco cardiovascular maior. Nesses casos, a terapia hormonal é recomendada pelas diretrizes até a idade média da menopausa natural. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-menopausa-precoce-risco-cardiaco/) - Reposição hormonal melhora o colesterol? Em média, a terapia hormonal melhora a relação entre LDL e HDL e reduz a lipoproteína(a). A via oral pode elevar triglicérides; a transdérmica tem efeito mais neutro. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-melhora-colesterol/) ## Dados e evidências - Em análise de 301.438 mulheres, a menopausa antes dos 40 anos foi associada a risco 55% maior de evento cardiovascular não fatal (HR 1,55) e a menopausa entre 40 e 44 anos a risco 30% maior, em comparação com menopausa aos 50–51 anos. Fonte: Zhu et al., Lancet Public Health, 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31588031/) - Meta-análise de 107 ensaios mostrou que a terapia hormonal reduziu gordura abdominal (−6,8%), resistência à insulina (−12,9%) e diabetes novo (RR 0,7) em mulheres sem diabetes. Fonte: Salpeter et al., Diabetes, Obesity and Metabolism, 2006 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16918589/) - Revisão Cochrane de 19 ensaios com 40.410 mulheres não encontrou proteção contra mortalidade ou infarto e observou aumento de AVC (RR 1,24) com terapia hormonal. Fonte: Boardman et al., Cochrane, 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25754617/) - No seguimento de 18 anos dos ensaios WHI, com 27.347 mulheres, a mortalidade total foi 27,1% no grupo hormônio e 27,6% no placebo (HR 0,99), sem diferença na mortalidade cardiovascular. Fonte: Manson et al., JAMA, 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28898378/) ## Fontes - Zhu D et al. Age at natural menopause and risk of incident cardiovascular disease: pooled analysis. Lancet Public Health, 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31588031/ - Salpeter SR et al. Meta-analysis: effect of HRT on components of the metabolic syndrome. Diabetes Obes Metab, 2006: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16918589/ - Boardman HM et al. Hormone therapy for preventing cardiovascular disease in post-menopausal women. Cochrane, 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25754617/ - Manson JE et al. Menopausal hormone therapy and long-term mortality: WHI. JAMA, 2017: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28898378/ - US Preventive Services Task Force. JAMA, 2022: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36318127/ - ESHRE/ASRM/IMS. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency. Hum Reprod Open, 2024: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39660328/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.