# Alopecia de tração e química: quando penteados e alisamentos derrubam o cabelo URL: https://sanareclinic.com.br/saude-capilar/alopecia-de-tracao-e-quimicas/ Penteados presos, tranças tensas, apliques e química repetida podem provocar perda de cabelo nas bordas da cabeça. Detectada cedo, essa perda pode se reverter; com o tempo, ela pode se tornar permanente. ## O que é a alopecia de tração A alopecia de tração é a perda de cabelo causada por forças mecânicas repetidas sobre o folículo. Ela acontece quando o cabelo é puxado de forma constante, por penteados presos, tranças, apliques ou acessórios, e costuma aparecer nas bordas da cabeça, como a linha da testa, as têmporas e a região acima das orelhas, que sofrem mais tensão. Uma revisão publicada em 2018 na revista Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology descreve a doença em duas fases. No início, a perda não deixa cicatriz e pode ser revertida se a tração for interrompida. Se os penteados traumáticos continuarem, a condição pode evoluir para uma alopecia cicatricial irreversível, em que o folículo é substituído por tecido fibroso. Ela é uma das poucas causas de queda diretamente ligadas a hábitos que podem ser mudados, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais valioso. ## Os penteados de maior risco Segundo a revisão de 2018, os penteados de maior risco são coques e rabos de cavalo apertados, apliques e mega hair, e tranças tensas, como as nagô, as box braids e os dreads. O risco aumenta quando esses penteados são combinados com alisamento químico, que fragiliza a haste e o folículo. A condição é mais estudada em mulheres de ascendência africana, entre as quais um levantamento citado pela revisão encontrou cerca de um terço de mulheres afetadas, mas pode atingir qualquer pessoa que use penteados tensos com frequência, incluindo bailarinas, atletas, militares e pessoas que usam o cabelo preso por longas horas no trabalho. Os próprios autores lembram que a frequência varia muito entre populações. ## Sinais precoces que valem atenção Os primeiros sinais costumam ser discretos. Pode haver vermelhidão, coceira ou pequenas bolinhas ao redor dos fios nas áreas tracionadas, dor ou sensação de repuxar depois de fazer o penteado e fios mais finos e curtos nas bordas da cabeça. Com o tempo, as têmporas e a linha frontal começam a recuar. Um sinal característico, descrito na revisão de 2018, é o sinal da franja: uma faixa de fios finos que permanece na borda da área afetada. Ele ajuda a diferenciar a alopecia de tração da alopecia fibrosante frontal, que atinge a mesma região, mas em que essa franja se perde. Essa distinção é importante, porque os tratamentos são diferentes. ## A química também conta Alisamentos, relaxamentos, progressivas, descolorações e tinturas frequentes podem danificar a haste do fio, deixando-o frágil e propenso a quebrar. Em alguns casos, também irritam o couro cabeludo, provocando queimaduras químicas, inflamação e dermatite de contato. No Brasil, os alisamentos com formol merecem atenção especial. Um estudo brasileiro de caso-controle publicado em 2021, com 902 participantes em 11 centros de referência, encontrou associação entre o alisamento com formol e a alopecia fibrosante frontal, com chance cerca de três vezes maior da doença. É uma associação, e não prova de causa, mas soma-se a outros motivos para evitar produtos com formol, que também irritam a pele e as vias respiratórias. ## Como é o cuidado O primeiro passo é reduzir a tração. Alternar penteados, usar o cabelo solto parte do tempo, afrouxar tranças e coques, evitar apliques pesados e trocar elásticos com metal por opções macias diminuem a força sobre o folículo. Nas fases iniciais, essa mudança costuma ser suficiente para que os fios voltem a crescer ao longo de meses. Quando há inflamação, a médica pode indicar tratamentos locais para controlá-la. Recursos como laser e LED de baixa potência podem apoiar o novo crescimento em áreas que ainda têm folículos ativos. Nas áreas em que a cicatrização já se instalou e a doença está estável há bastante tempo, o transplante capilar pode ser discutido, sempre depois que os hábitos de tração forem mudados. Pequenas mudanças mantidas ao longo do tempo costumam valer mais do que mudanças radicais abandonadas. ## A avaliação na Sanare Na Sanare, em São Paulo, a Dra. Vânia Declair Cohen examina as bordas da cabeça com tricoscopia para verificar se há sinais de inflamação, cicatriz ou miniaturização e para diferenciar a alopecia de tração de outras condições, como a alopecia fibrosante frontal e a alopecia androgenética. A consulta inclui uma conversa sem julgamentos sobre os seus penteados, a sua rotina e os produtos químicos que você usa, porque o objetivo é encontrar formas de cuidar do cabelo que respeitem o seu estilo e a sua identidade. O plano combina orientação de hábitos, tratamento da inflamação quando presente e, em casos selecionados e estáveis, discussão sobre transplante. ## Perguntas frequentes - Rabo de cavalo apertado faz cair cabelo? Pode fazer, quando usado com frequência e por muitas horas. A tração repetida sobre a raiz pode provocar alopecia de tração nas bordas da cabeça, principalmente nas têmporas. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-rabo-de-cavalo-apertado-cair/) - Tranças e apliques podem causar calvície? Podem causar alopecia de tração quando são muito tensas, pesadas ou mantidas por longos períodos. Afrouxar, alternar estilos e dar pausas reduz bastante o risco. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-trancas-apliques-calvicie/) - Alopecia de tração tem volta? Nas fases iniciais, sim, quando a tração é interrompida. Com anos de tração, pode haver cicatriz e perda permanente. Por isso, agir cedo é o que mais protege os fios. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-alopecia-tracao-tem-volta/) - Progressiva e alisamento fazem cair cabelo? Podem quebrar os fios e irritar o couro cabeludo, e produtos com formol foram associados à alopecia fibrosante frontal num estudo brasileiro. A frequência e o produto fazem diferença. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-progressiva-alisamento-cair-cabelo/) ## Dados e evidências - Coques e rabos de cavalo apertados, apliques e tranças tensas são os penteados de maior risco para alopecia de tração, sobretudo quando combinados com alisamento químico. Fonte: Billero e Miteva, Clin Cosmet Investig Dermatol 2018 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5896661/) - Nas fases iniciais a alopecia de tração pode ser revertida; se a tração continuar, pode evoluir para alopecia cicatricial irreversível. Fonte: Billero e Miteva, Clin Cosmet Investig Dermatol 2018 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5896661/) - Estudo brasileiro com 902 participantes associou o alisamento com formol a uma chance cerca de três vezes maior de alopecia fibrosante frontal (OR 3,18). Fonte: Ramos et al., J Am Acad Dermatol 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32835739/) - Em todas as formas de alopecia cicatricial, a tricoscopia mostra áreas sem aberturas foliculares. Fonte: Rudnicka et al., J Dermatol Case Rep 2011 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3241952/) ## Fontes - Traction alopecia: the root of the problem (Clin Cosmet Investig Dermatol, 2018): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5896661/ - Risk factors for frontal fibrosing alopecia: a case-control study in a multiracial population (J Am Acad Dermatol, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32835739/ - Trichoscopy update 2011 (J Dermatol Case Rep): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3241952/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.