# Genética da calvície: o que herdamos e o que podemos fazer URL: https://sanareclinic.com.br/saude-capilar/genetica-da-calvicie/ A calvície tem forte componente hereditário, mas envolve centenas de genes e não vem apenas do lado materno. Entenda o que a ciência já sabe, o papel dos hormônios e como a Sanare usa essa informação na prevenção. ## Uma herança de muitos genes A alopecia androgenética, forma mais comum de calvície em homens e mulheres, tende a se repetir nas famílias. Segundo o MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, ter um parente próximo com perda de cabelo de padrão é um fator de risco. O mesmo material explica que o padrão de herança não é simples, porque vários genes e fatores ambientais contribuem. Um estudo publicado na revista PLoS Genetics em 2017, com mais de 52 mil homens do banco de dados britânico UK Biobank, identificou mais de 250 regiões genéticas independentes associadas à calvície intensa. Esse número ajuda a entender por que irmãos podem ter destinos capilares diferentes e por que a calvície não segue regras tão previsíveis quanto se imaginava. ## Vem da mãe ou do pai? Uma crença muito difundida diz que a calvície vem do avô materno. Ela tem um fundo de verdade: o gene do receptor de androgênio, chamado AR, citado pelo MedlinePlus como envolvido na condição, fica no cromossomo X, que o homem herda da mãe. Mas esse é apenas um dos muitos genes envolvidos. As centenas de regiões genéticas identificadas pelos estudos estão espalhadas por vários cromossomos, herdados tanto do pai quanto da mãe. Por isso, a história familiar dos dois lados importa. Um pai calvo, um avô paterno com entradas profundas ou tias com cabelo fino no topo da cabeça também são informações relevantes para avaliar o risco. Também vale lembrar que as mulheres da família contam a sua parte da história. ## Genes e hormônios trabalham juntos A genética define a sensibilidade dos folículos, e os hormônios acionam o processo. O MedlinePlus explica que a perda de cabelo, especialmente no homem, está relacionada aos androgênios, em particular à di-hidrotestosterona, a DHT. O gene AR fornece as instruções para produzir o receptor desse hormônio no folículo. Em folículos geneticamente sensíveis, a ação da DHT encurta progressivamente a fase de crescimento e reduz o tamanho do folículo a cada ciclo, até que os fios fiquem finos e curtos. É por isso que homens com a mesma quantidade de hormônio podem ter destinos capilares diferentes: o que muda é a resposta dos folículos. Nas mulheres, o mecanismo é mais complexo e envolve outros fatores hormonais. Por isso, a genética explica a tendência, e o acompanhamento mostra como ela está se expressando em você. ## O que os testes genéticos podem e não podem dizer Com o avanço da pesquisa, surgiram testes genéticos capilares que avaliam variantes associadas à predisposição à calvície e, em alguns casos, ao metabolismo de substâncias usadas no tratamento. O estudo de 2017 mostrou que um algoritmo baseado em variantes genéticas comuns conseguiu distinguir homens sem perda de cabelo daqueles com perda intensa, com sensibilidade de 74% e especificidade de 69%. Esses números mostram potencial, mas também limites: a genética indica predisposição, e não um destino certo. Os estudos sobre o uso desses testes para personalizar tratamentos ainda estão em construção. Por isso, eles são discutidos caso a caso, como informação complementar dentro de uma avaliação capilar completa, e não como resposta isolada. ## O que fazer com a predisposição Saber que existe predisposição genética não significa aceitar a perda sem fazer nada. Como os tratamentos clínicos atuam melhor sobre folículos que ainda estão ativos, identificar o processo cedo amplia as possibilidades de cuidado. A tricoscopia permite perceber a miniaturização antes de a perda ficar evidente no espelho. Também faz diferença cuidar dos fatores que aceleram o processo: deficiências nutricionais, alterações da tireoide, uso de hormônios sem acompanhamento, sono ruim e estresse. O MedlinePlus registra ainda que a alopecia androgenética se associa a outras condições, como doença coronariana em homens e síndrome dos ovários policísticos em mulheres, o que reforça a importância de olhar para a saúde como um todo. ## O olhar da Sanare sobre a genética Na Sanare, em São Paulo, a genética faz parte da avaliação capilar. A Dra. Vânia Declair Cohen investiga a história familiar dos dois lados, examina o couro cabeludo com tricoscopia e, quando indicado, discute o teste genético capilar como informação complementar, explicando com clareza o que ele pode e o que ainda não pode prever. A genética da queda capilar é uma área que a Dra. Vânia acompanha de perto: como palestrante da FUE Europe, congresso europeu de transplante capilar, ela apresentou em 2024 um trabalho sobre avanços em terapia gênica na queda capilar, um campo de pesquisa ainda em desenvolvimento. Na prática clínica, esse conhecimento se traduz em prevenção precoce e planos individuais. ## Perguntas frequentes - A calvície vem da mãe? Em parte. Um gene importante, o do receptor de androgênio, está no cromossomo X, herdado da mãe. Mas centenas de outras regiões genéticas vêm dos dois lados da família. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-calvicie-vem-da-mae/) - Se meu pai é calvo, vou ficar calvo também? O risco é maior, mas não é uma certeza. A calvície depende de muitos genes, herdados dos dois lados, e de fatores hormonais e ambientais. A avaliação precoce ajuda a agir cedo. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-pai-calvo-vou-ficar-calvo/) - Teste genético capilar vale a pena? Pode trazer informações complementares sobre predisposição. Os estudos sobre seu uso para personalizar tratamentos ainda estão em construção, por isso a indicação é individual. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-teste-genetico-capilar-vale-pena/) - Mulher também herda calvície? Sim. A alopecia de padrão feminino também tem componente hereditário e se manifesta como afinamento no topo, com a linha frontal preservada. A frequência aumenta com a idade. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/capilar-mulher-herda-calvicie/) ## Dados e evidências - Estudo com mais de 52 mil homens identificou mais de 250 regiões genéticas independentes associadas à calvície intensa. Fonte: Hagenaars et al., PLoS Genetics 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28196072/) - Um algoritmo genético distinguiu homens sem perda de cabelo de homens com perda intensa com sensibilidade de 74% e especificidade de 69%. Fonte: Hagenaars et al., PLoS Genetics 2017 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28196072/) - Variações no gene AR, que codifica o receptor de androgênio, estão envolvidas na alopecia androgenética; ter parente próximo com perda de padrão é fator de risco. Fonte: MedlinePlus Genetics (NIH) (https://medlineplus.gov/genetics/condition/androgenetic-alopecia/) - A frequência de alopecia de padrão feminino é maior em mulheres caucasoides do que em asiáticas em todas as faixas etárias estudadas. Fonte: Ramos e Miot, An Bras Dermatol 2015 (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4560543/) ## Fontes - MedlinePlus Genetics: Androgenetic alopecia: https://medlineplus.gov/genetics/condition/androgenetic-alopecia/ - Genetic prediction of male pattern baldness (PLoS Genet, 2017): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28196072/ - Female Pattern Hair Loss: a clinical and pathophysiological review (An Bras Dermatol, 2015): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4560543/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.