# Reposição hormonal e trombose: por que a via transdérmica importa URL: https://sanareclinic.com.br/reposicao-hormonal/reposicao-hormonal-trombose-gel-transdermico/ O estradiol em gel ou adesivo não mostrou aumento do risco de trombose venosa em grandes estudos, ao contrário do estrogênio em comprimido. A via escolhida muda a segurança do tratamento. Na Sanare, em São Paulo, o gel em dose baixa é a via preferida quando há indicação. ## O que é trombose e por que o estrogênio entra na conversa Trombose venosa é a formação de um coágulo dentro de uma veia, geralmente nas pernas. Quando parte desse coágulo se desprende e chega aos pulmões, causa uma embolia pulmonar, situação grave que exige atendimento imediato. O risco de trombose aumenta com a idade, o excesso de peso, o tabagismo, a imobilização prolongada, cirurgias, algumas doenças do sangue e o histórico familiar. O estrogênio entra nessa conversa por um motivo específico: quando tomado por via oral, ele passa primeiro pelo fígado antes de chegar à circulação. Nessa primeira passagem, estimula a produção de fatores de coagulação. É por isso que anticoncepcionais e terapias hormonais em comprimido estão associados a mais eventos trombóticos. Quando o estradiol é absorvido pela pele, esse primeiro passo pelo fígado não acontece da mesma forma, e o efeito sobre a coagulação é muito menor. ## O que os grandes estudos mostram O estudo mais citado sobre o tema foi publicado no BMJ em 2019. Pesquisadores da Universidade de Nottingham analisaram registros de mais de 80 mil mulheres com trombose venosa, comparadas a quase 400 mil mulheres sem trombose, usando duas grandes bases de dados do Reino Unido. A terapia hormonal oral foi associada a um risco 58% maior de trombose venosa em relação a não usar hormônios. O aumento apareceu tanto com estrogênio isolado quanto com combinações, e o estradiol oral teve risco menor do que o estrogênio equino conjugado. Já as preparações transdérmicas não foram associadas a aumento de risco, com resultado consistente para diferentes esquemas. Os autores concluíram que a via transdérmica foi a forma mais segura de terapia hormonal no que diz respeito à trombose e que ela parecia subutilizada. Uma revisão sistemática Cochrane de ensaios clínicos também encontrou risco de tromboembolismo venoso quase duas vezes maior entre usuárias de terapia hormonal do que entre mulheres que receberam placebo. ## Gel, adesivo, comprimido: as diferenças práticas O gel transdérmico é aplicado diariamente na pele, geralmente nos braços ou nas coxas, e permite ajustar a dose com flexibilidade. O adesivo é trocado uma ou duas vezes por semana e libera o hormônio de forma contínua. Ambos são vias transdérmicas, com perfil semelhante em relação à coagulação. O comprimido tem a vantagem da praticidade, mas carrega o efeito da primeira passagem hepática, que interfere não só na coagulação como em outros marcadores. Uma meta-análise de 107 ensaios mostrou que a terapia oral aumentou a proteína C reativa, um marcador inflamatório, e reduziu a proteína S, um anticoagulante natural, enquanto a via transdérmica não teve esse efeito. A progesterona, que protege o endométrio de quem tem útero, costuma ser usada por via oral ou vaginal. A forma micronizada parece ter um perfil favorável também em relação à coagulação, mas a escolha final depende do caso. ## Quem precisa de atenção redobrada Mesmo com a via transdérmica, alguns perfis exigem avaliação mais cuidadosa ou contraindicam a terapia. Histórico pessoal de trombose venosa ou embolia pulmonar, trombofilias conhecidas, doença hepática ativa e histórico de AVC estão entre as situações em que a decisão precisa ser individualizada, frequentemente com apoio de outros especialistas. Fatores como obesidade, tabagismo, imobilização e idade mais avançada somam-se ao risco. Antes de cirurgias de maior porte, a conduta em relação ao hormônio também deve ser discutida com a equipe cirúrgica. Também é importante saber reconhecer sinais de alerta: inchaço, dor e