# FSH, estradiol e hormônios femininos: o que os exames mostram na perimenopausa URL: https://sanareclinic.com.br/sorologia/fsh-estradiol-hormonios-femininos/ Na perimenopausa, FSH e estradiol oscilam de um mês para outro, e um exame isolado pode parecer normal mesmo com sintomas intensos. Por isso, depois dos 45 anos, o diagnóstico da transição é sobretudo clínico. ## Os hormônios do ciclo O ciclo menstrual é comandado por uma conversa entre o cérebro e os ovários. A hipófise produz o FSH, hormônio folículo-estimulante, e o LH, hormônio luteinizante, que estimulam os ovários. Os ovários respondem produzindo estradiol, a principal forma de estrogênio, e, depois da ovulação, progesterona. À medida que a reserva de folículos diminui com a idade, os ovários respondem menos, e o cérebro aumenta o FSH para compensar. Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, níveis altos de FSH são um sinal normal da perimenopausa e da menopausa. A menopausa é definida quando as menstruações cessam por 12 meses seguidos. ## Por que um exame isolado engana Na perimenopausa, a transição não é uma descida suave. Há meses em que os ovários quase não respondem e o FSH dispara, e meses em que um folículo amadurece e o estradiol chega a níveis até mais altos do que na juventude. Um exame colhido em um dia qualquer pode capturar qualquer um desses momentos. Por isso, um FSH normal não exclui a perimenopausa, e um FSH alto em um mês não significa que a menstruação não voltará. O sistema de estadiamento STRAW+10, referência internacional para classificar o envelhecimento reprodutivo, baseia as fases da transição principalmente no padrão de sangramento, usando os exames hormonais como critérios de apoio. Essa instabilidade explica por que tantas mulheres ouvem que seus exames estão normais enquanto convivem com ondas de calor, sono fragmentado e ciclos imprevisíveis. O problema não está nos sintomas, e sim na expectativa de que um exame pontual consiga capturar um processo que oscila. ## Quando o FSH ajuda e quando não ajuda A diretriz de menopausa do NICE, órgão de avaliação do sistema de saúde britânico, orienta não usar o FSH para identificar a menopausa em pessoas com mais de 45 anos com sintomas típicos; nessa faixa, o diagnóstico é clínico. O FSH pode ser considerado para confirmar a menopausa entre 40 e 45 anos com sintomas e mudança no ciclo, e é parte do diagnóstico de insuficiência ovariana prematura antes dos 40, com FSH elevado em duas amostras colhidas com intervalo de 4 a 6 semanas. O mesmo documento alerta que o FSH não deve ser usado para identificar a menopausa em quem usa contraceptivo combinado ou progestagênio em dose alta, porque esses medicamentos alteram o eixo hormonal. ## Estradiol, progesterona e AMH O estradiol varia muito ao longo do ciclo e na transição, e um valor isolado diz pouco sobre sintomas. Ele é útil em contextos específicos, como investigar ausência de menstruação em mulheres jovens ou, em alguns casos, acompanhar tratamentos. A progesterona, dosada na segunda metade do ciclo, indica se houve ovulação. O hormônio antimülleriano, conhecido como AMH, reflete a reserva de folículos e é muito usado em avaliação de fertilidade. Ele cai com a idade, mas ainda não permite prever com precisão a data da menopausa de uma mulher específica. A prolactina e o TSH entram com frequência nessa investigação, porque alterações de ambos podem causar irregularidade menstrual e sintomas que se confundem com a transição. Em mulheres com sinais de excesso de androgênios, a testosterona e a SHBG também podem ser úteis. ## Para que servem os exames na transição Se o diagnóstico da perimenopausa depois dos 45 anos é clínico, os exames de sangue continuam importantes por outros motivos. Eles ajudam a excluir condições que imitam a transição, como alterações da tireoide, anemia e aumento da prolactina. Também avaliam o que muda na saúde com a queda do estrogênio: colesterol, glicose e saúde óssea. E são essenciais antes de iniciar uma reposição hormonal, para conhecer o perfil de risco, embora a decisão de tratar se baseie principalmente nos sintomas, na idade, no tempo desde a última menstruação e no histórico pessoal e familiar. Depois da menopausa, a densitometria óssea ganha destaque, porque a queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea nos primeiros anos. Junto com exames de sangue como vitamina D, cálcio e função renal, ela orienta a