# Alopecia fibrosante frontal: quando a linha da testa recua URL: https://sanareclinic.com.br/saude-capilar/alopecia-fibrosante-frontal/ A alopecia fibrosante frontal faz a linha do cabelo na testa e nas têmporas recuar aos poucos e pode afinar as sobrancelhas. Como deixa cicatriz no folículo, o diagnóstico precoce é o que mais protege os fios. ## Uma alopecia que deixa cicatriz A alopecia fibrosante frontal pertence ao grupo das alopecias cicatriciais, em que a inflamação ao redor do folículo leva à sua substituição por tecido fibroso. Quando isso acontece, aquele folículo deixa de produzir fios. É por isso que, ao contrário do eflúvio ou da alopecia areata, a área perdida dificilmente volta a ter cabelo, e o foco do tratamento passa a ser frear a progressão. A condição costuma ser descrita como uma variante do líquen plano pilar. Ela recua a linha frontal e as têmporas em faixa, de forma lenta e às vezes simétrica, deixando uma pele lisa, clara e brilhante, sem os poros dos folículos. Muitas pacientes confundem o início com entradas comuns ou com a calvície, o que atrasa o diagnóstico. ## Quem costuma ser afetado A alopecia fibrosante frontal é mais frequente em mulheres depois da menopausa, mas também pode aparecer antes e, mais raramente, em homens. Numa série de 60 casos publicada no Journal of the American Academy of Dermatology em 2012, a idade média de apresentação foi de 64 anos e 57 das 60 pacientes estavam na pós-menopausa. A frequência da doença aumentou nas últimas décadas, e as causas ainda estão sendo estudadas. Um estudo brasileiro de caso-controle com 902 participantes de 11 centros de referência, publicado no mesmo periódico em 2021, encontrou associação com alisamento capilar com formol, uso de sabonete comum no rosto, rosácea, hidratante facial e doenças da tireoide. São associações, e não prova de causa, mas ajudam a orientar a conversa com a paciente. ## Sinais que pedem atenção O sinal mais característico é o recuo da linha frontal e das têmporas, com uma faixa de pele lisa e mais clara que a da testa, que não pegou sol durante anos. Na série britânica de 2012, a perda de sobrancelhas estava presente em 73% das pacientes, e em várias delas foi o primeiro sinal. Algumas pessoas também notam perda de pelos no corpo e pequenas pápulas no rosto. Na borda dos cabelos, a médica observa vermelhidão e descamação ao redor dos fios, às vezes com coceira ou ardor. A ausência de fios curtos isolados na frente da linha, comum em outras condições, também é uma pista. Qualquer recuo da linha frontal em mulheres na menopausa, especialmente com sobrancelhas rareando, merece avaliação. ## O diagnóstico precoce faz diferença Como o folículo perdido não se recupera, cada mês de doença ativa sem tratamento pode significar cabelo perdido de forma permanente. Por isso, a tricoscopia tem papel central. Segundo uma revisão publicada em 2011, em todas as formas de alopecia cicatricial esse exame mostra áreas sem aberturas foliculares, e na borda ativa aparecem sinais de inflamação ao redor dos fios. Em casos de dúvida, a biópsia confirma o diagnóstico. Também é importante diferenciar a alopecia fibrosante frontal da alopecia de tração, que afeta a mesma região. Uma revisão de 2018 sobre alopecia de tração descreve que, nesta, costuma persistir uma franja de fios finos na borda, sinal que se perde na fibrosante frontal. ## O que o tratamento busca O objetivo do tratamento é estabilizar a doença: reduzir a inflamação, frear o recuo e preservar o cabelo e as sobrancelhas que ainda existem. A série de 2012 descreve que a resposta aos tratamentos é variável, o que exige paciência e acompanhamento por longos períodos. As opções incluem medicamentos locais e orais escolhidos pela médica e revisão de hábitos que possam estar associados, como produtos usados no rosto e no cabelo. A avaliação da evolução se baseia em medidas objetivas, como a distância da linha do cabelo até as sobrancelhas, fotos padronizadas e tricoscopia da borda ativa. Quando a doença está estável por um período longo, algumas pacientes discutem opções de camuflagem e, em casos muito selecionados, cirurgia, sempre com cautela. ## Casos complexos na Sanare A alopecia fibrosante frontal é uma das condições capilares complexas que a Dra. Vânia Declair Cohen acompanha na Sanare, em São Paulo. Ela recebe pacientes que já passaram por diversos tratamentos e pessoas que fizeram transplante sem que a doença estivesse controlada, situação em que os fios transplantados também podem ser perdidos. Na Sanare, o cuidado inclui uma consulta longa, que olha para a menopausa, a tireoide, a pele do rosto e os produtos em uso, além do couro cabeludo. O plano combina os tratamentos indicados, acompanhamento frequente e medidas objetivas de evolução. Qualquer discussão sobre transplante só acontece depois de um período prolongado de doença estável, e com expectativas claras e honestas. ## Perguntas frequentes - A alopecia fibrosante frontal tem tratamento? Sim. O tratamento busca controlar a inflamação e frear o recuo da linha do cabelo, preservando os fios e as sobrancelhas que ainda existem. A área já perdida dificilmente se recupera. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-fibrosante-frontal-tem-tratamento/) - Por que as sobrancelhas caem na alopecia fibrosante frontal? A mesma inflamação que atinge os folículos da linha frontal pode afetar as sobrancelhas. Em muitas pacientes, a perda das sobrancelhas é o primeiro sinal da doença. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-fibrosante-frontal-sobrancelhas-caem/) - Quem tem alopecia fibrosante frontal pode fazer transplante capilar? Só em casos selecionados e depois de um período longo de doença estável. Com a doença ativa, os fios transplantados também podem ser perdidos, por isso a cautela é essencial. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-fibrosante-frontal-pode-transplantar/) - Alisamento com formol pode causar alopecia fibrosante frontal? Um estudo brasileiro encontrou associação entre alisamento com formol e a doença, mas associação não prova causa. Evitar formol é recomendável, inclusive por outros riscos à saúde. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-formol-alopecia-fibrosante/) ## Dados e evidências - Numa série de 60 casos, a idade média de apresentação da alopecia fibrosante frontal foi de 64 anos, 57 pacientes estavam na pós-menopausa e 73% tinham perda de sobrancelhas. Fonte: MacDonald et al., J Am Acad Dermatol 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22503342/) - Estudo brasileiro com 902 participantes em 11 centros associou a doença ao alisamento com formol (OR 3,18), sabonete comum no rosto, rosácea, hidratante facial e doenças da tireoide. Fonte: Ramos et al., J Am Acad Dermatol 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32835739/) - Em todas as formas de alopecia cicatricial, a tricoscopia mostra áreas sem aberturas foliculares. Fonte: Rudnicka et al., J Dermatol Case Rep 2011 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3241952/) - A preservação de uma franja de fios finos na borda ajuda a diferenciar a alopecia de tração da fibrosante frontal, em que essa franja se perde. Fonte: Billero e Miteva, Clin Cosmet Investig Dermatol 2018 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5896661/) ## Fontes - Frontal fibrosing alopecia: a review of 60 cases (J Am Acad Dermatol, 2012): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22503342/ - Risk factors for frontal fibrosing alopecia: a case-control study in a multiracial population (J Am Acad Dermatol, 2021): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32835739/ - Trichoscopy update 2011 (J Dermatol Case Rep): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3241952/ - Traction alopecia: the root of the problem (Clin Cosmet Investig Dermatol, 2018): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5896661/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.