calor em uma perna, falta de ar súbita, dor no peito ao respirar. Diante deles, a orientação é procurar atendimento de urgência, e não esperar a próxima consulta. ## A escolha da Sanare A Dra. Vânia Declair Cohen prefere, quando a terapia hormonal é indicada, o estradiol em gel transdérmico, na menor dose capaz de controlar os sintomas. Essa escolha segue a lógica que aparece nas evidências: menos interferência na coagulação, flexibilidade para ajustar a dose e possibilidade de reduzir quando o corpo pede. Antes da prescrição, a consulta inicial de cerca de duas horas levanta o histórico pessoal e familiar de trombose, avalia peso, pressão, tabagismo e uso de outros medicamentos. Os exames são solicitados conforme o caso. Depois de iniciar, o acompanhamento semanal dentro do Programa Sanare de 12 semanas permite observar como a paciente responde e corrigir o rumo com rapidez. A via transdérmica não elimina todos os riscos, e nenhum tratamento hormonal deve ser feito sem acompanhamento. Mas, entre as opções disponíveis, é a que melhor equilibra eficácia e segurança para a maioria das mulheres com indicação. ## Perguntas frequentes - Hormônio em gel dá trombose? Em grandes estudos, o estradiol transdérmico, em gel ou adesivo, não foi associado a aumento do risco de trombose venosa. O comprimido, por outro lado, foi associado a risco maior. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-hormonio-gel-trombose/) - Qual é mais seguro: adesivo, gel ou comprimido de hormônio? Em relação à trombose, gel e adesivo, que são vias transdérmicas, têm perfil mais favorável do que o comprimido. A escolha final considera também praticidade, pele, absorção e preferências. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-adesivo-gel-comprimido/) - Quem já teve trombose pode fazer reposição hormonal? Histórico de trombose venosa ou embolia pulmonar costuma contraindicar a terapia hormonal sistêmica ou exigir avaliação muito criteriosa. Tratamentos locais e alternativas não hormonais podem ser discutidos. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-ja-teve-trombose/) - Fumante pode usar hormônio na menopausa? O tabagismo aumenta o risco cardiovascular e trombótico, e isso pesa na decisão. Quando a terapia é considerada, a via transdérmica é preferida, e parar de fumar é parte do plano. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/hormonal-feminina-fumante-hormonio/) ## Dados e evidências - Em estudo com 80.396 mulheres com trombose venosa e 391.494 controles, a terapia hormonal oral foi associada a risco 58% maior de trombose (OR 1,58); as preparações transdérmicas não foram associadas a aumento (OR 0,93). Fonte: Vinogradova et al., BMJ, 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30626577/) - Revisão Cochrane de 19 ensaios com 40.410 mulheres encontrou aumento de eventos tromboembólicos venosos com terapia hormonal em comparação com placebo (RR 1,92). Fonte: Boardman et al., Cochrane, 2015 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25754617/) - Meta-análise de 107 ensaios mostrou que a terapia hormonal oral aumentou a proteína C reativa em 37,6% e reduziu a proteína S, enquanto a via transdérmica não teve esses efeitos. Fonte: Salpeter et al., Diabetes, Obesity and Metabolism, 2006 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16918589/) ## Fala da médica "É pra gente pecar pelo excesso." — Dra. Vania Declair Cohen ## Fontes - Vinogradova Y et al. Use of hormone replacement therapy and risk of venous thromboembolism. BMJ, 2019: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30626577/ - Boardman HM et al. Hormone therapy for preventing cardiovascular disease in post-menopausal women. Cochrane, 2015: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25754617/ - Salpeter SR et al. Meta-analysis: effect of hormone-replacement therapy on components of the metabolic syndrome. Diabetes Obes Metab, 2006: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16918589/ - The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.