prevenção de fraturas. ## Como a Sanare conduz Na Sanare, a avaliação da transição menopausal começa por uma consulta longa, de cerca de duas horas, em que a Dra. Vânia Declair Cohen ouve o padrão do ciclo, os sintomas físicos e emocionais, o sono, a vida sexual e a história familiar. Os exames são escolhidos para responder às perguntas que importam, sem repetir dosagens hormonais que oscilam e pouco mudam a conduta. Para quem decide tratar, o Programa Essência, voltado à menopausa, e o Programa Equilíbrio Feminino, de terapia hormonal individualizada, acompanham a evolução ao longo de 12 semanas, com visitas semanais e bioimpedância mensal. ## Perguntas frequentes - Exame de sangue confirma a menopausa? Depois dos 45 anos, com sintomas típicos, a menopausa é diagnosticada clinicamente, sem necessidade de exame. O FSH pode ajudar entre 40 e 45 anos e é essencial abaixo dos 40, quando se suspeita de insuficiência ovariana. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/exames-menopausa-confirmar-exame-sangue/) - FSH normal descarta perimenopausa? Não. Na perimenopausa, o FSH sobe e desce entre os ciclos, e pode estar normal no dia da coleta mesmo com sintomas típicos. O padrão menstrual e os sintomas são mais confiáveis. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/exames-fsh-normal-perimenopausa/) - Preciso dosar hormônios antes de começar a reposição hormonal? Dosar FSH e estradiol não é obrigatório para decidir a reposição depois dos 45 anos, que se baseia nos sintomas e no histórico. Mas outros exames, como perfil metabólico, avaliação mamária e ginecológica, fazem parte da segurança. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/exames-hormonios-antes-da-reposicao/) - AMH prevê quando vou entrar na menopausa? O AMH reflete a reserva de folículos e cai com a idade, mas ainda não permite prever com precisão quando uma mulher específica terá a última menstruação. É mais útil na avaliação de fertilidade. (https://sanareclinic.com.br/perguntas/exames-amh-preve-menopausa/) ## Dados e evidências - O NICE orienta usar o FSH para confirmar a menopausa apenas entre 40 e 45 anos com sintomas e, abaixo dos 40, diagnosticar insuficiência ovariana com FSH elevado em duas amostras com 4 a 6 semanas de intervalo. Fonte: NICE NG23 (https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/Recommendations) - O NICE desaconselha usar o FSH para identificar a menopausa em quem usa contraceptivo combinado ou progestagênio em dose alta. Fonte: NICE NG23 (https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/Recommendations) - Menopausa é definida por 12 meses consecutivos sem menstruação; FSH alto é um sinal normal da perimenopausa e da menopausa. Fonte: MedlinePlus (NIH) (https://medlineplus.gov/lab-tests/follicle-stimulating-hormone-fsh-levels-test/) - O STRAW+10 simplificou os critérios de sangramento para classificar a transição menopausal e recomenda aplicá-los independentemente de idade, etnia ou tamanho corporal. Fonte: Harlow et al., STRAW+10, 2012 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22344196/) ## Fontes - NICE. Menopause: identification and management (NG23). Recommendations: https://www.nice.org.uk/guidance/ng23/chapter/Recommendations - Harlow SD et al. Executive summary of STRAW+10. 2012: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22344196/ - MedlinePlus. Follicle-Stimulating Hormone (FSH) Levels Test: https://medlineplus.gov/lab-tests/follicle-stimulating-hormone-fsh-levels-test/ - MedlinePlus. Estrogen Levels Test: https://medlineplus.gov/lab-tests/estrogen-levels-test/ --- Sanare Clinic — medicina de longevidade, integrativa, regenerativa e nutrologia em São Paulo. Endereço: Rua João Cachoeira, 1397, Itaim Bibi, São Paulo — SP, 04535-015. WhatsApp oficial: +55 11 96964-1144 (https://wa.me/5511969641144). Médica responsável: Dra. Vania Declair Cohen (CRM/SP 260848), mais de 8 mil pacientes atendidos; pesquisa publicada desde 1994 (Rev Bras Enferm 1994, doi:10.1590/S0034-71671994000100005; Ostomy Wound Manage 1997, PMID 9233238; 1999, PMID 10347511); criadora da fórmula do Dersani, à base de ácidos graxos essenciais; pós-graduação no Hadassah Medical Center (Jerusalém); palestrante na FUE Europe 2024. Método: Programas Sanare de 12 semanas — consulta inicial de cerca de 2 horas, visita semanal, bioimpedância mensal e relatório de evolução. O conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.